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07/10/2021 - 17:02 - Atualizado em 21/10/2021 - 09:17
'Outubro Rosa': campanha que salva vidas
História de mulheres que fazem e já fizeram o tratamento do câncer de mama
Por: 
Gabriel Caixeta

O mês de outubro marca a campanha de conscientização sobre a prevenção do câncer de mama. A iniciativa, conhecida como "Outubro Rosa", foi lançada em 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e anualmente tem o objetivo de compartilhar informações sobre a doença, indicando os serviços de diagnóstico e de tratamento.

Atualmente, o câncer de mama é o mais incidente entre mulheres no mundo, representando 24,5% dos casos novos, segundo estatísticas disponibilizadas pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer em 2020. Conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre os principais fatores de risco da doença, estão o avançar da idade, história reprodutiva, fatores comportamentais e genéticos.

Ainda de acordo com o Inca, entre as estratégias mais eficazes para o tratamento da doença, está a detecção precoce dela, que pode ser feita por meio de autoexames  e rastreamento. É justamente sobre a conscientização da necessidade do diagnóstico precoce que Rosana Bartasson, que atualmente faz o tratamento do câncer de mama no Hospital do Câncer, enfatiza a importância da informação e da adesão das mulheres para realização dos exames capazes de identificar a patologia.

“Penso que, atualmente, toda área médica faz os cuidados para prevenção do câncer de mama, que são as informações. As mulheres já sabem sobre isso. O que elas precisam é de perder o medo de descobrir que estão com câncer. O diagnóstico precoce ajuda muito no tratamento e prevenção”, opina Bartasson.

Rosana Bartasson realizou o primeiro tratamento do câncer de mama entre 2013 e 2015. Com a reincidência da doença, atualmente ela faz novo tratamento, no Hospital do Câncer em Uberlândia. (Imagem: Arquivo pessoal)

Bartasson, que foi diagnosticada com câncer reincidente e metastático, defende que o tratamento do câncer de mama precisa ser desmitificado diante das novas possibilidades criadas com o avanço da ciência. “As mulheres têm muito medo de fazer a cirurgia da retirada da mama. Se o exame for positivo, vamos fazer o tratamento. Estão surgindo muitas medicações para desmitificar a cirurgia”, argumenta.

Sandra Casonato, que atualmente trabalha como prefeita de campus em uma faculdade privada e também já fez o tratamento do câncer no Hospital Municipal de Uberlândia, aponta outra desmitificação que deve ser feita a respeito do câncer, a alegação de que a doença seria característica de pessoas raivosas e que guardam mágoa. Para ela, que fez o tratamento durante um ano e meio e agora está realizando o acompanhamento, o autocuidado é a ferramenta mais importante para a prevenção da doença. “Eu nunca fumei, bebia socialmente. Mas, mesmo assim, de certa forma, eu negligenciei muito a minha saúde física e emocional. Quando você só pensa em trabalhar, não se alimenta de forma saudável e não pratica exercícios, uma hora a saúde cobra esse ritmo”, pondera.

Sandra Casonato realizou o tratamento entre junho de 2018 e janeiro de 2020. (Imagem: Arquivo pessoal)

Por isso, Casonato reitera a importância do diagnóstico precoce. “Eu tinha todas as informações sobre o que precisava ser feito, mas não realizava o autoexame de mama, porque não achava que iria acontecer comigo. Todos os anos, eu fazia o exame periódico do papa nicolau, e foi em uma dessas consultas de rotina que a médica apalpou a mama e percebeu o nódulo, que eu mesma poderia ter percebido antes”, lembra.

 

O tratamento

Conforme estabelece a Lei nº 11.664, de 29 de abril de 2008, as ações de saúde que asseguram a prevenção, a detecção, o tratamento e o seguimento do câncer de mama devem ser garantidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A prefeita de campus Sandra Casonato relatou que seu tratamento, realizado por meio do SUS, foi marcado pelo acolhimento de uma equipe multidisciplinar.

Casonato avalia que o apoio de uma equipe multidisciplinar é fundamental para o apoio das mulheres em tratamento. (Imagem: Arquivo pessoal)

"Foi tudo muito rápido. Logo após minha cirurgia, já agendei minhas consultas. Eu só tenho a agradecer a todos os profissionais pelo acolhimento, desde o cafezinho, que vem quando estamos lá, a sopa recebida quando fazemos a quimioterapia. É um tratamento excepcional. Sempre tive todos os recursos, mesmo sendo medicamentos caros”, relembra Casonato.

O tratamento do câncer de mama, mesmo com todos os recursos necessários, é marcado pela dificuldade de aceitação, desde o momento do descobrimento da doença, conforme conta Rosana Bartasson. “O meu primeiro tratamento já não foi fácil. Eu não aceitei a doença e fiquei muito deprimida. Nunca mais fui a mesma mulher. Ainda tive que me afastar do trabalho para realizar o tratamento sem apoio da legislação. Não consegui me aposentar, porque, segundo o perito, eu estava gorda e, portanto, tinha condições de trabalhar.”

Bartasson acredita que a conscientização das mulheres para o diagnóstico precoce do câncer de mama pode ajudar muito na amenização do tratamento. (Imagem: Arquivo pessoal)

Segundo Bartasson, uma das maneiras de ajudar a mulher durante o tratamento é ter uma troca de sentimentos e carinhos. Foi o que ela encontrou nos animais: "O cachorro ajuda demais a gente. Qualquer animal, seja calopsita, gato ou coelho, nos dá um descanso mental muito importante. É muito bom ter um animal para dar carinho e ser retribuído por ele.”

Casonato também lembra de outra ajuda importante que pode auxiliar durante o tratamento do câncer. “Eu busquei outras pessoas que estavam passando por uma experiência parecida com a minha nas redes sociais. Durante as conversas, comecei a me espelhar e me inspirar nessas pessoas. Então, também quero mostrar às outras mulheres que o câncer hoje já não é uma sentença de morte, principalmente se a sua descoberta for no início”, sublinha.

 

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