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08/02/2018 - 16:27 - Atualizado em 29/06/2018 - 16:41
Há 19 anos, grupo da UFU pesquisa a hanseníase
Brasil é o segundo país com mais casos da doença
por Autor: 
Marco Cavalcanti

Um dos objetivos do grupo é o diagnóstico precoce da hanseníase (foto: Marco Cavalcanti)

 

Um grupo multiprofissional e multidisciplinar da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) se dedica, há 19 anos, ao combate da hanseníase e de dermatoses de interesse sanitário. A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa curável, causada por um bacilo (bactéria em forma de bastonete), que afeta, sobretudo, nervos periféricos do corpo humano, a pele, a mucosa do trato respiratório superior e os olhos, podendo causar deformidades e incapacidade física.

A equipe de cerca de 20 pessoas é formada por dermatologistas, neurologistas, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, dentistas, entre outros, que atuam, principalmente, no Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária e Hanseníase (Credesh), vinculado ao Hospital de Clínicas de Uberlândia (HCU).

 

No Brasil, só existem seis centros de referência como o Credesh (foto: Marco Cavalcanti)

 

O Credesh desenvolve ensino e assistência, pesquisa, atendimento, controle, prevenção e reabilitação dos pacientes com hanseníase e dermatoses de interesse sanitário. No país, existem apenas seis centros como este.

A notificação de novos casos e a investigação pelo poder público são obrigatórias no Brasil, o segundo país com mais manifestações de hanseníase. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2016 foram registrados 25.218 novos casos da doença no território nacional. Veja artigo na revista The Lancet de fevereiro de 2018 sobre a confiabilidade dos números de diagnósticos da doença. [http://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(18)30012-4/fulltext]

A criação do grupo da UFU foi basicamente para abordar a pesquisa translacional, explica a médica e docente da Faculdade de Medicina da UFU, Isabela Maria Bernardes Goulart, coordenadora da equipe. Neste tipo de pesquisa, existe uma articulação das descobertas realizadas pelo pesquisador no laboratório com a prática clínica, na qual são aplicadas.

 
 

Isabela Goulart lidera o grupo de pesquisa da UFU (foto: Marco Cavalcanti)

 
O primeiro projeto do grupo de pesquisa consistiu em avaliar várias características imunológicas, moleculares, de resistência, de suscetibilidade e de diagnóstico precoce em pessoas que convivem com o doente e que têm maior risco de adoecer, ou seja, o grupo de contato.

 

“Eu centrei fogo para poder validar exames imunológicos e moleculares nos doentes, e que eu pudesse usar nos contatos. Hoje é um grupo que faz diagnóstico precoce de contatos com esses exames”, relata a médica. A detecção antecipada da hanseníase é fundamental para reduzir o risco de deformidades e incapacidade entre os pacientes.

Para a prevenção de adoecimento dos contatos é utilizado o BCG, vacina contra a tuberculose, pois ainda não existe uma específica contra a hanseníase. Já o tratamento dos doentes é feito com antibióticos (poliquimioterápicos) fornecidos pelo Ministério da Saúde.

Os exames diagnósticos desenvolvidos na UFU foram pioneiros no país, conta Isabela Goulart. “É pesquisa de DNA do bacilo que causa a hanseníase, que é o Mycobacterium leprae, e sorologias que medem anticorpos contra esse bacilo para ver se [os contatos] já estão muito expostos. A gente já sabe que esse anticorpo positivo oferece o maior risco de adoecimento” revela.

 

Atendimento realizado no Credesh faz parte do monitoramento da hanseníase (foto: Marco Cavalcanti)

 

Transmitido principalmente pelas vias aéreas superiores, o bacilo tem alto poder de infecção, mas poucas pessoas adoecem. O tempo de incubação da doença é, em média, de cinco a sete anos, explica a docente. No entanto, já verificou-se casos, no Credesh, de até 20 anos. Por isso, quando é registrado caso da doença em criança, é sinal de alerta. O fato mostra que adultos transmitindo para ela provavelmente desde seu nascimento.

O monitoramento é feito anualmente nos contatos, visando o diagnóstico precoce. “A gente está buscando a hanseníase do século XXI, que a gente possa diagnosticar pelo DNA, porque se eu for esperar o bacilo crescer, ele vai demorar anos para virar 10 mil bacilos por grama de tecido para eu enxergá-lo na microscopia óptica”, argumenta Isabela Goulart.

O grupo trabalha, também, procurando possíveis danos causados pelo bacilo nos nervos. O problema leva à dor e à incapacidade, gerando sequelas responsáveis pelo estigma e pela exclusão social que acompanham a hanseníase.

 

Resultados de pesquisas laboratoriais são aplicados nos consultórios (foto: Marco Cavalcanti)

 

A análise do dano neural, por meio da eletroneuromiografia, é mais uma forma de se ter um diagnóstico precoce e de estudar algum padrão que facilite detectar se a pessoa evoluiu de “infectada” para “doente”.

Outra frente de combate à hanseníase desenvolvida pelos pesquisadores da UFU, é o georreferenciamento dos casos já notificados para identificar onde vão surgir novas ocorrências. Este trabalho é feito a cada cinco anos e visa à melhoria das políticas públicas de saúde.

“A minha preocupação sempre foi muito grande em fazer uma pesquisa comprometida em aliviar a miséria humana. Uma ciência que possa aliviar uma política desumana, negligente com o paciente de hanseníase”, resume a coordenadora do grupo.

 

 

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