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Institucional

'Com a pós eu retomei um sonho antigo de estudar aqui'

Conheça a história do padre Donavan Mata, ingressante no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFU

Publicado em 27/02/2026 às 09:56 - Atualizado em 02/03/2026 às 16:30

Foto: Milton Santos

 

Voltar a estudar às vezes é uma dúvida na vida de quem já passou  anos na faculdade, mas os programas de pós-graduação abrem um caminho diferente para aqueles que decidem encarar o desafio. De acordo com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Propp), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) tem 53 programas de pós-graduação entre mestrado (acadêmico e profissional) e doutorado. Um deles é o Programa de pós-graduação em Filosofia (Posfil), e um dos novos ingressantes  é Donavan Iury Silva da Mata.

De acordo com o próprio estudante, “Donavan é uma pessoa que busca constantemente conhecer a si mesmo para poder sentir-se bem e ajudar as pessoas”. Uberlandense de 27 anos, Mata foi em 2018 para Belo Horizonte cursar  seminário na Igreja Católica, a fim de se tornar padre e realizar seus estudos religiosos. Na capital mineira, formou-se em Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). “A Igreja insiste muito que nós façamos primeiro a Filosofia e depois a Teologia. A Filosofia ajuda a nossa abertura da mente e a Teologia sistematiza nas questões religiosas [...] depois eles deixam opcional para quem quiser enveredar em alguma área específica. Normalmente os padres seminaristas não gostam muito da Filosofia. Mas eu tenho um apreço”, explica Mata.

 

Mas como conciliar fé e ciência? 

Segundo o Padre, ciência e religião devem andar lado a lado, um complementando o outro, até mesmo para que seu trabalho possa ser realizado de forma mais clara para os fiéis da igreja. “Eu sempre tive essa sensibilidade de conciliar fé e razão. Por isso que eu até mesmo optei pela filosofia, porque é uma porta de entrada não religiosa, então eu consigo dialogar com os outros”, destaca. 

A graduação na capital mineira , mesmo que muito satisfatória, também foi um momento de muita pressão. Para o Padre, a faculdade, o sistema avaliativo e a pressão alheia podem causar diversos sintomas aos alunos, e Mata também foi um deles. “Existe um sofrimento psíquico muito grande. As pessoas se cobram muito, as outras pessoas colocam expectativas, vêm pressões, e no final do curso, o medo do mercado de trabalho”, comenta Mata.

Fora da igreja para relaxar, Donavan gosta de ler, seu livro favorito é “Introdução ao Filosofar” do professor Gerd Bornheim. E quando não está de batina, gosta de assistir séries. Sua favorita?, Stranger Things

Mas seu coração estava no Triângulo Mineiro. Mata voltou para Uberlândia em dezembro de 2024, agora padre formado, e ocupou desde então a posição na igreja católica, porém sempre pensando em voltar a estudar e relembrando o sonho antigo de frequentar a universidade: “Com a pós eu retomei esse sonho antigo de estudar aqui na UFU [...]. Eu acredito que a universidade é o coração pulsante da cidade, porque daqui nós temos a possibilidade de desenhar o futuro da cidade de Uberlândia e região como um todo. Porque o conhecimento tem a capacidade de alargar os horizontes, de transformar a realidade. Então eu acredito que investir na educação, na ciência e na pesquisa, é uma possibilidade de novos horizontes, mas não uma ciência por ela mesma, mas uma ciência pensando no serviço ao próximo”, explica Mata.

As aulas da pós-graduação em 2026 iniciam em março. Prestes a retomar a vida universitária, o medo também está de volta, mas agora com um ambiente totalmente distinto, por isso acredita que a nova experiência será boa e diferente da anterior. “Eu vou ter a oportunidade de estudar uma filosofia com várias pessoas de várias perspectivas, até mesmo sem religião, então eu acho que isso vai ser muito bom e interessante para mim”, conta Mata.

A pesquisa de mestrado de Mata abordará questões filosóficas sobre o “mal”, sua antologia e como o mal  leva pessoas a cometer grandes atrocidades, às vezes sem punição. Na pesquisa, Mata fará um paralelo entre Adolf Eichmann, um oficial nazista da II Guerra Mundial, e Maximiliano Kolbe, um padre preso e morto em Auschwitz: “A pergunta que se coloca é, por que que em um contexto assim, uma pessoa é capaz de matar e outra pessoa é capaz de morrer? Seria então a reflexão interior, essa capacidade de estar consigo mesmo e refletir as nossas ações, que nos impediria de fazer o mal?”, explica Mata.    

 

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