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27/10/2021 - 15:03 - Atualizado em 03/11/2021 - 20:37
A importância da mamografia na prevenção ao câncer de mama
Na seção Leia Cientistas, professora da Engenharia Biomédica escreve sobre acesso ao exame em Minas Gerais
Por: 
Portal Comunica UFU
Por: 
Ana Claudia Patrocínio*

 

Em um estudo recente no Grupo de Imagens Médicas (GIM) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), sob minha coordenação, e integrante do Laboratório de Engenharia Biomédica (BioLab), uma dissertação de mestrado avançou nos estudos de distribuição de mamógrafos e acesso da população mineira aos serviços de rastreamento do câncer de mama. O mestre Matheus Capo Rosa avaliou as taxas de mortalidade e as taxas de rastreamento do câncer de mama em todos os municípios do estado de Minas Gerais, considerando a distribuição geográfica dos equipamentos do estado. 

Num mês de conscientização sobre a importância da prevenção do câncer de mama, vale lembrar a todas as mulheres que fazer mamografia é imprescindível para diminuir a taxa de mortalidade pela doença, pois com a mamografia é possível a detecção precoce que salva vidas.

No Brasil, a mortalidade por câncer de mama vem aumentando drasticamente com o decorrer dos anos. No ano 2000, o número absoluto de mortes por câncer de mama era equivalente a 8.311 mortes; já em 2018, esse valor aumentou muito, chegando a 17.572 mortes pela doença.

Segundo o Ministério da Saúde, os municípios que não possuem mamógrafos disponíveis devem assegurar que sua população tenha acesso ao diagnóstico em municípios cuja distância entre eles não ultrapasse 60 quilômetros e o tempo de viagem seja inferior a 60 minutos. Porém, em algumas regiões, esses critérios não são respeitados, caracterizando falta de acesso a parte da população do estado de Minas Gerais.

Em trabalhos anteriores realizados no GIM, já haviam sido constatados problemas associados à má distribuição de equipamentos de mamografia em algumas microrregiões de saúde do estado mineiro, as quais apresentaram 100% dos seus municípios sem acesso aos serviços de mamografia. Isso pode dificultar o diagnóstico precoce da doença, contribuindo para o aumento da taxa de mortalidade no estado. 

Para o desenvolvimento deste estudo, foram coletados dados referentes ao número de mortes por câncer de mama (neoplasias malignas da mama) e também os números absolutos de mamografias de rastreamento realizados nos 853 municípios de Minas Gerais. Para avaliação da mortalidade foi necessário calcular a Taxa de Mortalidade Ajustada (TMA) (que considera o número de mortes para cada 100 mil habitantes). Na tabela é possível observar a mortalidade relacionada com a falta de acesso.

 

Dados das Taxas de Mortalidade Ajustada (TMA) a cada grupo de 100.000 mulheres, para as 13 macrorregiões de saúde, assim como a quantidade de municípios em cada macrorregião de saúde. Na tabela também estão expostas as porcentagens de municípios com e sem acesso aos sem acesso aos serviços de mamografia. (Arquivo da pesquisadora)

 
 
Minas Gerais tem uma taxa de mortalidade (TMA) de 15,72 mortes a cada 100 mil mulheres, superior à mortalidade nacional que é de 13,84. Analisando a relação entre as TMAs das macrorregiões e a porcentagem de municípios sem acesso, é observada uma aleatoriedade entre os valores. Há duas hipóteses para a baixa TMA em municípios sem acesso: 

- A primeira seria que a falta de acesso à mamografia pode influenciar na TMA. Isso pode ser decorrente da falta de diagnóstico e, consequentemente, pode ocorrer a subnotificação da causa morte; 

- A segunda seria que, mesmo sem acesso, a população destes municípios se desloca para realização do rastreamento, impactando a diminuição da mortalidade. 

A imagens abaixo apresentam as TMAs acima da média de mortalidade no estado de Minas Gerais e acima da média de mortalidade do Brasil e as porcentagens de municípios sem acesso.

Arquivo da pesquisadora

 

Mapa de Minas Gerais e representação gráfica das Taxas de Mortalidade Ajustada para os municípios com (em cor branca) e sem acesso (em cor alaranjada) aos serviços de mamografia. Os pontos em cor azul representam as Taxas de Mortalidade Ajustada (TMA) a cada grupo de 100.000 mulheres. (Arquivo da pesquisadora)

 
O rastreamento mamográfico no estado de Minas Gerais
 

De acordo com o Ministério da Saúde, é recomendada a realização do rastreamento em mulheres com faixa etária entre 50 e 69 anos, com periodicidade bianual. Ao avaliar a taxa de rastreamento mamográfico no estado, foi observado que, em 2018, apenas 3,95% das microrregiões de saúde (três microrregiões) mostraram que 50% das mulheres recomendadas para rastreamento realizaram o exame. Em 2019, nenhuma das microrregiões de saúde alcançaram 50% da TRM. 

O gráfico abaixo mostra a relação entre TMA e a TRM, para as macrorregiões do estado de Minas Gerais. Ressalta-se que os valores de TRM para as macrorregiões de saúde mostradas no gráfico foram calculados para os anos de 2018 e 2019.

Relação entre Taxa de Mortalidade Ajustada (TMA) e Taxa de Rastreamento Mamográfico (TRM) para as macrorregiões de Saúde de Minas Gerais. As TRM foram calculadas entre os anos de 2018 e 2019, enquanto a TMA foi calculada para o ano de 2018. (Arquivo da pesquisadora)

 
As macrorregiões com menores TMA foram Sul, Triângulo do Norte, Leste do Sul, Jequitinhonha, Nordeste e Norte; consequentemente, foram as com maiores TRM. Isso reforça a importância do rastreamento mamográfico. Sabe-se que o rastreamento mamográfico está ligado à diminuição da mortalidade por câncer de mama. Mesmo com baixas taxas de rastreamento, foi possível notar a influência positiva causada pelo rastreamento mamográfico. 
 
Ao avaliar a TRM por macrorregiões, viu-se uma desigualdade de cobertura do rastreamento entre as suas microrregiões. Em várias das microrregiões estudadas é observado um decréscimo grande nas TRM, mesmo que em um dos anos a taxa tenha sido alta, no ano seguinte essa taxa despenca, ou seja, não existe avanço progressivo e concretização nas recomendações do Ministério da Saúde. Os resultados mostram falhas no oferecimento de diagnóstico precoce do câncer de mama em mulheres assintomáticas
 

Por fim, a contribuição deste estudo está na avaliação das taxas de mortalidade e rastreamento da doença, inferindo a influência da distribuição geográfica dos equipamentos mamográficos no estado de Minas Gerais. Isso mostra que a distribuição dos municípios em macro e microrregiões de saúde podem influenciar nas taxas de mortalidade e de rastreamento. Portanto, uma nova redistribuição poderia contribuir tanto com a falta de acesso quanto com o aumento da taxa de rastreamento, o que influenciaria na diminuição da mortalidade.

 

*Ana Claudia Patrocínio é graduada em Tecnologia de Processamento de Dados, mestre e doutora em Engenharia Elétrica na especialidade Engenharia Biomédica, com pós-doutorado na área de Ciências da Saúde. É docente na Faculdade de Engenharia Elétrica da UFU, atuando nos cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Biomédica. 

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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