Celebrado anualmente no dia 2 de abril, com objetivo de promover conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o "Dia Mundial de Conscientização do Autismo" foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 e instituído no Brasil pela Lei 13.652/2018. Em função de abrir espaço e destacar as necessidades e direitos das pessoas autistas, essa data reflete uma realidade de desinformação mundial a ser desconstruída no combate à discriminação e ao preconceito relacionado ao TEA.
O autismo, caracterizado por um desenvolvimento neurológico atípico — o qual prejudica a organização de pensamentos, sentimentos e emoções — é o que centra a proposição da data em questão. Por se manifestar de formas variadas em cada indivíduo, causando situações particulares, dada a extensa gama de traços e graus de necessidade de suporte, o TEA é posto como espectro desde 2013, o que acaba por elevar a quantidade de dúvidas e compreensões erradas, além de consequentes preconceitos, ao que verdadeiramente corresponde esse transtorno.
Tendo isso em vista, o Dia Mundial de Conscientização se empenha em chamar atenção para a causa, com objetivo de compartilhar informações com a população na tentativa de reduzir a discriminação e o estigma, direcionando à promoção de aceitação e aprendizado difundido sobre o tema pela retificação da descompreensão. Nisso, relembra-se a necessidade de evoluir na busca de uma sociedade mais acessível e empática, ajudando ainda, por meio do espaço de conhecimento criado, no contato que levará a menos diagnósticos tardios, além de destacar a importância dos direitos das pessoas autistas.
Nesse sentido, procura-se expressar e valorizar a proposição e a manutenção de condições adequadas para que pessoas com TEA, mais do que permaneçam em grupos, vivenciem completa e plenamente as experiências da vida, considerando suas características individuais. Além disso, é valiosa a criação de oportunidades para trocas de pessoas autistas em conjuntos dentro e fora de seu contexto determinado. Para alcançar a real inclusão vislumbrada, é preciso desenvolver recursos de integração de ferramentas no acesso dos direitos que lhes são destinados pela Política dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
Arthur Villanova é estudante do curso de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e possui diagnóstico de TEA. Segundo ele, há desafios particulares em cada vivência com o transtorno. Villanova comenta que gostaria que as pessoas entendessem melhor que nenhum autista é igual. "Por mais que existam níveis de suporte, todos são autismo e a sensibilidade cansa muito", diz. Quanto à importância da data de conscientização, o estudante expõe: “Penso que a importância e o significado do Dia Mundial da Conscientização do Autismo é divulgar o 'mundo TEA' para os neurotípicos e suas dificuldades e variedades. A fim de termos mais diagnósticos e diminuição do sofrimento invisível.” Concluindo, ele sugere que, caso haja dúvidas sobre o tema ou alguma identificação pessoal com as características do transtorno, busque-se o diagnóstico.
Na realidade do contexto universitário uberlandense, a UFU conta com a atividade do “Coletivo Infinitum” para apoiar e colaborar com a permanência e desenvolvimento da vida acadêmica daqueles que estão em processo de diagnóstico de TEA e os que já lidam com ele. Com este propósito, o coletivo produz encontros e rodas de conversas tematizadas, as quais abrem espaço para a expressão e compartilhamento de experiências, além de grupo de conversa on-line e uma página de divulgação no Instagram.
Constituído por estudantes autistas unidos pela busca da melhora do ambiente universitário no que tange a um espaço mais inclusivo e acolhedor, a comunidade, iniciada em abril de 2023 (anteriormente correspondente ao nome “Coletivo TEA UFU”), surgiu por uma iniciativa do aluno de Jornalismo Paulo Félix, diagnosticado com o Transtorno do Espectro Autista, e também dos professores Nuno Manna — do curso de Jornalismo — e Valéria Asnis — do curso de Pedagogia. Assim, propõe-se ao acolhimento de pessoas dentro do contexto acadêmico, auxiliando nas dificuldades cotidianas e na compreensão das individualidades do TEA.
Também participante do coletivo, Arthur Villanova define como "uma experiência muito boa" o seu contato com o grupo, tendo feito amigos, pelos quais destaca seu grande carinho, e conhecido várias histórias que o enriqueceram.
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Palavras-chave: autismo Dia da conscientização sobre autismo