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09/05/2022 - 12:41 - Atualizado em 11/05/2022 - 17:14
Pesquisa com zebrafish busca desvendar efeitos de poluentes na saúde humana
Doutoranda da UFU vai desenvolver parte do estudo na Universidade do Alabama
Por: 
Diélen Borges

 

O zebrafish, ou peixe-zebra, tem similaridade genética de 70% com ser humano. (Foto: Pixabay)

Uma cientista da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) está de malas prontas para os Estados Unidos, onde vai pesquisar, a partir de julho, como um composto químico presente no ar poluído pode alterar nossos genes e provocar doenças como o câncer. Para isso, Evelyn Siqueira Caixeta, doutoranda do Programa de Genética e Bioquímica, vai trabalhar com peixes e receber financiamento do programa Fulbright.

O zebrafish, ou peixe-zebra, que será utilizado na pesquisa, é um peixe ornamental de água doce e mede cerca de cinco centímetros. É originário da Índia e de Bangladesh, mas hoje é encontrado no mundo todo: em aquários decorativos e em laboratórios de pesquisa. O interesse dos cientistas tem a ver com a rapidez na reprodução e no desenvolvimento do zebrafish, mas se deve principalmente à similaridade genética de 70% entre esse animal e o ser humano. “A hipótese é de que qualquer alteração nesse peixe é um indicativo de que pode ocorrer da mesma forma no ser humano”, afirma Caixeta.

Na UFU, a doutoranda atua na área de ecotoxicologia, um ramo que estuda o efeito de poluentes e químicos sobre o meio ambiente. Ela expõe organismos a contaminantes ambientais e avalia se há alteração na expressão gênica, ou seja, na decodificação da informação dos genes.

Nos Estados Unidos, ela vai expor o zebrafish ao benzopireno - um composto resultante da queima de combustíveis fósseis, presente no ar poluído das cidades, na fumaça do cigarro e até em alimentos queimados, como carne muito tostada - e observar o que acontece com a expressão gênica dos peixes. Caixeta também vai engordar os peixes, para observar a influência da obesidade, uma das principais questões de saúde pública nos Estados Unidos, que atinge 45% da população. No Brasil, a projeção da World Obesity Federation é de que 30% da população adulta deve ter obesidade até 2030.

 

Evelyn Siqueira Caixeta foi aprovada no programa Fulbright. (Foto: Arquivo pessoal)

 

“Quando você inala um químico, uma fumaça, tem proteínas que vão lá degradar aquilo. O químico é mais lipofílico [molécula solúvel em gordura], então o corpo transforma em hidrofílico [molécula solúvel em água] para poder excretar. Se um organismo está mais propenso, ele não consegue fazer essa degradação, ele pode desenvolver câncer, doença coronária, várias outras coisas”, explica Caixeta.

Orientanda do professor Boscolli Barbosa Pereira, Caixeta é bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Aqui na UFU, ela também cursou graduação em Gestão em Saúde Ambiental, quando foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e mestrado em Qualidade Ambiental, com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 

Aprovada no programa Fulbright, que existe há 75 anos nos Estados Unidos e tem filiais em mais de 160 países, Caixeta receberá financiamento para fazer um curso intensivo na Universidade Estadual de San Diego e desenvolver sua pesquisa na Universidade do Alabama, em Birmingham. Os editais do programa Fulbright são abertos anualmente, no mês de junho.

 

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