Pular para o conteúdo principal
NUTRIÇÃO ANIMAL

UFU é referência em estudos sobre grão de sorgo

Pesquisas são realizadas desde 2000 sob coordenação do professor Evandro de Abreu Fernandes

Publicado em 10/04/2017 às 16:29 - Atualizado em 09/06/2025 às 22:15

“A UFU é hoje, no Brasil, a instituição que mais conhece o sorgo na nutrição animal”. É assim que o professor Evandro de Abreu Fernandes, da Faculdade de Medicina Veterinária (Famev), define as pesquisas da universidade sobre o grão de sorgo. O trabalho coordenado pelo docente é realizado há 17 anos e já quebrou alguns paradigmas na área de nutrição animal.

Quando entrou na UFU, o professor encontrou alguns galpões desativados na fazenda do Glória e decidiu revitalizar o local montando 80 boxes para aves. “Como eu já vinha numa experiência de pesquisa e já trabalhava como nutricionista de aves, consegui com a iniciativa privada, que doou à Famev, um recurso com o qual compramos os canos e as telas. Eu, junto com os alunos do quinto período, começamos a montar os boxes que estão aí até hoje e, em 2000, comecei a fazer pesquisa com o sorgo”, conta Fernandes.

Grão de sorgo. (Foto: Pixabay)

Ele começou a estudar as dúvidas que os produtores tinham em relação ao grão, como o pensamento de que o animal não cresceria o suficiente se fosse alimentado com sorgo. “A primeira pesquisa que eu fiz com os alunos foi a substituição do milho pelo sorgo na ração, começando parcialmente, com 30%, 60%, 80% e até 100%. Aí eu mostrava, através desses trabalhos, que não tinha nenhuma interferência negativa de desempenho zootécnico”, esclarece o docente.

Outra questão levantada era a possibilidade de que, ao utilizar o sorgo na ração, também era preciso ter mais óleo e, com isso, a ave ficaria mais gorda. Fernandes analisou o rendimento de carcaça dos animais para ver a composição de gordura. Segundo ele, surgiu outro fato interessante: “a carcaça era menos gorda do que quando criava a ave com milho”. Além disso, outro experimento foi utilizar o grão de sorgo inteiro, o que gerava uma economia no processo, já que o que mais gasta energia em uma fábrica de ração é moer o grão. “Vimos que quando usava esse cereal inteiro, a moela da ave tinha aumentado de tamanho, estava mais forte e o intestino delgado também tinha crescido”, explica.

Outra vantagem é o custo, já que o grão de sorgo é mais barato. Porém, segundo Fernandes, ainda há um receio dos produtores por causa do pigmento dele ser acinzentado. “O milho é um produto caro. Nutricionalmente não tem diferença, somente na coloração, o que não é um problema, porque nós temos recursos para colorir a gema [do ovo] e a pele do frango, sem comprometer a qualidade e ganhando em termo de custo final do produto”, afirma.

Foram montados 80 boxes com capacidade para 40 aves em cada. (Foto: arquivo pessoal)

Os animais que estão nos boxes dos galpões são utilizados para pesquisas e normalmente vendidos para frigoríficos e abatedouros. “O resultado dessa venda fica na Fundação de Desenvolvimento Agropecuário, à qual a fazenda está ligada, em uma conta chamada Aviex. Esse recurso serve para fazer a manutenção do galpão e para um laboratório da faculdade que é usado para bromatologia, para analisar o milho, o sorgo, o farelo de soja, a ração, fezes, carcaças etc.”

Reconhecimento

Os trabalhos da UFU nesta área são reconhecidos nacionalmente. De acordo com o pesquisador de melhoramento de sorgo granífero Cícero Beserra de Menezes, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), as pesquisas são “essenciais para o desenvolvimento da cultura do sorgo no país, servindo como orientação para adoção do grão por muitos agricultores de diversas regiões”.

A Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig) também considera importante os trabalhos de pesquisa sobre o sorgo desenvolvidos na universidade. Segundo nota, os estudos “estão sempre mostrando as grandes possibilidades deste grão para a alimentação de aves poedeiras e de corte [...] e são altamente significativos para a economia na atividade avícola”.

Palavras-chave: grão de sorgo Nutrição aves

A11y