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11/01/2022 - 11:39 - Atualizado em 17/01/2022 - 11:40
Pesquisadoras da UFU analisam força muscular de pacientes com hanseníase
Estudo pode facilitar atendimento fisioterapêutico e contribuir no processo de reabilitação
Por: 
Portal Comunica
Por: 
Gabriel Reis e Túlio Daniel

Arte: Viviane Aiko

Pesquisadoras da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia da Universidade Federal de Uberlândia (Faefi/UFU) estão desenvolvendo um estudo que pode ajudar no tratamento de pessoas com hanseníase. O objetivo é compreender o comportamento da força muscular de membros inferiores das pessoas afetadas pela doença e como isso pode melhorar o atendimento fisioterapêutico desses pacientes contribuindo no processo de reabilitação.

A estudante Maria Thereza Souza, do curso de graduação em Fisioterapia, sob a orientação da professora Lilian Ramiro Felicio e da mestranda Adriana Silva, do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFU, comparou a força muscular dos membros inferiores de 30 indivíduos em tratamento contra a hanseníase com 30 pessoas que não têm enfermidade, sendo 15 homens e 15 mulheres em ambos os grupos. Por meio do uso de um dinamômetro, aparelho usado para medir o nível de força muscular, foram avaliados indivíduos entre 40 e 55 anos, hansênicos e saudáveis.

De acordo com Silva, a perda de massa muscular (hipotrofia) é comumente associada à perda de força. Na hanseníase, em decorrência da lesão nervosa periférica, a condução dos estímulos nervosos pode ser alterada, o que resulta em alterações sensitivo motoras, podendo levar à diminuição de força muscular e atrofias em mãos e pés.

“A medicação usada no tratamento da doença não atua diretamente na melhoria da força muscular, porém não tratar adequadamente as pessoas afetadas pela hanseníase significa facilitar o agravamento da doença, seus sinais, sintomas e, sobretudo, o agravamento das sequelas”, explica Silva.

Ao fim do estudo, constatou-se que a diferença de força muscular do grupo com hanseníase para o grupo controle foi significativa. Todos os pacientes com hanseníase tiveram força menor quando comparados às pessoas saudáveis. Segundo Souza, compreender o comportamento da força muscular dessas pessoas pode, dentre outras coisas, facilitar e/ou melhorar o atendimento fisioterapêutico e contribuir no processo de reabilitação.

Para além da avaliação da força muscular dos membros inferiores, as pesquisadoras também estudaram o controle postural e diferentes classificações a respeito da hanseníase.

 

O estigma sobre a hanseníase    

Historicamente, a política usada no Brasil para lidar com a hanseníase, sobretudo na década de 30, era a criação de leprosários. Estes eram centros usados para isolar os pacientes da lepra (antigo nome usado para hanseníase), onde viviam em comunidade e totalmente restritos ao mundo externo, perdendo, inclusive, o contato com familiares.

Por ser uma doença que leva à deformidade da pele e existirem suposições sobre a transmissão, criou-se um estigma sobre a hanseníase que permanece atualmente. Durante o trabalho realizado pelas pesquisadoras, elas observaram como o preconceito acerca da doença impacta os pacientes que participaram da pesquisa. Nestes casos, o isolamento social torna-se comum por medo da discriminação, o que dificulta a adesão ao tratamento, sendo um fator que pode agravar ainda mais as sequelas e até mesmo a cura da doença.

A transmissão da hanseníase se dá por meio do convívio próximo e prolongado com uma pessoa doente, por meio das vias aéreas superiores e pelo contato com gotículas de saliva ou secreção nasal. Contudo, é importante salientar que, após o início do tratamento, a doença deixa de ser transmissível, e, dentre os infectados, apenas uma pequena parcela realmente adoece e desenvolve sintomas.

 

Janeiro Roxo: mês de conscientização e combate à hanseníase

Desde 2016, o Ministério da Saúde oficializou o mês de janeiro para a conscientização sobre a hanseníase e a cor roxa para pontuar as campanhas educativas sobre a doença, que ainda é vista com preconceito e desinformação.A hanseníase, anteriormente conhecida por lepra, teve seu nome alterado no Brasil no ano de 1976. Essa mudança ocorreu por uma iniciativa do médico dermatologista Abrahão Rotberg, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal São Paulo (EPM/Unifesp), e teve por finalidade reduzir o preconceito em torno da doença que, por muitos anos, teve seus pacientes sofrendo rejeição e exclusão social.Essa infecção é causada por uma micobactéria denominada Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen e acomete homens e mulheres em igual proporção, em qualquer idade, afetando principalmente pele e nervos periféricos (superficiais).

Atualmente, já se sabe que uma pessoa com hanseníase pode viver normalmente na sociedade. Mesmo que a transmissão do bacilo aconteça principalmente por vias respiratórias, a maioria da população tem resistência parcial e nem todas as formas clínicas transmitem, apenas as mais graves. A UFU possui um centro para tratamento da hanseníase, o Centro de Referência Nacional em Hanseníase / Dermatologia Sanitária (Credesh), localizado no Hospital de Clínicas (HC).

 

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.

 

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