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12/08/2022 - 09:29 - Atualizado em 12/08/2022 - 15:32
Música, pinturas e palavras: o processo criativo interartístico e intersemiótico na obra de Dorival Caymmi
Dissertação analisa o percurso criativo do artista e investiga as interações das linguagens artísticas utilizadas por ele
Por: 
Portal Comunica
Por: 
Eduardo Ramos*

Dorival Caymmi era músico, pintor e compositor. (Foto: Evandro Teixeira)

Dorival Caymmi (1914-2008) é um dos grandes nomes da música popular brasileira (MPB). Suas canções compostas e gravadas em meados do século XX continuam no repertório cancioneiro no Brasil e em várias partes do mundo. Suas músicas, regravadas, revistas e tidas como cânones musicais da cultura brasileira.

Seu modo de compor músicas e letras, ou seja, seu processo de criação, passava pela linguagem visual, pela imagem real ou ficcional, como ele mesmo afirma. “Eu vejo na canção, nas canções praieiras, na canção assim [...] uma paisagem de coqueiros, mar, um casario lindo, aquela união do amor a beleza plástica das coisas, é pintura né”. (DIDIER, 1999)

Essa outra linguagem de Dorival Caymmi, por certo, não é tão conhecida, mas Caymmi era um pintor de telas e um pintor de canções. E, assim como ele, muitos artistas buscaram e buscam, em diversas linguagens, modos e meios expressivos para sua arte. O que ao olhar externo talvez seja apenas mais um talento para o artista, na maioria dos casos é uma necessidade criativa (Deleuze, 1987). Traduções, ressonâncias, analogias, similitudes, correspondências de uma linguagem artística para outra. Os termos que buscam definir tal junção são tão numerosos quanto as pesquisas que buscam ampliar o conhecimento desse campo científico. São campos investigativos importantes que tem como objetivo compreender a integração e o diálogo entre as linguagens artísticas.

Na dissertação de mestrado, resultado de minha pesquisa sobre o processo criativo de Caymmi: "Música, pinturas e palavras: o processo criativo interartístico e intersemiótico na obra de Dorival Caymmi", trago uma análise sobre os percursos criativos Caymmianos. Esse trabalho investiga as interações das linguagens artísticas utilizadas por Caymmi para compor suas obras musicais e visuais. A pesquisa se apoia na hipótese de que as interartes são imbricações entre as linguagens artísticas, subjetivas a princípio, mas que se demonstraram claras quando investigadas pelos métodos da tradução intersemiótica ou pela análise da écfrase musical apresentando-nos os pontos de contato entre uma obra visual e uma obra musical.

Foram analisadas quatro canções do primeiro álbum de Dorival Caymmi: Canções Praieiras de 1954. São elas: Quem vem pra beira do mar; O Mar; Pescaria (Canoeiro); e Saudade de Itapoan. As pinturas que fazem contraponto com as canções foram pesquisadas e escolhidas pelas datas, pelos motivos pictóricos, pelo estilo e pelas correspondências artísticas de tons, cores, ambientação, harmonias, timbres e direcionalidades, entre outras. As análises foram divididas em duas abordagens sendo a primeira: A imagem, o poema e a melodia e uma segunda abordagem: As combinações, integrações e transformações – Traduções intersemióticas e Écfrases musical.

Tela – Pescador. Óleo sobre tela (1954) e trecho da canção Pescaria (Canoeiro) (1944). (Imagem: Reprodução/Jobim.org)

Pescaria (Canoeiro) – Dorival Caymmi

Ô canoeiro

Bota rede

Bota rede no mar

Ô canoeiro

Bota rede no mar

[...]

 

Ao observarmos a produção artística musical, literária e visual de Caymmi inevitavelmente encontramos em todas elas seus traços, seus tons, suas harmonias, aproximações e distanciamentos sobre os quais ele investe e inverte especificidades de linguagens artísticas sem que essas se diluam e nos escapem ao olhar ou ao ouvido. O tecido musical das telas, os planos, tons, cores, sons, harmonias, dissonâncias, contrastes e reverberações nessas obras de Caymmi foram encontrados e expostos pela pesquisa realizada.

Para essa dissertação a exatidão do contexto científico abriu espaços, mesmo que pequenos, para as abstrações. No campo das artes, esse alento nos permite pesquisar tanto para contestarmos leituras outras, como para quebrar paradigmas limitantes e alcançar outras esferas, lugares em que a arte predomina sobre a ciência sem abandoná-la. A arte, enquanto mistério que conduz e comunica, propondo e provocando novos versos, novos olhares e novos sons.

A dissertação de mestrado em Música, "Música, pinturas e palavras: o processo criativo interartístico e intersemiótico na obra de Dorival Caymmi", defendida por mim junto ao Instituto de arte da UFU (IARTE/UFU) teve como orientador o Prof. Dr. Flávio Cardoso de Carvalho e está disponível no repositório institucional da Universidade Federal de Uberlândia neste endereço eletrônico.

 

*Eduardo Ramos é artista visual e músico. Bacharel e licenciado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Uberlândia e mestre em Música pela mesma universidade. Atualmente é professor de Arte na Rede Municipal de Ensino de Uberlândia e desenvolve trabalhos artísticos e de pesquisas sobre as intermidialidades da música e da pintura. Instagram: @eduardoramosarte.

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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