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08/10/2021 - 15:54 - Atualizado em 13/10/2021 - 14:08
“O livro me escolheu!”: as vivências de leituras com crianças de três anos
Em homenagem ao Dia das Crianças, confira pesquisa desenvolvida com alunos de escola municipal de educação infantil em Uberlândia
Por: 
Julia Alvarenga

 

 

Pesquisa da UFU aborda a experiência literária de crianças de três anos (Ilustração: Viviane Aiko)

 

A leitura abre portas para compreender o mundo sob diferentes olhares e se expressar de formas diversas. Ler é fator essencial para o desenvolvimento das crianças no processo de alfabetização, mas também em vários outros campos, como no incentivo à criatividade e no desenvolvimento de habilidades comunicativas.

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a alfabetização é foco nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, quando as crianças têm 6 e 7 anos de idade, período em que começam a ler e escrever. Mas quando se trata de crianças mais novas, quais suas vivências com a leitura?

Em homenagem ao Dia das Crianças, falaremos sobre a pesquisa “‘O livro me escolheu!’: vivências de leituras com crianças de uma escola municipal de educação infantil”. O estudo se caracteriza por abordar construções e reelaborações de acordo com as vivências de leitura que envolveram a pesquisadora e as crianças de três anos de uma instituição de educação infantil.

De autoria de Jozaene Faria, a dissertação foi desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Uberlândia (PPGED/UFU) e orientada pela professora Myrtes da Cunha, professora da Faculdade de Educação (Faced). O trabalho foi desenvolvido com crianças da Escola Municipal de Educação Infantil Zacarias Pereira da Silva (EMEI Zacarias), em Uberlândia.

Também professora da rede municipal da cidade, Faria afirma que, através da pesquisa, foi possível compreender que as crianças vivenciam práticas de leitura a partir das próprias vivências e criam histórias que extrapolam as páginas das obras literárias.

“O protagonismo delas precisa ser construído a cada instante do cotidiano escolar, a exemplo da frequência na biblioteca, da escolha dos livros como empréstimos, da valorização da brincadeira e até mesmo da promoção e valorização das necessidades para a composição do acervo da biblioteca escolar”, comenta.

Para ela, é importante compreender a biblioteca escolar como um espaço rico de possibilidades e como política pública, desde a educação infantil. “No entanto, o que temos vivenciado é o fechamento desses espaços pela falta de investimento ou de profissionais capacitados”.

 

Crianças da Escola Municipal de Educação Infantil Zacarias Pereira da Silva (EMEI Zacarias), em 2019 (Foto: Arquivo pessoal)

 

Em trecho de sua dissertação, Faria explica que a frase presente no título da pesquisa, “O livro me escolheu!”, foi dita por uma criança, em 2019, durante o empréstimo de livros na biblioteca da EMEI Zacarias. “Quando perguntamos se havia escolhido aquela obra para levar para casa, ela respondeu: ‘não fui eu que escolhi, foi o livro que me escolheu’. Isso nos tocou profundamente e demonstrou a relação afetiva das crianças com os livros, as histórias e a importância desses momentos”, completa.

Inicialmente, a proposta era realizar o estudo com as crianças na biblioteca da EMEI Zacarias. Porém, com a suspensão das aulas presenciais em razão da pandemia de coronavírus, a pesquisa mudou seu foco para as práticas de leitura.

Trabalhando com crianças de três anos, Faria afirma que foi possível compreender que elas vivenciaram criativamente as práticas de leitura antes de dominarem técnicas específicas e convencionais.

“As crianças se beneficiaram de vivências escolares com os livros, ao transformá-las em aprendizados importantes, especialmente ao construir estratégias de leituras relativas às obras, mas também ao criar outras histórias que reúnem experiências anteriores diversas, emoções e afetos suscitados pela interação com a Arte Literária”.

A pesquisa também analisou o Programa Nacional da Biblioteca Escolar (PNBE), criado em 1997, com o intuito de incentivar a leitura dos estudantes de escolas públicas, fornecendo obras literárias e de apoio pedagógico para os professores.

Concluiu-se que o PNBE contribuiu para o aumento do acervo de livros literários nas escolas, apesar de a disponibilização das obras para os estudantes ser de responsabilidade de cada instituição escolar e de seus profissionais. Para os alunos, a biblioteca escolar da EMEI Zacarias apareceu como um espaço-tempo privilegiado, no qual as crianças interagem com os livros e a literatura, realizam empréstimos, ouvem, criam e contam histórias.

A pesquisadora relata que os livros se tornaram brinquedos para as crianças, e a leitura, uma brincadeira, feita por meio de momentos lúdicos. Na escolha dos livros por meio dos empréstimos, as crianças evidenciaram seus protagonismos, expressando suas preferências e a relação afetiva com as histórias.

“O empréstimo de livros e a contação de histórias corroboraram o desenvolvimento da imaginação e do conhecimento das crianças ao ampliar o repertório vivencial e acumular variadas experiências que compõem bases para criações”, conclui.

 

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