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Acessibilidade

Uberlândia sedia encontro nacional sobre inovações em Tecnologia Assistiva à indústria

Evento, que conecta indústria e poder público, aconteceu na Arena Sabiazinho

Publicado em 23/03/2026 às 14:04 - Atualizado em 23/03/2026 às 15:21

O Sisconc.Ta contou com a participação de projetos de todo o país (Foto: Milton Santos)

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a cidade de Uberlândia deram um passo histórico para o Brasil no fomento à autonomia de pessoas com deficiência e idosos. Nessa sexta-feira e sábado (20 e 21/3) , a Arena Sabiazinho sediou o Sisconec.TA 2026. Mais do que um encontro técnico, o evento marcou a consolidação da Rede SisAssistiva, como um motor de desenvolvimento econômico e de transformação social para o país.

A proposta central da iniciativa é promover a transferência de tecnologias desenvolvidas nas universidades para o setor produtivo. A programação reuniu 26 projetos de pesquisa de diferentes regiões do Brasil. O evento integra um ecossistema que inclui representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), unidades Embrapii, startups, indústrias e usuários finais. 

O evento iniciou com a mesa de abertura composta por membros dos poderes municipal, estadual e nacional. Entre os membros da mesa estavam o reitor da UFU Carlos Henrique de Carvalho, a vice-reitora Catarina Azeredo, o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) Inácio Arruda, a Secretária Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência Isadora Rodrigues Nascimento, o coordenador geral do Centro Brasileiro de Referência em Inovações Tecnológicas para Esportes Paralímpicos (Cintesp.Br), Cleudmar Araújo, o deputado estadual Eslimar Prado, a deputada federal Dandara Tonantzin, o prefeito de Uberlândia Paulo Sérgio, entre outras autoridades. 

O evento contou com mais de 30 oficinas e painéis envolvendo sociedade, secretarias de educação, esporte e social da região. O Sisconec.TA é desenvolvido com pesquisadores de diversos estados do país, discutindo inovação, apresentando novidades patenteadas e interagindo com a sociedade para estimular a indústria a fabricar os equipamentos e dispositivos que melhorem a qualidade de vida, ajudando na saúde, educação, esporte e lazer. O evento contou com painéis que debateram a pesquisa e inovação nas empresas brasileiras, além de seus desafios de inclusão socioprodutiva. 

Mesa de abertura
Autoridades do governo federal manisfestaram o objetivo do governo de tornar as tecnologias assistivas cada vez mais acessiveis (Foto: Milton Santos)

De acordo com o coordenador do Citesp, Cleudmar Araújo, o Brasil ainda enfrenta dificuldades no desenvolvimento de tecnologias assistivas e  depende fortemente do mercado externo. “Todos que atuam nessa área, nesse segmento, sabem muito bem o desafio que temos pela frente. Ao mesmo tempo, nós temos um enorme potencial, pesquisadores brilhantes de ciências e associações, aqui do Brasil. Então, o que historicamente nos faltou não foi conhecimento, mas integração, escala, e desenvolvimento de um planejamento estratégico. Portanto, é exatamente nesse ponto que nós precisamos de um movimento histórico”, declarou o coordenador.

Na missão de combater esses desafios e desenvolver tecnologias assistivas, o MCTI abriu editais que alcançaram todas as regiões do Brasil. Ao todo, foram distribuídos 72 milhões de reais, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (EPNDCT),  a 28 projetos espalhados pelo país.

O  Secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedes/MCTI), Inácio Arruda, explica que o investimento nessas tecnologias abrem caminhos para o desenvolvimento social, de uma importante parcela da população: “Com esse investimento em tecnologia você abre o caminho para os investimentos na produção. Então, você vai ligando pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, inovação e negócios. Porque isso é uma parte ainda significativa dos equipamentos, dos instrumentos que você precisa para garantir que as pessoas, que têm algum tipo de deficiência, participem ativamente da vida política, econômica, social, esportiva, cultural. Para que ele participe, você tem que desenvolver essa tecnologia e fazer inovação, mas você tem que adquirir o produto. Então, à medida que nós temos essas competências todas no Brasil, nós temos o potencial de ter as indústrias, ter as empresas, que garantem que o produto seja produzido aqui mesmo no Brasil”, declarou o secretário. 

De acordo com o secretário, o município vira ponto importante e estratégico para a transformação da tecnologia assistiva. “Uberlândia vai se transformando no centro dessa atividade no Brasil. Nós vamos investindo em Uberlândia e isso é muito significativo porque você distribui um pouco aquela concentração gigantesca que nós temos nas capitais. Isso é muito importante para o país”, continuou Arruda.

Essa conquista é comemorada pelos gestores da cidade. O prefeito Paulo Sérgio destacou que a cidade tem o objetivo de ser referência na questão de acessibilidade e tecnologias assistivas, e que as parcerias junto ao governo federal e a UFU trazem para cidade o desenvolvimento pretendido “Para Uberlândia é extremamente importante este evento aqui. Primeiro, porque nós estamos junto com a Universidade, que faz toda a parte de ciência, pesquisa e tecnologia da nossa região, nisso a UFU sempre liderou. E ter o Cintesp aqui dentro do Sabiazinho, em parceria com a Futel, com a Prefeitura de Uberlândia, foi um avanço muito importante e mostra que dá certo. Porque nós temos muitos para-atletas, muitas pessoas que saíram de Uberlândia, estão extremamente bem-sucedidos no Brasil e no mundo, graças a muitas coisas que foram produzidas aqui”, retirou o prefeito.  

Após a abertura oficial do evento, foi feito o lançamento de duas pedras fundamentais. A primeira da “Praça da Ciência Socioeducativa Parque do Sabiá”, um projeto do Cintesp.Br, com apoio da Futel, Sedes/Mcti e Finep. A segunda foi a do “Polo.TA – Polo Nacional de Inovação e Manufatura Avançada de Produtos Assistivos”, projeto do Cintesp.Br/Ufu, com apoio da Sedes/Mcti, Finep e Prefeitura de Uberlândia, localizado no Campus Glória da UFU.

 

Autoridades assinando o projeto da pedra fundamental
Lançamento das predras fundamentais dos polos tecnológicos é resultado de articulação de mais de 15 anos

Sobre o novo projeto no Campus Glória, o reitor da UFU, Carlos Henrique de Carvalho, argumenta que o polo é um grande centro de certificação de tecnologias assistivas, e que a UFU está dando um passo a mais, no aperfeiçoamento do que é desenvolvido há anos na universidade: “O investimento inicial para que nós vamos hoje lançar com a pedra fundamental no Glória está orçado na ordem de R$11 milhões na primeira fase. São três fases. Hoje nós estamos lançando a Pedra Fundamental, esses recursos já estão disponíveis para o início das obras. Eu espero que nos próximos meses tenha o processo licitatório, concluído esse processo licitatório, nós possamos iniciar essa primeira fase. A segunda e a terceira fases são em torno de R$15 milhões, cada uma. Então, nós estamos falando aí na ordem de R$40 milhões aproximadamente” , declarou o reitor. 

De acordo com Inácio Arruda, o desejo da Sedes é que os editais de financiamento de tecnologias assistivas sejam contínuos, porém não tem sido possível. Este é o segundo grande edital que a secretaria realiza, e um terceiro já está sendo preparado, ainda para este ano: “Assim, o nosso desejo é que esses editais, nessa área, fossem de fluxo contínuo, que você não tivesse nenhuma interrupção. Mas nós temos feito os editais e eles têm tido interrupções. Então, nós tivemos o primeiro, agora estamos no segundo grande edital, e estamos desenhando já o nosso terceiro edital. A gente examina quais são as áreas que no primeiro edital ficaram de fora”, declarou o secretário.    

 

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A programação reunirá 26 projetos de pesquisa de diferentes regiões do Brasil com viabilidade de mercado.

Palavras-chave: acessibilidade governo federal prefeitura transformação

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