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31/01/2022 - 09:06 - Atualizado em 04/02/2022 - 10:07
Filmes podem ser fontes históricas? Entre o anacronismo e a historicidade
Veja a explicação de historiador da UFU na seção Leia Cientistas
Por: 
Portal Comunica UFU

 

Photography film (Foto: IStock by Getty Images/ Arquivo enviado pelo pesquisador)

Sim, leitor(a)! Os filmes podem ser considerados como fontes históricas. Lembremos da célebre frase do historiador francês Marc Bloch: “A diversidade dos testemunhos históricos é quase infinita. Tudo que o homem diz ou escreve, tudo que fabrica, tudo que toca pode e deve informar sobre ele”.

Então, como trabalhar com a linguagem cinematográfica? Assim como qualquer outra fonte, o historiador deve evitar o anacronismo. O que isso quer dizer?

Tentemos desvendar esse conceito a partir de um exemplo: você, que me lê, e seus amigos foram ao cinema. Na saída do filme, cada um teve uma interpretação distinta do que acabou de ver na obra. Qual o motivo? Ora, é simples: cada pessoa tem uma subjetividade, que é construída a partir de experiências individuais no espaço-tempo; ou seja: cada um tem uma historicidade.

Continuemos imaginando: um dos colegas do grupo é cinéfilo e escreve em um blog de críticas. Sem fazer nenhuma pesquisa, ele apenas coloca as impressões que teve do que acabou de assistir no papel. Ele irá atribuir a sua historicidade à obra, para explicá-la, sem considerar a conjuntura do filme: isso é anacronismo.

No âmbito acadêmico, o anacronismo pode acontecer quando o pesquisador usa a historiografia sobre um contexto, ou alguma teoria, e, de forma dedutiva, identifica pontos de contato com a estética da linguagem cinematográfica, obliterando as singularidades da relação Arte/Sociedade. Essa forma de construção argumentativa dirá mais sobre os escritos do que sobre o objeto fílmico – que, nesse caso, é tratado como uma ilustração.

Como, então, colocar o filme na luz de seu tempo? Como historicizá-lo? Segundo os professores Rosangela Patriota Ramos (UPM) e Alcides Freire Ramos (UFU), a aproximação com a ferramenta da Estética da Recepção, vinculada, aqui, com as perspectivas do teórico alemão Wolfgang Iser, é uma saída para resolver esse entrave.

Para os autores, o pesquisador deve fazer a análise estética da linguagem, construindo uma interpretação sobre a obra; posteriormente, é necessário colocar os resultados da análise na luz do tempo que a película dialoga; para isso, se considera diversos textos interpretativos (dos cineastas, críticos, cinéfilos, acadêmicos, dentre outros) – esse é o Estado Atual da Arte para o campo da História-Cinema, quando se toma o filme como tema/objeto de investigação. Então, compreender como a obra foi recebida é lidar com a historicidade que a apropriou.

O historiador deve fugir do anacronismo. Porém, nós, seres humanos, vemos o mundo de uma forma anacrônica e, sendo assim, produzimos testemunhos a partir da nossa perspectiva. Cabe ao cientista das humanidades, a partir da análise e crítica, embater todo material colhido sobre o seu tema/objeto fílmico, diminuindo, ao máximo, a distância entre a Arte e Sociedade.

 

*Gabriel Marques Fernandes é mestrando em História Social no Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) do Instituto de História (INHIS) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bacharel e Llicenciado em História pela mesma instituição (2019), compõe a linha “Linguagens, Estética e Hermenêutica”. Integra, como membro discente, o Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (NEHAC) e o GT Nacional de História Cultural da Associação Nacional de História (ANPUH).

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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