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Ciência

Tradição e representatividade: aluna da UFU investiga por que mulheres praticam Capoeira Angola

Estudo recebeu sete relatos de capoeiristas e foi apresentado em evento internacional

Publicado em 02/02/2023 às 16:50 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:38

A autora da pesquisa, Sandy Prata, também é capoeirista. (Foto: Acervo pessoal)

A capoeira vai além de um “jogo”. É o que defende a estudante Sandy Prata, do curso de Educação Física da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ela se dedicou a estudar quais são os motivos que levam o público feminino a praticar Capoeira Angola, um segmento dessa manifestação cultural que também é considerada esporte, desde 2016, pelo Ministério do Esporte.

Prata expõe a situação na qual a mulher que se entregava a essa modalidade era vista como “valentona e briguenta”, enquanto os homens eram considerados “fortes e destemidos”. 

Frente a um cenário machista, o estudo mostra que, atualmente, a presença e a permanência feminina contribuem para a desconstrução de representações que inferiorizam esse público. 

A pesquisa, que foi elaborada em dois anos por meio de uma iniciação científica, sob a orientação do professor Vagner Matias do Prado, da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (Faefi/UFU), recebeu o relato de sete mulheres com idade entre 20 e 45 anos, sendo a maioria não branca.

Todas as participantes atuam na militância contra o machismo, o sexismo, os estereótipos sobre seus corpos e as diversas violências existentes no dia a dia. Prata explica que esses posicionamentos frente aos desafios de gênero são importantes para refletir, questionar e se posicionar contra as diversas violências contra as mulheres no campo da educação física e esportes no Brasil.

Sandy Prata destaca que cada grupo e região tem a sua didática e forma de pensar a capoeira. (Foto: Acervo pessoal)

Tradição e representatividade

Alguns dos motivos pelos quais as mulheres que participaram da pesquisa permanecem na prática da capoeira, de acordo com os resultados do estudo, são os sentidos e significados que as tradições construídas por ancestrais despertam. Isso significa que elas se sentem bem-vindas em determinado grupo.

“Acredito que falar sobre Capoeira Angola é muito importante e muito difícil; falar sobre mulheres, então, é mais difícil ainda. Mas, algo que eu possa pontuar, nesse sentido, é ouvir e perceber o quanto a capoeira é uma ferramenta para a construção de um corpo e uma identidade”, ressalta Prata. 

Outros motivos giram em torno da representatividade que incentiva cada vez mais o público feminino - composto por diferentes corpos - a fazer parte dessa expressão cultural. 

Os relatos registraram sentimentos de dificuldades pelo fato de serem mulheres, como a ânsia pela liberdade política e/ou religiosa, dentre os demais aspectos que constituem a comunidade capoeirista.

“Muitas delas falaram que, após iniciar a prática da Capoeira Angola, começaram a gingar na vida e ver o mundo de cabeça para baixo, assim como se faz no jogo de capoeira, ou seja, ver outros possíveis caminhos para andar ou resolver algo que seja necessário, mesmo que seja algo totalmente fora do contexto dessa cultura em seu cotidiano”, comenta Prata.

Prata decidiu elaborar a sua pesquisa a partir do questionamento: por qual motivo eu permaneço dentro da prática da Capoeira Angola? (Foto: Acervo pessoal)

Apresentação

O trabalho, que é fruto da iniciação científica de Prata, foi apresentado na modalidade acadêmico da Federação Internacional do Esporte Universitário (Fisu), um evento esportivo e educacional que aconteceu em dezembro de 2022, na Costa Rica.

Fisu promove a interação e troca de experiência entre alunos de diferentes nacionalidades. (Foto: Acervo pessoal)

A estudante revela que essa viagem é um diferencial para o seu currículo: “Como uma futura profissional, sair de ‘casa’, que nesse caso estou falando da UFU, para vivenciar outros espaços, foi um marco muito especial para meu corpo, me fazendo abrir a mente para outras formas de pensar e resolver algumas questões que poderia melhorar sobre determinados assuntos, assim como o exemplo que falei da temática sobre equidade de gênero.”

Prata garantiu a sua vaga no Fisu porque ela e o seu colega de curso, Vinícius Eduardo, são os ganhadores da modalidade acadêmico em dupla dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), promovidos pela Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). Ela também é vice-campeã da modalidade acadêmico individual. A UFU conquistou nove medalhas neste evento.

Em coautoria com o estudante Vinícius Eduardo, o trabalho de Prata que discutiu educação financeira para atletas recebeu medalha de ouro. Ela também foi vice-campeã com a sua pesquisa sobre mulheres e Capoeira Angola. (Foto: CBDU)

 

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Palavras-chave: CBDU Fisu JUBs capoeira Capoeira Angola Educação Física

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