Pular para o conteúdo principal
CIÊNCIA

Astrônomos brasileiros elaboram projeto para mapear o céu

Docente da UFU integra equipe que revelará novas perspectivas sobre o universo

Publicado em 07/06/2024 às 13:21 - Atualizado em 07/06/2024 às 16:08

Vera C. Rubin Observatory, em meio ao deserto do Atacama, no Chile. (Imagem: Rubin Observatory)

O Observatório Vera C. Rubin, construído no Cerro Pachón, Chile, iniciará sua operação em 2026 com o projeto Legacy Survey of Space and Time (LSST). O objetivo é produzir o maior e mais completo mapa do Universo, com 37 bilhões de estrelas e galáxias, ao longo de dez anos. De acordo com o Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA), para que isso aconteça, serão capturadas imagens em alta resolução sobre uma grande área do céu. Em paralelo, será produzido o equivalente a um filme do cosmo, captando explosões e variabilidades de brilho e posições dos objetos.

Cientistas de 28 países colaboram com o projeto LSST. Entre os escolhidos para representar o Brasil, participam da iniciativa pouco mais de 100 pesquisadores, sendo um deles Altair Ramos Gomes Júnior, docente do Instituto de Física da Universidade Federal de Uberlândia (Infis/UFU)

O telescópio montado no observatório Vera C. Rubin conta com a maior câmera digital do mundo, com resolução de 3,2 gigapixels e lente de 1,57 metro de diâmetro. Recém-instalada, a peça é considerada a maior câmera digital projetada para fins astronômicos e promete captar visitantes interestelares que transitam pelo Sistema Solar. A escolha do Atacama para abrigar a estrutura foi pensada para favorecer a observação. O docente da UFU explica que lá o céu é chamado de céu fotométrico, pois possuem poucas nuvens ao longo do ano.

Imagem mostra a câmera que compõe o telescópio no observatório Vera C. Rubin
A peça tem tamanho parecido com o de um carro de quatro lugares e pesa mais de três toneladas. (Foto: Rubin Observatory)

“Todo objeto que ele conseguir observar que se mova de uma imagem para outra, ou de uma noite para outra, vai gerar alertas. E esses alertas vão ser utilizados pelos pesquisadores para correr atrás de novas observações e ver se esse objeto é de interesse para outros estudos”, detalha Gomes Junior.

Altair Gomes Júnior é docente do Instituto de Física da UFU
Altair Gomes Júnior, do Instituto de Física, se dedica aos estudos de objetos do sistema solar por meio de ocultações estelares. (Foto: Milton Santos)

O pesquisador comenta que a previsão é que a varredura seja feita pelos próximos dez anos, acumulando cerca de 20 petabytes de dados. Tendo em vista que petabyte (PB) é uma das maiores unidades de medição de dados digitais, os resultados serão analisados ainda por vários anos. Dessa forma, a exploração do sistema solar pelos cientistas visa estudar a estrutura da galáxia, sondar a formação e a evolução de estruturas no Universo em função do tempo cósmico e entender a natureza da matéria e energia escura. 

“Um resultado que se espera com o LSST é que ele vai aumentar o número de asteroides conhecidos cerca de dez vezes. Hoje, conhecemos na ordem de 1 milhão e, no final desses dez anos, espera-se ter 10 milhões de asteroides conhecidos”, exemplifica o pesquisador. A identificação de asteroides que podem colidir com a terra é um dos interesses dos pesquisadores, visto que isso viabiliza o alerta acerca de um perigo.

Desde 2015, o LIneA tem viabilizado a participação do Brasil nesse projeto, e atualmente trabalha na implantação de um centro de dados, o Independent Data Access Center (IDAC – Brasil), para que dados e imagens fornecidos pelo LSST sejam armazenados. Além disso, irá operar na distribuição do acesso às ferramentas de análise, fornecendo treinamento da comunidade brasileira e colaboração na geração de produtos científicos avançados.

O pesquisador conta com alguns alunos nesse projeto. Para Gomes Júnior, a participação deles viabiliza o trabalho em equipe para analisar as características dos objetos sob alerta. É o caso, por exemplo, de observar se são mais rochosos, ou ferrosos, dentre outras observações. 

O telescópio do Vera C. Rubin Observatory ainda não está em pleno funcionamento. Com a recém-chegada da câmera, a previsão é que a partir do final de 2024 ele inicie as atividades. O LSST prevê ainda que sejam elaborados projetos de divulgação científica e materiais didáticos direcionados para crianças e adolescentes, como o ciência cidadã, e algo voltado para a caça de asteroides.

 

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.

 

Palavras-chave: Mapeamento do céu Vera C. Rubin Observatory Astronomia Legacy Survey of Space and Time

A11y