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05/11/2020 - 13:05 - Atualizado em 05/11/2020 - 13:17
Últimos dias de inscrições para as oficinas gratuitas da mostra 'Paralela'
Interessados têm até o próximo domingo (08/11) para garantir as vagas oferecidas em três projetos de artistas paulistas
Por: 
Hermom Dourado

Projeto iniciado em 2015, por iniciativa do grupo de pesquisa Spirax - coordenado pelo artista e professor Alexandre Molina, do Instituto de Artes (Iarte) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) -, a mostra "Paralela" cresceu e se tornou um evento tradicional. Se no começo o principal objetivo era compartilhar as atividades desenvolvidas pelos estudantes do componente curricular “Práticas em Dança II: performances do corpo”, do curso de Dança da UFU, atualmente são promovidos encontros anuais que estabeleceram a mostra como plataforma de intercâmbios em arte, conectando pessoas e lugares por meio da dança, em diálogo com outros fazeres artísticos. 

"As ações previstas nesta plataforma reduzem fronteiras entre formação e atuação artística, fortalecendo as relações entre fazer e pensar arte na contemporaneidade, de modo integrado. Aqui, compartilhamos o interesse em superar desafios para o estabelecimento de novas possibilidades criativas. Buscamos, ainda, encontrar outros espaços de interação com o público, em que a criação na dança se estabelece na conexão com o exercício experimental dos meios digitais ou de suas possibilidades tecnológicas”, afirma Molina, que também atua como titular da Diretoria de Cultura da UFU (Dicult).

Para a edição de 2020, que será realizada entre os próximos dias 16 e 22 de novembro, a "Paralela" está contando, também, com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC), da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Uberlândia. A grande diferença está no formato do evento, que deixa de ser presencial, na UFU, e passa a ocorrer de modo virtual e remoto, em plataformas de videoconferência. Esta é mais uma medida preventiva no combate à pandemia da Covid-19.

Ao todo, serão ofertadas três oficinas, cuja seleção se deu em uma convocatória que teve curadoria de Alexandre Molina, Cláudia Müller e Marcelo Camargo. Molina explica que buscou-se por oficinas que estivessem atreladas à proposta do evento - de experimentar formatos digitais sobre dança, ciberespaço e motim. Como as datas e horários não são conflitantes, abre-se a possibilidade para participação em todas elas. 

O período de inscrições vai até 8 de novembro, próximo domingo, às 23h59, bastando preencher os formulários disponíveis nas páginas do evento no  INSTAGRAM e no FACEBOOK.

Confira, a seguir, todas as informações sobre cada uma das oficinas:

“Projeto Valor: ruminações em circuitos ideológicos”, por Clarissa Sacchelli (SP) e Laura Salerno (SP)

  • Sinopse: explora questões acerca de como o valor opera nas artes, e em especial nas artes performáticas. Tomando a forma de um grupo de estudos coordenado por Clarissa Sacchelli e Laura Salerno, serão discutidas produções teóricas e artísticas que reflitam sobre o valor e sobre as relações entre produção, produto e recepção nas artes. Ao investigar o labor artístico, suas relações com o capital e com as noções de troca, interessa refletir como as artes performáticas são valoradas e como a performance e a dança podem arquitetar outras ecologias de valor que não as dominantes. Importa criar, com este grupo de estudos, um espaço de produção de conhecimento baseado na reflexão, discussão e experimentação coletiva.
  • Perfil do público: pessoas interessadas nas questões propostas pela oficina, que tenham pesquisas, interesses ou trabalhos ligados com a área cultural. Para participar da oficina, é preciso de disponibilidade para frequentar o período da oficina integralmente, dispositivo eletrônico com conexão à internet e disponibilidade para realização de leituras prévias de textos curtos, que serão indicados com uma semana de antecedência. Faixa etária mínima: 16 anos.
  • Datas e horários: 16 e 18 de novembro, das 10h às 12h.
  • Número de vagas: 20.
  • Conheça as artistas: Clarissa Sacchelli (SP) é artista que trabalha com e a partir da dança. Desenvolve seus projetos movendo-se entre peças coreográficas, performances e ações formativas, enquanto também trabalha em colaboração com outros artistas; Laura Salerno (SP) é artista multimídia com experiências transversais no setor cultural e artístico. Sua trajetória híbrida como criadora, produtora e técnica de luz caracteriza diferentes entendimentos da cadeia produtiva da cultura.

 

“Desaparecer é possível?”, por Renan Marcondes (SP)

  • Sinopse: desaparecer é possível? Se não é, poderíamos ao menos tentar? E para onde essas tentativas nos levam? Nessa oficina teórico-prática, Renan Marcondes dividirá com o público questões que vem levantando sobre práticas de desaparecimento nas artes performativas. A partir de referências da cena contemporânea que se propõem ao desaparecimento do corpo humano e mesmo sua substituição por objetos, elementos e coisas, experimentaremos breves exercícios poéticos sobre as telas de videoconferência, que solicitam a todo tempo nossos corpos, vozes e presenças.
  • Perfil do público: interessado em dança e performance em geral. Para participar, é preciso dispor de equipamento de acesso à internet de boa qualidade e disponibilidade para participar durante toda a oficina. Faixa etária mínima: 15 anos.
  • Datas e horários: 19, 20 e 21 de novembro, das 10h às 12h.
  • Número de vagas: 10.
  • Conheça o artista: Renan Marcondes (SP) é artista e pesquisador, representado pela OMA Galeria. Dirige, ao lado de Carolina Callegaro, o pólo de produção em dança Pérfida Iguana e tem se interessado por situações repetitivas, patéticas e de baixa visibilidade do corpo nas artes performativas. Atualmente, desenvolve seu doutorado na Escola de Comunicação de Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), com passagem pela Justus Liebig Universität em Giessen (Alemanha).

“Emaranhadas: materialidades e meios”, por Jussara Belchior (SP) e Gabriel Machado (SP)

  • Sinopse: oficina proposta por uma dupla de artistas trabalha junta, desde 2019, com interesse em discutir a materialidade gorda de seus corpos na dança, a dança e seus dispositivos intermediais e a transformação do corpo enquanto campo ficcional. A oficina trabalha a partir da proposição de transposição de materialidades entre corpo atuante, escrita e mídias. A partir de experimentos coreográficos e de escrita, constrói-se um espaço de exercício e desenvolvimento de uma escrita pragmática e sensível, um diálogo entre o corpo e seu entorno. O objetivo é engendrar processos de criação e compartilhamento nas ações de “emaranhar" e “embaralhar” os conhecimentos, os processos de produção e registro, as ferramentas de manutenção e políticas de existência/insistência. Com procedimentos de criação e transposição de materialidades corpo-papel-gadget-texto-corpo - trabalha-se a noção de que as tecnologias disponíveis para a escrita (seja papel, caneta, computador, celular) também formam esse corpo que performa/escreve.
  • Perfil do público: artistas e estudantes das artes cênicas interessados em processos de escrita, criação, diálogo e compartilhamento. Para participar, é necessário dispor de equipamento de acesso à internet de boa qualidade e disponibilidade para participar durante toda a oficina. Faixa etária mínima: 18 anos.
  • Datas e horários: 20, 21 e 22 de novembro, das 15h às 17h.
  • Número de vagas: 20.
  • Conheça a dupla de artistas: Jussara Belchior (SC) é bailarina gorda. Também é pesquisadora da dança, diretora, assistente de direção, interlocutora e crítica em parceria com outras artistas. Em seu trabalho solo Peso Bruto (2017), investiga os tabus e preconceitos sobre as gordas. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Teatro da Universidade do Estado de Santa Catarina (PPGT/Udesc), com a pesquisa "Investigações pesadas" – bolsista Capes. Integrou o elenco do Grupo Cena 11 Cia de Dança entre 2007 e início de 2018. Circulou por festivais pelo Brasil, Portugal, França, Uruguai e Alemanha. Interessa-se por poéticas e políticas de movimento e posicionamento através da dança. Gabriel Machado (PR) é bailarino, coreógrafo, curador, gestor cultural e diretor teatral formado pela Faculdade de Artes do Paraná. Investiga as transformações do corpo enquanto objeto virtual, a cibernética, próteses, tecnologia, precariedade e monstruosidade, bem como as marcas dos processos de colonização em uma corporeidade latino-americana. Integra o coletivo de artistas da Casa Selvática desde sua fundação. É artista colaborador e co-orientador do núcleo de pesquisa em dança Investigação do Movimento Particular (IMP). Nos últimos 10 anos, recebeu diversas premiações com as quais pôde apresentar seus trabalhos em diferentes cidades da América Latina, Europa e África. 

 

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