Publicado em 21/09/2026 às 12:49 - Atualizado em 22/09/2026 às 15:27
A XXVII Jornada da Engenharia Química (JORNEQ) e a VII Semana da Pós-Graduação em Engenharia Química tiveram início nesta segunda-feira (21/9), no auditório do bloco 3Q, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A abertura reuniu estudantes, professores, pesquisadores e representantes da comunidade acadêmica para discutir os desafios e as possibilidades de atuação na Engenharia Química.
Um dos destaques da abertura foi a importância da aproximação entre estudantes da graduação e pós-graduação. Para a professora e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química, Miriam de Resende, essa integração permite que os estudantes tenham contato com diferentes experiências de pesquisa, desde a graduação, as possibilidades oferecidas pela pós-graduação. “Um aluno de graduação, quando trabalha junto com um aluno da pós, só tem ganho. Ao invés de estar sozinho, por exemplo, num laboratório, numa pesquisa, eles têm essa troca de conhecimento.”
Segundo a professora, a convivência também pode contribuir para que os graduandos compreendam a pós-graduação como uma possibilidade mais próxima de sua trajetória acadêmica. "Eles começam a ver diferente, que a pós não é uma coisa tão absurda, que não é realmente distante também. Fazer uma pós graduação é um conhecimento, um ganho que eles têm”, destacou.
Com o tema “Onde moléculas ganham propósito e mentes transformam ideias em soluções”, a edição deste ano busca destacar a relação entre conhecimento, transformação e aplicação. Professor e tutor do PET da Engenharia Química, Danylo de Oliveira explica que a escolha está relacionada à própria característica da área: "A Engenharia Química, como costumamos dizer, é a engenharia da transformação. E dentro dessa transformação, nós temos exatamente a alteração de matérias-primas em produtos de alto valor, e a gente precisa de pessoas, de mentes trabalhando nessas transformações", explicou.
A expectativa é de que a programação contribua para aproximar os estudantes do mercado de trabalho e de diferentes possibilidades profissionais. A estudante do 8º período, do curso de Engenharia Química, Jezzyne de Lima, que participou da organização da JORNEQ, destaca que o evento permite conhecer profissionais que já atuam na área. “É fundamental ter isso aqui, porque a gente trabalha desde o networking, conhecer pessoas que já estão dentro da indústria, trabalhando nesse meio, até o conhecimento mesmo das habilidades e das atividades que essas pessoas desenvolvem lá fora”, afirmou.
A palestra que abriu oficialmente as atividades da JORNEQ foi ministrada pela professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora da área de Engenharias II, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Verônica Calado, com o tema “Desafios da Pós-Graduação”.
Durante a apresentação, Verônica abordou questões relacionadas à formação de pesquisadores e à necessidade de aproximar a produção científica dos problemas e demandas da sociedade. Em entrevista, ela destacou que a relação tradicional entre Engenharia Química e indústria vem sendo acompanhada por uma preocupação, cada vez maior, com os impactos da pesquisa. “É essa questão da preocupação com o impacto com a sociedade, de você fazer uma pesquisa, que tem uma aplicação mais direta, isso está mudando.”
Para a professora, essa mudança também exige que os pesquisadores reflitam sobre as razões que orientam seus estudos. Em vez de desenvolver uma pesquisa, apenas a partir de um interesse individual, ela defende que os pesquisadores também considerem as necessidades existentes.
A reflexão sobre o impacto da pesquisa também esteve relacionada à formação de profissionais capazes de questionar os efeitos de seu próprio trabalho. Segundo Verônica, a qualidade de uma pesquisa não deve ser considerada apenas a partir de sua publicação ou repercussão acadêmica. “Não adianta você fazer uma pesquisa maravilhosa, que dê um trabalho que vai ser publicado numa revista de impacto, se você disser assim: o que foi que esse trabalho ajudou? Qual foi o impacto que isso causou? Eu mudei, o meu trabalho mudou o que existia antes? Ele fez a diferença?”
Além de participar da abertura desta edição, Verônica acompanha a trajetória da JORNEQ desde as primeiras edições. Para ela, a jornada representa uma oportunidade para que os estudantes interrompam a rotina acadêmica e reflitam sobre sua própria formação. “Você tem uma oportunidade de parar e discutir coisas, de refletir. Porque senão você fica só naquele dia a dia, ‘vou estudar para a prova, vou fazer aquilo’. Você não para como estudante para se perguntar o seu papel no curso, o seu papel na sua própria formação.”
Ao falar sobre os estudantes que estão concluindo a graduação, Verônica deixa uma mensagem: “Conhecimento é tudo. Você ter o domínio do conhecimento é algo que empodera.”
Para ela, a formação técnica está diretamente relacionada à confiança para exercer a profissão. “Você dá confiança. E você sabe que vai ser um excelente profissional se você tem o conhecimento daquilo que você está fazendo, que está falando”, afirmou.
A XXVII JORNEQ e a VII Semana da Pós-Graduação em Engenharia Química continuam ao longo dos próximos cinco dias, com palestras, debates e outras atividades voltadas à formação acadêmica e profissional dos participantes.
A programação completa pode ser consultada no site.
Palavras-chave: Engenharia Química palestra pós graduação graduação
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