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Leia Cientistas

Pesquisa propõe metodologia simples e barata para monitorar gás ozônio em Uberlândia

Dissertação foi defendida no Programa de Pós-graduação em Química

Publicado em 17/02/2023 às 17:39 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:38

O Parque do Sabiá, em Uberlândia, é um dos locais onde é feito o monitoramento do ar. Na foto, Danielle Sousa e João Petruci, orientador da pesquisadora (foto: Milton Santos)

Respirar é um ato involuntário e essencial para nossa sobrevivência. Da mesma forma, a resposta para a pergunta “você conhece o ar que respira?” parece simples e objetiva.

Desde cedo, somos ensinados que o ar atmosférico possui 78% do gás nitrogênio, 21% do gás oxigênio e o 1% restante é uma mistura de muitos outros gases em quantidades muito pequenas.

Embora seja o oxigênio que permita o processo de respiração, são as outras substâncias presentes no ar atmosférico que permitem que a vida do ser humano e do planeta seja da maneira que conhecemos.

Se olharmos para a atmosfera com um pouco mais de cuidado, vamos perceber que existem centenas (ou até milhares) de tipos de reações químicas acontecendo o tempo todo que resultam em processos que nem imaginamos.

Sabiam que a formação das nuvens de chuva só é possível por causa de reações gasosas que resultam em pequenas partículas que irão ser nucleadas pelo vapor de água? Ou que a temperatura do planeta pode ser controlada por meio de um ciclo de reações que começam com a “respiração” de algas marinhas?

É importante deixar claro que a presença de compostos químicos na atmosfera é algo essencial para o planeta. Porém, quando a quantidade de alguns desses compostos começa a aumentar — seja por processos naturais ou induzidos pelo homem —  podemos começar a ter problemas.

As substâncias químicas gasosas que são nocivas à saúde, vegetação ou materiais, em função da sua quantidade, são denominadas de poluentes atmosféricos. Um exemplo de poluente é o gás ozônio. Ele é um importante elemento da estratosfera, pois é responsável por filtrar raios solares ultravioletas que são nocivos ao homem.

Ele também é constantemente produzido na troposfera, onde atua como um “detergente”, reagindo com vários outros gases. Porém, se estiver presente em excesso, pode se tornar severamente nocivo aos homens, gerando problemas respiratórios graves à vegetação e a diversos tipos de materiais, como borracha e corantes.

Para realmente respondermos corretamente que conhecemos o ar que respiramos, é preciso medir a quantidade das principais substâncias que estão lá presentes. E é aí que falhamos.

Poucas cidades possuem estações de monitoramento da qualidade do ar. Portanto, a maioria de nós não tem ideia do ar que respira!! Os motivos para isso são vários: alto custo dos equipamentos, falta de iniciativa e pouco entendimento da gravidade do problema.

Nesse contexto, nosso grupo de pesquisa (Laboratório de Miniaturização e Sensores - LaMiNS) — localizado no Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) — em parceria com a professora Samara Carbone, do Instituto de Ciências Agrária (Iciag/UFU), propôs uma metodologia simples e de baixo custo para o monitoramento do gás ozônio na cidade de Uberlândia.

A estratégia envolveu o posicionamento de medidores de ozônio em quatro pontos estratégicos da cidade, em dias diferentes, por oito meses. A ideia principal era iniciar um projeto de estimativa da concentração desse poluente e como a sua concentração variava em função da localização e das estações do ano.

Concentrações próximas à máxima estabelecida pelas agências nacionais e internacionais (75 partes por bilhão) foram encontradas em alguns dias, indicando que podemos estar próximos de episódios de queda da qualidade do ar.

Esse trabalho gerou uma dissertação, defendida em janeiro de 2023, pela discente Danielle da Silva Sousa com o título “Desenvolvimento de instrumentos de baixo custo e aplicação de métodos analíticos para monitoramento de poluentes atmosféricos em Uberlândia-MG”, do Programa de Pós-graduação em Química (PPGQUI). 

Após esse primeiro projeto, nosso grupo irá continuar com o monitoramento de ozônio por tempos mais longos, buscando entender a dinâmica desse poluente e como as atividades humanas na região influenciam na sua concentração na atmosfera de Uberlândia. Outros poluentes importantes também serão investigados. É de nosso interesse responder corretamente à pergunta “você (realmente) conhece o ar que respira?”.

 

*João Flávio da Silveira Petruci é bacharel em Química Tecnológica e doutor em Química Analítica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Desde 2018 é professor do Instituto de Química/UFU.

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

Palavras-chave: Ozônio poluição Química ar dissertação

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