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07/06/2022 - 14:37 - Atualizado em 14/06/2022 - 17:34
UFU sedia encontro nacional de pró-reitores de Extensão
Evento reúne cerca de 150 participantes de instituições públicas brasileiras e vai até esta quinta-feira (09/06)
Por: 
Eliane Moreira

Reitor Valder Steffen (ao centro) participou da solenidade de abertura. (Fotos: Milton Santos)

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proexc), está sediando o 49º Encontro Nacional do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileira (Forproex). A abertura aconteceu na manhã desta terça-feira (07/06), e contou com a presença do reitor da UFU, Valder Steffen Junior, dos pró-reitores da instituição e da presidente do Forproex e do Colégio de Extensão (Coex) da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Olgamir Amâncio.

A abertura contou, ainda, com a apresentação cultural do Grupo  UDICello Ensemble, coordenado pelo professor Kayami Satomi, do curso de Música da UFU. Foram executados clássicos da Música Popular Brasileira.

 

A professora do Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia Poliana Alves, também participou da cerimônia de abertura, cantando o Hino Nacional Brasileiro.

 

 

O encontro reúne cerca de 150 gestores, de forma híbrida, que representam as pró-reitorias de Extensão das universidades públicas e debatem a extensão e as políticas públicas brasileiras. Nesta edição o evento tem como tema: “A Extensão Brasileira em (nova) perspectiva”.  A programação segue até quinta-feira, dia 9, com diversas conferências sobre a extensão nas universidades públicas.

“Um pouco da alma da universidade é expressa por essas apresentações". Foi desta forma que o reitor da UFU fez referência à performance do grupo Udi Cello Emsemble, durante a abertura do fórum. Em contrapartida, Steffen lembrou um momento que rouba a cena das universidades, o corte de verbas. “O que cortar? Onde cortar? Como cortar?”, indagou. E acrescentou: “Uma situação extremamente difícil, enquanto universidades públicas com enorme responsabilidade social. Lembremos que a extensão esteve presente, por meio de ações empreendidas e regulamentadas, no momento em que o mundo passou por um momento de isolamento social. Aqui na UFU ensino, pesquisa e extensão são, de fato, equivalentes em valor e indissociáveis, como preceitua a Constituição Federal.”

Apesar do momento enfrentado pelas instituições, a extensão vem ocupando espaços importantes nos projetos pedagógicos e na própria consolidação delas na promoção da sociedade. O pró-reitor de Extensão e Cultura da UFU, Hélder Silveira, é enfático: “Só faz sentido a universidade pública existir, se estiver voltada para o desenvolvimento da sociedade. Uma universidade que olhe só para si, para suas próprias matrizes e despreocupada com o que está acontecendo na sociedade não merece existir. Porque não pode existir ciência que não tenha compromisso com meio ambiente e com os desenvolvimentos econômico, social, sanitário e vida das pessoas. É nessa perspectiva que nós trazemos para o evento, ainda mais, a abertura das universidades.”

 

Entrevista

O Forproex é voltado para a articulação e definição de políticas acadêmicas de extensão, que promovam a transformação social. Em entrevista à jornalista Eliane Moreira, a decana de Extensão da Universidade de Brasília (UnB) e presidente do fórum, Olgamira Amancia Ferreira, destacou a importância das ações de extensão promovidas pelas universidades públicas.

Qual a importância da Extensão em uma instituição de ensino?

A extensão é o que dá sentido àquilo que é desenvolvido em um ambiente de formação acadêmica. Traz um significado que busca articular o que se aprende como resultado do acumulado histórico, mais o que desafia as investigações; e vincula isso com a sociedade onde aquele processo está sendo desenvolvido. Em outras palavras, ela traz uma vinculação do que se desenvolve em termo de produção de conhecimento com a realidade, dando sentido ao que é feito.

 

Como fazer extensão, professora, em um momento em que as instituições dispõem de tão pouco?

Isso é extremamente difícil, porque afeta diretamente o processo de desenvolvimento dos projetos e programas. Então, não há como se falar nem pensar em extensão, se não houver recursos. Extensão é atividade finalística, é atividade de aprendizagem, é atividade de educação, formação acadêmica. Portanto, pressupõe investimentos que qualifiquem, que oportunizem as condições estruturais; ter os profissionais para poder atuar.  Ela não é apenas desejo; a extensão é uma atividade que precisa ser sistematizada, organizada. Implica, por exemplo, em deslocamentos para as comunidades externas, trazê-las para dentro da universidade; ou seja, ela é uma dimensão formativa, como é a pesquisa, como é o ensino. A extensão articula o ensino e a pesquisa. Quando ocorrem bloqueios, como o que nós estamos sofrendo, este corte de recurso provoca um impacto direto nas atividades finalistas; a extensão é uma delas. Em suma, para se pensar em extensão, tem que se pensar em investimento.

 

A gente percebe que, apesar deste momento que as universidades tem passado, a extensão está crescendo. A que fato se deve esse crescimento, esse olhar diferenciado para essa área?

Na verdade, eu diria que existem dois movimentos. Primeiro é preciso entender que a extensão vincula a realidade às necessidades humanas. Ela faz com que o que se produza busque atender as necessidades humanas. Como nós estamos vivendo um contexto de pandemia, onde a universidade foi exatamente a porta-voz para dar respostas às necessidades humanas, aquilo que a extensão já faz no seu cotidiano ficou mais visível para a população. Na verdade, nós já tínhamos muitas ações sendo desenvolvidas, mas que não eram reconhecidas como importantes, como a própria universidade não era. Muitas vezes, o que se fazia na universidade era considerado como algo menor ou como 'balbúrdia', tal qual a gente já escutou em alguns momentos, né? Não se reconhecia a importância da universidade, a importância da produção do conhecimento e, portanto, não se reconhecia a importância da extensão. Então, esse dado e a realidade fizeram com que a própria sociedade tomasse consciência; e, como a extensão é o que vincula as demandas, ela obrigou que a universidade se voltasse para produzir conhecimento para atender uma demanda que era real, a da nossa comunidade afetada pela pandemia da covid-19. Por um outro lado, a extensão tem um desafio agora, que é o da inserção curricular. É previsto pela Resolução 7, do Conselho Nacional de Educação, que estabelece um prazo para mudança no currículo dos cursos; isso obrigou que as universidades tivessem que institucionalizar o que era realizado. Então, o que era feito de forma mais periférica, mais voluntária, teve que ser reorganizado e isso ainda está em processo. Mas teve que ser reorganizado no ambiente da universidade, garantindo o quê? A institucionalidade daquilo que era feito. Isso também ampliou não só o fazer; estimulou mais ações e formalizou aquilo que já era feito. Então, eu diria que esses dois movimentos são responsáveis por essa maior visibilidade daquilo que nós fazemos.

 

Professora, como a senhora analisa a percepção da comunidade externa, em relação aos projetos de extensão?

Eu diria que hoje, pós-pandemia, a comunidade externa tem uma percepção diferente da universidade, por força da extensão. Ela reconhece a universidade como uma instituição importante. Note que antes havia discurso de desconstrução do valor da universidade. Hoje, há o reconhecimento e ele se dá pela extensão, porque é ela que chega até a comunidade. Inclusive, nesse contexto da pandemia, a difusão científica e a divulgação científica feitas por meio da extensão foram importantes, inclusive para desconstruir a narrativa da negação da ciência. Para levar informações concretas, necessárias para ajudar a sociedade a enfrentar esse momento. Isso trouxe visibilidade para a universidade e se deu por meio da extensão. Aumenta o entendimento do que que é extensão e, internamente, os gestores passam a compreender o quão importante ela é, tanto quanto o ensino e a pesquisa. E digo isso até mesmo porque a extensão não se dá apartada dessas duas dimensões.

 

Podemos falar em um papel de transformação social assumido pela extensão?

A extensão só sustenta se contribui para transformação, seja da sociedade externa, seja da própria universidade. Então, ela tem sim um papel neste sentido. Quando nos deslocamos para irmos até a comunidade, nós estamos aproximando a universidade de uma sociedade que - é bom lembrar - esteve historicamente afastada dessa instituição. A universidade no Brasil nasce elitizada, nasce para poucos. Quando a universidade se dirige a esses grupos, está dizendo a eles que esse espaço também é dela, que é possível para ela. E, ao levar os temas próprios desenvolvidos na universidade e iniciar o debate com a comunidade, todos saem ganhando. A universidade também ganha, pois escuta essa comunidade, vê as formas que essa comunidade tem de compreender aquele processo; e, a partir dali, desdobram outros problemas e outros conhecimentos. A universidade também aprende com a comunidade. Ela tem formas de saber, de conhecer, diferentes da nossa, produzidas por métodos diferentes do método científico utilizado nas universidades. O conhecimento produzido pela comunidade é importante para qualificar o que fazemos. Porque, afinal, o que nós fazemos na universidade é produzir conhecimento para responder as necessidades humanas, para tornar essa sociedade melhor. Não tem sentido produzirmos ciência e conhecimentos que sejam apenas para alimentar o processo produtivo, sem que isso repercuta sobre a vida das pessoas.

 

Professora, um dos temas abordados aqui será com relação à instituição de políticas públicas no que diz respeito à extensão. De que forma fazer isso?

Os debates aqui são exatamente para a gente atuar junto às estruturas de Estado. Primeiro, pelo reconhecimento da extensão como uma dimensão acadêmica, uma dimensão necessária para qualificação dos nossos profissionais, aqueles que nós formamos. E aí isso reverbera sobre a questão do financiamento, sobre a questão das mudanças no currículo e outras políticas mais; um diálogo para fora com a sociedade. E a extensão cumpre esse papel. Ela cumpre tanto dentro da universidade, para fortalecer essa articulação com os diferentes setores; e ela cumpre, quando dialoga com as comunidades populacionais, no sentido de que as pessoas entendam a sua condição de cidadania e os direitos que elas têm para que demandem políticas públicas. Então, a extensão tem uma relação muito direta com políticas públicas. Ela contribui, por exemplo, na reflexão com as estruturas de Estado, de municípios, para que se formulem políticas de inclusão, de garantia de direitos e, assim por diante, quanto ela atua para que a comunidade possa compreender que tem o direito de demandar junto ao Estado.

 

E qual a importância desse fórum constituído por representantes das pró-reitorias de Extensão?

O Forproex é constituído exclusivamente de pró-reitores e pró-reitoras de Extensão de universidades públicas. É importante deixar isso claro, porque que ele é o único fórum no Brasil de pró-reitores que é exclusivo de universidades públicas. São universidades federais, estaduais e municipais. E aí, na reunião do fórum, podem vir tanto o pró-reitor, quanto os gestores que atuam ali, na expectativa de que a gente construa um processo o mais coletivo possível. A extensão é pautada justamente disso, no compartilhamento, na troca, na construção coletiva. A presença de diretores e coordenadores aqui é muito importante. E esses pró-reitores, ao longo da história do fórum, que foi criado em 1987, são responsáveis pela Política Nacional de Extensão que orienta a extensão para as áreas pública e privada, que orienta a extensão no Brasil inteiro e que foi a base utilizada pelo Conselho Nacional de Educação para estabelecer a Resolução 7 do CNE. Para estabelecer as diretrizes da extensão universitária. Veja que o conceito utilizado pelo CNE é o mesmo composto dos elementos apontados pelo fórum, ao longo desses mais de 30 anos. Então, o Forproex é extremamente importante para a universidade e para a sociedade, porque a nossa linha máxima é a universidade como espaço democrático, com produção de conhecimento vinculado aos interesses sociais. Então, é um espaço extremamente importante para quem quer uma sociedade melhor, mais inclusiva e que entenda que educação é direito de todos e todas.

 

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