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13/09/2022 - 14:17 - Atualizado em 20/09/2022 - 14:29
Entreformas: Anamorfose em música
Discente da UFU une técnicas do piano popular às obras de Patrik Proško por meio do anamorfismo harmônico
Por: 
Gabriel Reis

O anamorfismo harmônico é uma representação que pode ser vista/percebida apenas de determinado ângulo. (Foto: Lisandro Júnior)

Sentado na sala de casa, o menino ouvia repetidamente os discos do pai na vitrola. César Braga, que na época não tinha mais que dez anos de idade, mantinha os ouvidos atentos ao jogo de sons que se formavam através das melodias, e com o tempo – pelo poder da repetição ou pelo destino – aprendia sobre a maneira como as músicas eram organizadas.

Anos mais tarde e várias repetições musicais depois, em 1989, a família de Braga estava em terras paraguaias para uma viagem. Com 100 cruzeiros no bolso e a curiosidade de um menino que acabara de ouvir a frase “pode gastar esse dinheiro como quiser”, Braga entrou em uma loja e se deparou com algo que transformaria toda a sua vida.

Lá estava ele, em meio a tantos outros na prateleira, o estojo equipado com um piano de brinquedo. 100 cruzeiros depois, o menino chegava em casa pronto para estrear seu mais novo equipamento, aquecia os dedos e, com a maestria de quem já era íntimo do instrumento, tocava a canção “Yesterday” dos Beatles.

Impressionado, o pai de Braga o matriculou nas aulas de piano que deram início ao amor pelo instrumento que permanece até os dias de hoje. O pianista, já adulto, é discente do Programa de Pós-Graduação em Música pelo Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia (Iarte/UFU), e teve seu artigo de conclusão do mestrado, orientado pelo professor César Traldi, aprovado para participar do Áudio Mostly’22.

O congresso, voltado para a pesquisa na área da computação musical, aconteceu na Áustria na última quinta-feira (08/09). Braga apresentou seu trabalho que trata de aplicações para piano popular combinando elementos retirados das séries rítmicas de José Eduardo Gramani, além dos processos de defasagem rítmica por meio de um método de live looping utilizando a DAW Reaper, gerando o anamorfismo harmônico. Mas o que isso significa?

De acordo com o Dicionário de Oxford, defasagem é um descompasso entre dois objetos. No caso da pesquisa de Braga esse processo acontece entre acordes musicais. Inicialmente, o pianista toca dois acordes simples e, usando o aplicativo computacional DAW Reaper, cria um looping descompassado desses sons. Em dado momento, esses acordes que estão em repetição mas em níveis diferentes, se encontram e formam um conjunto musical complexo.

Assim como a técnica do mestrando, o artista plástico Patrik Proško cria obras de arte que vistas de determinado ângulo formam uma imagem completa ou permitem a análise dos objetos que as compõem, o chamado anamorfismo harmônico.

Obra de Patrik Proško que usa do anamorfismo harmônico. (Foto: Andrej Boleslavský)

Juntos, a música de Braga e as obras de Proško, formam a peça musical intitulada “Entreformas” que está contida no artigo apresentado pelo pianista no Áudio Mostly’22.

O que começou com um piano de brinquedo acoplado em um estojo, quatro décadas depois, representa para o mestrando uma oportunidade de reconhecimento do programa de pós-graduação no qual está inserido.

“A maior alegria para mim, foi levar o nome da UFU ao evento e ter um trabalho internacionalmente reconhecido, dando destaque ao Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade (PPGMU)”, finaliza Braga.

 

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