Publicado em 20/03/2026 às 17:13 - Atualizado em 20/03/2026 às 17:47
O Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais (CEPES), vinculado à Universidade Federal de Uberlândia (UFU), divulgou os indicadores econômicos do município referentes ao mês de fevereiro de 2026. Os dados apontam para um cenário misto no custo de vida local: enquanto o índice geral de inflação apresentou aceleração, o valor médio da cesta básica de alimentos registrou um leve recuo.
O Índice de Preços ao Consumidor de Uberlândia (IPC-CEPES) fechou o mês de fevereiro com alta de 0,52%, um avanço em relação aos 0,24% registrados em janeiro. Com esse resultado, a inflação acumulada no ano atinge 0,76%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses situa-se em 2,80%.
O principal vetor desse aumento foi o grupo Habitação, que registrou um salto de 2,89%. Este resultado foi fortemente influenciado pelo reajuste no item "Aluguel e taxas" (+4,92%) e pelo aumento na "Energia elétrica residencial" (+1,93%). Outros setores que exerceram pressão sobre o orçamento foram Despesas Pessoais (+1,97%) e Vestuário (+1,69%).
Por outro lado, o avanço da inflação foi contido pelo comportamento do grupo Alimentação e bebidas, que apresentou deflação de -0,67%. A queda foi puxada, sobretudo, pela redução nos preços das frutas (-8,50%) e do leite e seus derivados (-3,86%). O grupo de Saúde e cuidados pessoais também auxiliou na contenção do índice, com recuo de -0,52%.
O gráfico a seguir ilustra a trajetória contrastante entre a inflação geral do município e o custo dos alimentos essenciais no último ano.
Acompanhando o recuo no grupo de alimentação do IPC, a Cesta Básica de Alimentos de Uberlândia apresentou uma queda de -0,64% em fevereiro, passando a custar R$ 704,59. No acumulado de 12 meses, o indicador apresenta uma redução significativa de -3,76%.
Dos 13 produtos que compõem a cesta, 10 registraram baixa nos preços. Os destaques positivos para o consumidor foram a banana (-13,79%) e o leite (-5,06%). Em contrapartida, o feijão registrou a maior alta do período, com uma elevação de 17,85% em seu preço médio. A carne bovina, que sofreu um leve reajuste de 1,67%, continua sendo o item de maior impacto financeiro, comprometendo quase 40% do valor total da cesta (R$ 273,20).
O relatório do CEPES também dimensiona o impacto desses custos no orçamento do trabalhador. Em fevereiro de 2026, a aquisição da cesta básica comprometeu cerca de 43% do salário mínimo oficial líquido (R$ 1.621,00). Para garantir a alimentação básica, um trabalhador remunerado pelo piso nacional precisou dedicar 95 horas e 38 minutos de sua jornada mensal.
A partir da metodologia do DIEESE, o CEPES calcula ainda o Salário Mínimo Necessário — o valor estimado para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte e lazer. Em fevereiro, este montante foi estimado em R$ 5.919,24. O levantamento evidencia que o salário mínimo oficial vigente atende a apenas 27,39% das necessidades básicas reais da população.Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.
Palavras-chave: IPC-CEPES inflação salário mínimo
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