Por: Túlio Daniel
Publicado em 24/03/2025 às 11:33 - Atualizado em
25/03/2025 às
11:26
No último sábado (22), 12 crianças visitaram o Laboratório de Biotecnologia em Modelos Experimentais da Universidade Federal de Uberlândia (Labme/UFU). A iniciativa faz parte do projeto Pequenos Cientistas, criado pelos próprios pesquisadores, que busca apresentar a Ciência em Animais de Laboratório para crianças. O trabalho faz parte da Rede Mineira de Biotecnologia em Modelos Experimentais, que é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), com apoio das empresas Alesco e AnimalPro.
Inicialmente, os integrantes fizeram uma breve apresentação sobre alguns conceitos primários, como o que é a pesquisa científica e por que fazê-la. Milene Ferreira, aluna de Medicina Veterinária na UFU que desenvolve Iniciação Científica no laboratório, fala sobre o desafio de adaptar a linguagem para as crianças: “A criança é mais visual, então não adianta montar um slide cheio de palavras que ela não vai entender. Você precisa chamar atenção e usar palavras mais fáceis. Ao invés de falarmos, por exemplo, que o enriquecimento ambiental é uma técnica para diminuir o estresse dos animais, falamos que alguns brinquedos deixam eles mais felizes. Para isso, propomos uma atividade em que as próprias crianças criaram esses ‘brinquedos’”.
O grupo também fez uma visita guiada dentro da estrutura do laboratório para conhecer os equipamentos e os animais utilizados nas pesquisas. “Como estamos acostumados com a fala científica, conversar com os pares é mais fácil. Transformar essa fala para conversar com a sociedade já é difícil, com as crianças é ainda mais. Aqui dentro do laboratório, eles queriam pegar os animais, por exemplo, e é algo que não pode, então é conseguir explicar da melhor forma o porquê não pode e a importância dos nossos estudos”, descreve Flávia Batista, pós-doutoranda do laboratório que está criando um banco de embriões de camundongos.
“A divulgação científica tem sido bastante discutida nos últimos tempos e não resta dúvidas de como precisamos mostrar e apresentar para a comunidade o que a gente faz e pesquisa dentro da universidade. Em específico, sobre animais de laboratório, sempre foi um tabu e sempre gerou muita preocupação e movimentos contrários à utilização. O que a gente quer mostrar é justamente o contrário, que os animais são necessários e que há um investimento muito alto na instituição para que eles tenham um bem-estar e sejam utilizados dentro dos protocolos internacionais”, explica Murilo Vieira, coordenador do laboratório e diretor técnico-científico da Rede de Biotérios de Roedores (Rebir/UFU).
A ideia é que as crianças cresçam vendo a importância e o uso ético dos animais, para evitar a desinformação sobre o tema e possibilitar questionamentos mais adequados. “Quando se fala em ser cientista no nosso país, não vemos como uma profissão. Então, as crianças crescerem vendo que somos pessoas normais, desperta interesse e faz com que, futuramente, tenhamos mais cientistas no nosso país”, completa Vieira.
Essa é a primeira edição do projeto e contou com crianças próximas do ciclo social dos pesquisadores. A ideia é formalizar o projeto de forma extensionista ou através de editais de financiamento, para que as próximas edições sejam feitas com alunos das escolas públicas da região.
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