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17/12/2021 - 13:25 - Atualizado em 20/12/2021 - 11:34
Coronacrise: como o crédito bancário foi afetado em Uberlândia?
Economista da UFU escreve, na seção Leia Cientistas, sobre a importância dos bancos públicos e da ação estatal
Por: 
Portal Comunica UFU
Por: 
Henrique Ferreira de Souza*

Em 2020, houve um aumento do saldo de crédito bancário e melhora das suas condições, para Uberlândia (foto) e Brasil, num movimento diferenciado em comparação às demais crises econômicas vivenciadas nos anos 2000 (Foto: Marco Cavalcanti)

Quais os efeitos da crise econômica advinda da pandemia da covid-19, a Coronacrise, sobre a dinâmica do crédito bancário no município de Uberlândia e, de forma comparativa, no Brasil? Nós explicamos isso no Capítulo 2 da publicação “Painel de Informações Municipais 2021 – A Covid-19 em Uberlândia (2ª Edição)”, feito pelo Centro de Pesquisas Econômico-Sociais (Cepes) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e vamos resumir as respostas aqui.

Também buscamos testar a hipótese de que os bancos públicos têm a capacidade de agir de forma contracíclica – ou seja, contra a situação da economia, por exemplo, estimulando investimento, emprego e consumo nos momentos de crise –, vis-à-vis a dinâmica pró-cíclica dos bancos privados – que normalmente seguem a tendência da economia, por exemplo, reduzindo empréstimos nos momentos de piora da economia. Além disso, tratamos da importância da ação estatal para estimular a oferta de crédito bancário nessa crise, momento que esse recurso é imprescindível para a sobrevivência das empresas (principalmente as menores), manutenção dos empregos e, sobretudo, da vida. 

Assim, ainda que em meio à Coronacrise, vimos que, em 2020, houve um aumento do saldo de crédito bancário e melhora das suas condições, para Uberlândia e Brasil, num movimento diferenciado em comparação às demais crises econômicas vivenciadas nos anos 2000. Mas essa expansão não proporcionou que o crédito para as Pessoas Jurídicas e o crédito direcionado (ponderados pelo PIB) atingissem os níveis que haviam alcançado em anos anteriores, como em 2015 e 2016, assim como para as concessões totais de crédito, de modo que as empresas, que são os agentes que mais necessitam de crédito na presente crise, principalmente as de menor porte, possivelmente não conseguiram, no agregado, suprir sua demanda, como reportou a pesquisa do SEBRAE/FGV (2021).

Uberlândia: saldo total da conta Operações de Crédito – valores constantes em R$ milhões e taxa de variação em relação ao mês imediatamente anterior

Todavia, a ação estatal, através dos programas de crédito direcionado (PESE, Pronampe, PEAC e CGPE), juntamente com as políticas monetárias de queda da taxa de juros e liberação de liquidez e capital no sistema financeiro, tiveram papel importante na melhora das condições do crédito, ainda que essas pareceram ser insuficientes. 

Por meio dos balancetes dos bancos com agências em Uberlândia (dados ESTBAN), vimos que, dentre as operações de crédito que apresentaram maior expansão no período de pandemia, após março de 2020, destacou-se, sobretudo, o saldo da conta Empréstimos e Títulos Descontados, em primeiro lugar, e a Financiamentos Rurais, Agricultura, Custeio e Investimento, em segundo. De forma comparativa, para o Brasil, e análise dessas mesmas contas, a Empréstimos e Títulos Descontados também foi a que demonstrou maior expansão.

Essa informação é particularmente relevante, pois reforça a noção de importância dos programas de crédito direcionado também para Uberlândia, dado que é naquela rubrica (Empréstimos e Títulos Descontados) que se registram os créditos relacionados aos empréstimos, com destaque para o capital de giro, que foi um dos principais focos dos programas, somado ao fato de que os meses de maior expansão dos saldos daquela conta também coincidem com os períodos de maior contratação dos programas.

Para a análise relativa à dinâmica do crédito por banco de varejo, residente em Uberlândia, na Coronacrise, os bancos públicos foram os que demonstraram maior expansão do saldo da conta Operações de Crédito (excluindo-se os saldos da conta Financiamentos Imobiliários, a qual os bancos privados não têm registros), de março de 2020 a março de 2021, em plena pandemia.

A capacidade contracíclica desses bancos é reforçada ao observar que eles apresentaram taxa de variação do saldo da Operações de Crédito maior, de março de 2020 para 2021, do que a ocorrente entre março de 2019 a março de 2020, fato que ocorre de forma contrária nos bancos privados (de varejo), com exceção do banco Itaú, que demonstrou pequeno aumento.

Uberlândia: saldo da conta Operações de Crédito por banco (de varejo) exceto Financiamento Imobiliário – taxa de variação interanual (Tx. Var.) e taxa de variação média mensal (Tx. Var. M.), entre meses de março, valores reais para março de 2021 (IPC/CEPES)

 

Ao analisar com mais detalhe o balancete dos bancos de varejo com agências em Uberlândia, por meio da abertura da conta Operações de Crédito, viu-se que o Banco do Brasil demonstrou expansão de R$ 282,89 milhões no saldo da conta Empréstimos e Títulos Descontados, enquanto para a Caixa esse valor foi de R$ 158,95 milhões. Para os bancos Santander e Itaú, que também apresentaram aumentos dos saldos dessa conta, os acréscimos foram de R$ 62,50 milhões e R$ 127,48 milhões, respectivamente. Já o banco Bradesco demonstrou redução do saldo dessa conta (- R$ 31,28 milhões).

Assim, para o município de Uberlândia, viu-se que os bancos públicos tiveram protagonismo na oferta de crédito bancário na pandemia, sobretudo pela conta Empréstimos e Títulos Descontados, que abarca as transações relacionadas aos empréstimos para capital de giro – que é de grande importância para as empresas no enfretamento da crise atual –, agindo de forma contracíclica e amenizando os prejuízos econômicos decorrentes da Coronacrise no município.

Destaca-se que, pela base de dados trabalhada, não é possível separar as operações por porte das empresas contratantes, o que provavelmente daria ainda mais protagonismo para os bancos públicos nas concessões para empresas de menor porte, como observado por Mendonça et al. (2020), para o Brasil e nos meses iniciais da pandemia.

Além disso, destaca-se a importância dos programas governamentais para estimular a oferta de crédito nos momentos de crise, que, em conjunto com a iniciativa dos bancos públicos, forçam e possibilitam que os bancos privados também ampliem a oferta de crédito nesses momentos.

 

SEBRAE/FGV. O Impacto da pandemia de coronavírus nos Pequenos Negócios – 11ª Edição. 2021. Disponível em: <https://datasebrae.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Impacto-coronavírus-nas-MPE-11ªedicao_Recorte-por-Segmentos-v1.pdf>. Acesso em agosto de 2021.

MENDONÇA, Ana Rosa R.; NAPPI, Joseli F. e CUBERO, Marília C. Medidas de enfrentamento da crise econômica gerada pela COVID-19 no Brasil: Uma análise preliminar dos efeitos sobre o crédito. In Anais do XIII Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira, setembro. 2020.

 

*Henrique Ferreira de Souza é doutor em Economia pelo PPGE/UFU e Economista/Pesquisador do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais (CEPES) do Instituto de Economia e Relações Internacionais (IERI) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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