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01/07/2021 - 14:27 - Atualizado em 22/10/2021 - 16:34
Aluna de Iniciação Científica no Ensino Médio da UFU ganha prêmios na Feira Brasileira de Jovens Cientistas
Estudo analisa o potencial antibacteriano da Própolis Verde no combate à doença periodontal
Por: 
Túlio Daniel

A segunda edição da Feira Brasileira de Jovens Cientistas aconteceu neste ano e teve sua Cerimônia de Premiação no dia 27 de junho. Maria Eduarda Ferreira, de 16 anos, é aluna do terceiro ano do Ensino Médio na Escola Estadual Professor José Ignácio de Sousa, e ganhou o Prêmio de Excelência em Pesquisa e em segundo lugar na categoria de Ciências Biológicas.

No segundo ano do seu Ensino Médio, Maria Eduarda foi contemplada com uma bolsa de Iniciação Científica pelo Programa Institucional de Iniciação Científica do Ensino Médio (Pibic-EM) por convênio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Esta é a primeira feira científica e pré-universitária nacional totalmente virtual. Mais do que estimular a produção científica no país, o evento possibilita o desenvolvimento de uma rede de jovens cientistas brasileiros.

O objetivo é divulgar eventos científicos para estudantes e os projetos para o público geral, conectando jovens cientistas e valorizando seus projetos científicos. Isso acontece por meio de palestras, workshops, atividades culturais e apresentação de projetos com premiações.

Estudo da aluna foi o único premiado de Uberlândia

O estudo desenvolvido por ela teve orientação do professor Carlos Henrique Gomes Martins, do Laboratório de Ensaios Antimicrobianos (LEA) e do Instituto de Ciências Biomédicas (Icbim-UFU), e co-orientação de Nagela Bernadelli, biomédica e doutoranda no Programa de Pós-graduação em Imunologia e Parasitologia Aplicadas.

O principal objetivo foi a análise da atividade antibacteriana da Própolis Verde para combater as doenças periodontais. Na cavidade bucal humana, encontram-se diversos sítios ecológicos, constituídos por milhares de bactérias, que podem causar doenças odontológicas graves, como cáries, doenças endodônticas e a periodontite.

Os diferentes tipos de tratamento de doenças periodontais levam à utilização de medicamentos empíricos, o que resulta na resistência das bactérias. Isso faz com que haja a necessidade de identificar novos compostos com potencial antibacteriano e por isso muito se tem estudado o uso da própolis, que é uma substância resinosa produzida a partir de brotos e flores com secreções salivares, ceras e pólens das abelhas.

Maria Eduarda começou a Iniciação Científica no segundo ano do Ensino Médio e pretende seguir na área de Física Teórica (Foto: Arquivo Pessoal)

A fim de avaliar qual a concentração que inibe o crescimento da bactéria, os pesquisadores adicionaram própolis nas bactérias estudadas e as deixaram em repouso por 72 horas. Após os três dias de observação, acontece a concentração bactericida mínima: com 32 horas em processo de incubação, é possível analisar se houve ou não o crescimento da bactéria. 

Após os experimentos, foi possível identificar que das oito bactérias trabalhadas no estudo, todas foram inibidas de crescimento, mostrando o quanto a atividade antibacteriana da própolis é eficaz frente a essas bactérias. Isso mostra o quanto, hoje, existem diversos produtos naturais que precisam e devem ser estudados

Martins conta como é gratificante orientar um aluno e perceber o interesse na pesquisa científica que é despertado durante o processo: “Para  nós, foi um estímulo muito grande, porque o sonho de qualquer orientador que faz orientação dos alunos do Ensino Médio é que ele venha fazer faculdade [...]. Com certeza, é um aluno que entra na faculdade e já começa a iniciação científica no primeiro ano, porque ele já teve uma base, já tem uma história e a gente consegue fazer com que ele siga a Iniciação Científica em todos os anos da graduação”.

O professor ainda ressalta que a pesquisa tem a participação e colaboração dos professores e pesquisadores Jairo Kenupp Bastos, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), e Sérgio Ricardo Ambrósio, da Universidade de Franca (UNIFRAN). Os docentes são coordenadores do projeto temático "Realização de Estudos Químicos, Analíticos, Biológicos, Farmacológicos e Tecnológicos para Preenchimento das Lacunas no Desenvolvimento do Setor de Própolis Brasileiro",  financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Graças ao Pibic, o aluno passa por todas as etapas de uma pesquisa científica e acaba tendo uma formação em ciência, o que aumenta as chances dele começar no Ensino Médio e terminar em um doutorado. De acordo com Ferreira, ela conheceu a ciência em um período complicado, e a UFU foi uma grande estimulante no processo.

“Eu conheci a ciência numa época muito conturbada para mim, me sentia muito deslocada e, apesar de muito criança, me sentia muito pressionada para encontrar qual era o meu lugar no mundo. No sétimo ano, uma professora de matemática me convidou para participar da Ciência Viva, uma feira de ciências da UFU, e me lembro que lá me apaixonei por desenvolver pesquisa e projeto”, conta Maria Eduarda.

De acordo com a estudante, os momentos em laboratório são importantes não apenas para os estudos, mas também pela troca de experiência e convívio com os orientadores (Foto: Arquivo Pessoal)

Tanto a pesquisa quanto a divulgação científica nunca foram tão importantes quanto agora, e Maria Eduarda, enquanto estudante, observa como o potencial da geração dela tem sido desperdiçado por falta de oportunidade, infraestrutura e investimento. “A minha geração está deixando de ser a geração do futuro e está se tornando a geração do presente, então oferecer esse tipo de oportunidade, principalmente para quem está no Ensino Médio, é também oferecer um espaço na criação de um futuro melhor”, finaliza a pesquisadora.

Você pode conhecer mais sobre a pesquisa de Maria Eduarda através da sua apresentação na Feira de Jovens Cientistas, disponível aqui.

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