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17/03/2021 - 12:24 - Atualizado em 18/03/2021 - 15:43
Como o jornalismo cidadão impacta o seu dia a dia?
Tese defendida na UFU busca entender maneiras de melhorar a formação dos jornalistas para a sociedade
Por: 
Portal Comunica UFU
Por: 
Jhonatan Dias e Laura Justino

 

O jornalismo cidadão é um movimento que aproxima o cidadão e o jornalista no processo de criação da notícia. (Foto: Laura Justino)

 

Onde? Quem? Quando? Por quê? Como? É comum pensar que a função do jornalismo é apenas responder a essas perguntas. Porém, a pesquisa da docente Christiane Pitanga, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (Faced/UFU), mostra que o jornalismo tem o potencial de não apenas informar sobre os fatos, mas também de ser mais participativo na vida dos cidadãos. A tese de doutorado foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED/UFU) em agosto de 2020.

Pitanga é professora da graduação em Jornalismo da UFU desde 2012. Ela decidiu ingressar no doutorado porque percebeu que a profissão de jornalista perdia credibilidade. “Nas minhas investigações, fui percebendo que o jornalismo se distanciou do objetivo primeiro, que é a conversa com os cidadãos”, justifica. Como uma tentativa de reverter esse quadro, o jornalismo cidadão se propõe a ser “uma prática dialógica, horizontalizada, democrática entre o jornalista e o público. A partir desse diálogo, o jornalista entende qual é o interesse do público, a forma que quer saber as notícias e incentiva a participação como curador”, afirma.

O curso de graduação em Jornalismo foi criado na UFU em 2009. No primeiro período, os alunos produzem mídias que aplicam o conceito de jornalismo cidadão. Pitanga acredita que a formação de um jornalista não deve ficar presa apenas ao modelo comercial, por isso, ela decidiu investigar como os alunos que já passaram pelo primeiro período se relacionam com o jornalismo cidadão nos períodos finais. “Percebi que o projeto educomunicativo do primeiro período traz muito sobre a prática do jornalismo cidadão. A produção de mídia é horizontalizada e dialogada com a sociedade, e quando percebemos a apresentação dos projetos, os alunos têm outra percepção sobre a sociedade, principalmente sobre os sujeitos envolvidos”, explica a docente.

A principal característica do jornalismo cidadão é a escolha conjunta, pelo repórter e pela população, de pautas pertinentes para o cotidiano da comunidade que será noticiada. Trata-se de promover uma cidadania participativa, pois o profissional oferece dados que estimulam o pensamento crítico daquele grupo de pessoas. Ao mesmo tempo, ele recolhe  informações para a produção e a divulgação jornalísticas.

Esse tipo de jornalismo une o cidadão e o jornalista, que deve orientar o público, mostrando a melhor maneira para tomar decisões e exemplos de atos que funcionaram em outros locais. Essa prática estimula a reflexão e a ação dos indivíduos. Por isso, é importante que o profissional participe de perto e vivencie as causas pelas quais aquele grupo de sujeitos luta. Assim, ele poderá abordar um fato através de diversas perspectivas, de modo que atenda aos interesses da população e promova um debate público para resolver ou expor o problema.

A disciplina de Educomunicação, aplicada no primeiro período do curso de Jornalismo, contribui para a formação dos estudantes a partir da atividade que insere o aluno em uma comunidade para que ele desenvolva trocas de experiências e levante discussões com as pessoas inseridas nela.

Um grupo se direcionou para a instituição filantrópica Ação Moradia, localizada no bairro Morumbi, em Uberlândia. Eles visitavam o local e interagiam com os indivíduos semanalmente, durante todo o semestre, e produziram um vídeo (assista abaixo) para mostrar ao público da UFU como foi exercer o jornalismo cidadão na comunidade onde ensinaram às crianças o trabalho e as funções da profissão em que estão se graduando.

“A disciplina de Educomunicação, da forma como é vivenciada no primeiro período do curso de Jornalismo da UFU, mobiliza os estudantes a refletirem sobre o Jornalismo, suas práticas como profissionais, convida-os a assimilarem os pressupostos para o exercício do jornalismo cidadão”, argumenta Pitanga.

 

Em 2018, o evento Mostra Educomunicativa, com a coordenação da professora Diva Sousa e a participação da pesquisadora Christiane Pitanga, expôs os trabalhos sobre jornalismo cidadão produzidos pelos alunos do curso de Jornalismo. (Foto: Educomunicação UFU)

 

Essa atividade proporcionou aos alunos uma experiência de atuar como jornalistas já formados ao praticarem jornalismo cidadão. A pesquisadora considera uma boa estratégia formar estudantes que entendem dessa prática ao aplicar uma educação crítica e dialógica, conscientizando os graduandos sobre o papel do jornalismo na sociedade. Assim, serão autônomos para enfrentarem os desafios da rotina dessa profissão e vão ser capacitados para promoverem debates públicos acerca de uma causa social.

Esse tipo de jornalismo impacta todos os dias na vida da população e é importante para romper resistências, segundo Pitanga, pois leva notícias, reportagens e dados que refletem e identificam a comunidade. Ao apurar as informações a partir da percepção dos entrevistados, o profissional tem a chance de expor a realidade do problema pelo qual as pessoas estão lutando de maneira sensível e humanizada, pois acompanhou o caso e conhece as dificuldades de perto.

Na internet as notícias se propagam de forma mais rápida e atingem a leitura de um público maior. Através dos fóruns e comentários, as pessoas apresentam seus pensamentos e debatem sobre determinado assunto. Porém, nem todo mundo tem condições de ter internet em casa. E quem nem casa tem? Fica sem saber dos acontecimentos? Esse é um dos exemplos nos quais o jornalismo cidadão se torna uma fonte de acesso gratuito, o que aumenta o alcance de leitura das informações e direitos.

Com maior movimentação de informações no meio digital, a profissão do jornalista nos dias atuais recorre às ferramentas on-line. Hoje, os internautas podem enviar para os canais de comunicação fotos e vídeos de um acidente que acabou de acontecer, por exemplo. Dessa forma, a tese de Pitanga também ressalta o valor colaborativo entre os jornais e a população, pois qualquer pessoa pode contribuir para a construção da notícia.

A ideia do jornalismo cidadão é a de que, quando o povo se informa, compreende as causas e os motivos de uma luta e busca as ferramentas necessárias para melhorar sua realidade. O jornalismo cidadão é uma resposta para a recuperação da credibilidade, pois insere o profissional na realidade do entrevistado, levando para os leitores maior quantidade de detalhes, além de descrever uma visão do problema que faça sentido para a comunidade. Esse desdobramento do jornalismo também é importante para promover o exercício da cidadania, pois cria diálogos e debates sociais.

 

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