Publicado em 29/12/2025 às 14:27 - Atualizado em 29/12/2025 às 15:22
Um trabalho interdisciplinar desenvolvido pela turma do primeiro ano do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (Faced/UFU), articulado a partir da leitura e discussão da obra Torto Arado (2019), de Itamar Vieira Junior, promoveu um encontro formativo entre os discentes da UFU e a comunidade do Quilombo da Corte, localizado no município de Varjão de Minas (Minas Gerais). A visita à comunidade aconteceu no dia 13 de dezembro e foi marcada por diálogos interculturais, trocas de saberes e experiências educativas construídas coletivamente, fortalecendo a articulação entre universidade e comunidade quilombola.
“Foi a partir da narrativa literária e das reflexões por ela suscitadas que se estabeleceu o contato com Raquel Lopes e Isabel Lopes, ambas doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFU e integrantes da comunidade quilombola do Quilombo da Corte. Desde os primeiros diálogos, destacou-se a disponibilidade, a abertura e o compromisso das interlocutoras com a construção de uma experiência formativa pautada no respeito, na escuta e na troca de saberes, mediando o contato com a comunidade e viabilizando a realização do encontro entre estudantes, docentes e moradores/as do quilombo”, explica a professora da disciplina Leonice Matilde Richter.
O Quilombo da Corte, oficialmente reconhecido em 2017, é um território de memória, história e cultura viva que consideramos fundamental preservar, valorizar e socializar. A visita permitiu aos envolvidos conhecer o processo de sua constituição e reconhecimento, configurando-se como um percurso formativo singular tanto para os estudantes do curso de Pedagogia quanto para os docentes.
“Tal como sugere a narrativa de Torto Arado, compreendemos que, nas linhas da vida cotidiana, inscrevem-se sentidos profundos que se revelam nas entrelinhas. A experiência vivenciada no Quilombo da Corte deixou marcas significativas, expressas em relatos que são, ao mesmo tempo, pessoais e coletivos, e que evidenciam a potência formativa dos encontros”, destaca Richter .
Dentre os moradores do Quilombo da Corte, Richter destaca algumas histórias e agradece a participação de importantes nomes da comunidade. “À senhora Maria Pimenta Lopes, conhecida popularmente como Abadia, que compartilhou sua trajetória como professora alfabetizadora da comunidade, tendo sido responsável, ao longo de muitos anos, pela alfabetização das crianças do quilombo. Em contextos marcados pela escassez de recursos materiais, reinventou práticas pedagógicas e instrumentos de alfabetização, demonstrando criatividade, compromisso ético e profundo vínculo com a educação das crianças da comunidade. Abadia também desempenhou papel fundamental na coleta de informações que subsidiaram o relatório responsável pela Certificação da Comunidade como Remanescente Quilombola. Agradecemos, igualmente, as histórias, os conhecimentos e os saberes partilhados por Julina Rita da Fonseca (Dona Julina), cantineira da antiga Escola Municipal Francisco Borges, localizada no Quilombo da Corte; José Geraldo Lopes (Zé da Corte), presidente da Associação Quilombola da Corte; Tânia Maria (Taninha), benzedeira e figura atuante na fundação da Associação Quilombola da Corte e da Mini Fábrica de Biscoitos Quilombolas; Armelinda Mariana (Ti Milinda), uma das pessoas mais velhas da comunidade ainda viva; Taís Cristina Rosa da Costa, tesoureira da Associação Quilombola da Corte; Dulcineia da Silva (Dulce), participante do processo de fundação da Fábrica de Biscoitos Quilombolas; e Maicon Miranda, idealizador e professor de capoeira para as crianças e adolescentes do Quilombo da Corte. Estendemos nossos agradecimentos a todas as pessoas que prepararam e partilharam a culinária da comunidade, em especial Taís Cristina Rosa, Maria Marta da Fonseca (Martinha), Aline, bem como aos demais membros da comunidade que compõem a Associação Quilombola da Corte”, agradece a professora.
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Palavras-chave: extensão visita quilombo FACED
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