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23/12/2021 - 12:51 - Atualizado em 03/01/2022 - 08:33
Natal, Réveillon e samba
A valorização do samba representa a valorização da vida, das paixões e sofrimentos das camadas populares das favelas, dos sertões, dos ranchos e terreiros
Por: 
Portal Comunica UFU
Por: 
Ivete Batista da Silva Almeida*

O samba nasceu das interações entre os escravizados em seus batuques, rodas de capoeira e cantos de trabalho. (Imagem: Johann Moritz Rugendas 1808-1858/Acervo da Biblioteca Nacional)

Dezembro é um mês marcado por algumas comemorações. Se pensamos nesse que é o último mês do ano, pensamos imediatamente no Natal e no Réveillon, que são comemorações do calendário lunar e também do calendário cristão. Todavia, dezembro é um mês que começa com uma data comemorativa ligada à nossa cultura brasileira de matrizes africanas, me refiro ao Dia do Samba, que é comemorado no dia 2 de dezembro.

Esse dia comemorativo homenageia a um dos maiores nomes da música brasileira e sambista, Ary Barroso, que embora fosse mineiro, imortalizou a Bahia em suas letras, destacando seus ritmos, seus candomblés, suas capoeiras, sua gente e imortalizando a Bahia como “terra de todos os santos”.

O samba é um ritmo originalmente brasileiro, nascido das raízes africanas de nossa cultura. Foi das interações entre os escravizados em seus batuques, rodas de capoeira e cantos de trabalho, que nasceu o samba.

Mas afinal, o samba nasceu no Rio de Janeiro ou na Bahia? Para responder a essa pergunta, precisamos nos lembrar que o primeiro fluxo de mão de obra de pessoas africanas escravizadas, é trazida para o Nordeste brasileiro, sobretudo Bahia, pois Salvador era nossa capital e para Pernambuco, área de grande produção de cana-de-açúcar. Sendo assim, negros boçais (recém-chegados) e ladinos (nascidos aqui) interagiram entre si, no Nordeste brasileiro desde o século XVI, construindo as bases de códigos culturais que iriam marcar a cultura brasileira, ainda em formação, dando origem às bases do candomblé da Bahia e também ao samba de roda.

Já o Rio de Janeiro, passaria a ser um grande centro da vida política e cultural brasileira apenas a partir do século XIX, quando, por conta da vinda da família real, em 1808, tornar-se-ia a capital do Brasil, que deixava de ser colônia e passaria ao status de reino unido. 

Ao se tornar um centro administrativo e também um centro da vida cultural, o Rio de Janeiro passaria a receber como mão de obra escravizados nascidos no Brasil, oriundos do Nordeste e pessoas escravizadas, recém-chegadas da África. Essa nova interação em terras cariocas, vai possibilitar o surgimento de novos produtos e interações culturais, dentre elas o samba urbano carioca, que traz consigo a introdução do violão (instrumento de origem europeia), somado aos tradicionais instrumentos de percussão da musicalidade de matrizes africanas.

O mais interessante, porém, é notar que existem inúmeras derivações de estilos de samba, por todo o Brasil. Podemos, portanto, afirmar que à medida que os brasileiros e brasileiras se tornaram livres da escravidão e puderam migrar livremente pelo território nacional, essa musicalidade de raízes africanas foi se enraizando nas culturas, sobretudo das camadas populares de vários diferentes lugares. Assim, além do samba de roda da Bahia e o samba carioca urbano, temos o samba de breque em São Paulo, o samba mineiro, o samba de partido alto, o pagode, o samba caipira – que surge em Pirapora do Bom Jesus – o samba-rock, o samba de gafieira, o samba-enredo, dentre muitas outras derivações.

A valorização da história do samba como gênero musical da cultura brasileira de matrizes africanas, bem como a valorização das grandes divas do samba e dos grandes cantores e compositores da história do samba, representa não apenas a homenagem a um gênero musical, mas a valorização da história de uma cultura que representa a narrativa da vida, das paixões e sofrimentos das camadas populares das favelas, dos sertões, dos ranchos e terreiros deste país. O samba é uma parte preciosa de nossa história e também de nossa memória.

 

*Ivete Batista da Silva Almeida – Doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do Instituto de História da UFU.

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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