Publicado em 01/12/2025 às 15:44 - Atualizado em 08/12/2025 às 11:06
A 10ª Semana da Química e o 12º Workshop da Pós-Graduação em Química da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) chegaram ao fim na última sexta-feira (28), encerrando cinco dias de palestras, apresentações de trabalhos, mesas-redondas, gincana acadêmica e atividades de divulgação científica no Campus Santa Mônica. A edição deste ano foi marcada pela presença de escolas e da integração entre estudantes da graduação e pós-graduação, além de um amplo debate sobre o uso da inteligência artificial e seus impactos no ensino, na pesquisa e na vida cotidiana.
o coordenador do evento, professor Moacyr Comar, fez um balanço positivo desta edição. “O evento alcançou sim o objetivo”, afirmou. Segundo ele, embora a expectativa fosse sempre por maior participação estudantil, as metas foram atingidas. “Hoje [último dia de evento], por exemplo, temos alunos de escolas de ensino médio aqui de Uberlândia, e isso é uma grande conquista. No ano passado foi um piloto, este ano tivemos mais alunos, e esperamos ainda mais para o próximo ano”, comentou.
O eixo temático deste ano abordou um tema atual: o uso da inteligência artificial na graduação e na pós-graduação. Comar explica que a discussão envolveu desde aspectos técnicos até impactos psicológicos provocados pela superexposição nas redes sociais.“ Tentamos mostrar ao corpo discente e docente como usar essas ferramentas para incrementar o ensino e a pesquisa”, destaca.
A programação teve boas adesões e Comar afirma que quem participou “viu, veio e gostou”. Uma das novidades foi a gincana científica, na qual grupos de alunos resolveram desafios usando ferramentas de inteligência artificial. “Foi bem legal, mudou a dinâmica da Semana”, disse o coordenador.
A professora Sheila Cristina Canobre, responsável pelo workshop deste ano, destacou que o evento foi conduzido pelo Núcleo de Físico-química. Segundo a docente, o foco temático foi a eletroquímica, abordada em diferentes aplicações. “Foram convidados pesquisadores da UFF [Universidade Federal Fluminense], de Joinville e outros especialistas que trabalham com corrosão, tratamento de superfícies e processos de eletrólise”, explicou.
O workshop contou ainda com apresentação de pôsteres e seleção de 10 trabalhos para apresentações orais.“ Apesar de ser um workshop da pós, abrimos espaço para alunos da graduação, porque eles são potenciais futuros pesquisadores”, afirmou Canobre.
De acordo com a organizadora, trazer o evento para o Centro de Convivência reforça o papel da extensão universitária.“É a oportunidade de mostrar o que fazemos dentro da universidade e permitir a troca com alunos de diferentes cursos”, finaliza.
Entre os trabalhos apresentados, a estudante Isah Bella França Alves Lima mostrou uma pesquisa sobre o velame branco, uma planta sul-americana conhecida por propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e hidratantes.
O problema, explica Isah, é que essas propriedades costumam ser extraídas da raiz, o que exige matar a planta. A pesquisa busca outra solução: “Estamos tentando usar a parte aérea, folhas, galhos, flores, para evitar que a planta seja destruída”.
Os resultados mostraram que outras substâncias, possivelmente ácidos graxos, são responsáveis pelos efeitos benéficos.
Para Lima, a UFU tem papel essencial na pesquisa: “Se não fosse a UFU, eu nem saberia usar um HPLC. A universidade abriu portas, inclusive para apresentar trabalhos em congressos”.
Outra apresentação que chamou atenção foi a de Marina de Oliveira, que investigou a química do cigarro eletrônico. Ela explica que o dispositivo surgiu como alternativa ao cigarro tradicional, mas rapidamente se popularizou entre jovens devido aos flavorizantes e à facilidade de uso. “Apesar de ter poucos ingredientes, eles interagem entre si e podem gerar substâncias tóxicas”, alertou Oliveira. Entre elas: metanol, acetaldeído, formaldeído, tolueno, benzeno e até metais pesados.
Questionada se o cigarro eletrônico pode ser pior que o tradicional, ela apresenta um panorama crítico: “O consenso ainda não existe, mas eu diria que o eletrônico pode ser mais perigoso, porque permite inalar muito mais nicotina sem o desconforto da fumaça. Isso aumenta o vício, especialmente entre jovens”.
A 10ª Semana da Química e o 12º Workshop reforçam o papel da UFU em formar pesquisadores, integrar áreas da ciência e aproximar a comunidade do conhecimento produzido na universidade. Foram dias de troca, descoberta e incentivo à pesquisa e, como disse o professor Comar, “com objetivos alcançados e portas abertas para o próximo ano”.
Confira, a seguir, a galeria de imagens dos eventos:
Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica.
Palavras-chave: instituto de química workshop semana pos graduação em quimica
Política de Cookies e Política de Privacidade
REDES SOCIAIS