Publicado em 30/12/2025 às 19:06 - Atualizado em 06/01/2026 às 13:16
Quais são as praias brasileiras com mais quantidade de microplásticos? Onde estão os microplásticos mais perigosos? Questionamentos como estes foram respondidos pelo projeto MICROMar, o maior levantamento de microplásticos (MP) já realizado em ecossistemas costeiros tropicais.
Na pesquisa, coordenada por Guilherme Malafaia, docente do Departamento de Ciências Biológicas do Instituto Federal Goiano e com participação de dois pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), foram coletadas 4.134 amostras de sedimentos em 1.024 praias do litoral brasileiro. Um artigo científico produzido a partir do levantamento, foi publicado na revista Environmental Research, no fim de setembro de 2025.
Além de pesquisadores de instituições brasileiras, assinam o trabalho cientistas da Argentina, da Espanha, do México e dos Estados Unidos. Da UFU, participaram diretamente, Giuliano Jacobucci, docente do Instituto de Biologia e Bárbara Nunes, técnica do Laboratório de Macroecologia e Saúde Ambiental do Instituto de Geografia, Geociências e Saúde Pública.
Como explica o pesquisador da UFU, é considerado microplástico fragmentos que medem entre 5 milímetros e 3 nanômetros. Para termos uma ideia do quão pequeno pode ser um microplástico, basta termos em mente que um nanômetro equivale a um milímetro dividido por um milhão.
O microplástico, que pode se associar a outros contaminantes, está presente no solo, na água e até no ar que respiramos. Ele representa um risco ecológico e para a saúde humana, como ocorre ao entrar na cadeia alimentar.
“Já existem pesquisas, publicadas, encontrando microplástico em sangue humano, placenta, pulmões. E recentemente no coração também foi identificado”, revela Jacobucci.
Esse foi o levantamento costeiro mais abrangente de microplásticos no Sul Global. Os materiais analisados foram coletados entre abril de 2022 e abril de 2023 em 211 municípios dos 17 estados litorâneos brasileiros, correspondendo a, aproximadamente, 7.500 km do litoral (90% da costa brasileira).
Os microplásticos foram extraídos, quantificados e caracterizados por morfologia, cor, tipo e composição química. A ocorrência variou entre os estados: de 16,5% (Espírito Santo) a 90,6% (Sergipe). Em termos nacionais, 69,3% das praias estão contaminadas.
Foram identificados 24.549 microplásticos nas amostras coletadas, em sua maioria fragmentos irregulares com predominância de cores branca, verde e azul. Os polímeros mais comuns foram polietileno (PE), poliestireno expandido (EPS) e polipropileno (PP), entre 21 tipos de polímeros.
As concentrações variaram de 0 a 3483,4 MP/kg, com pontos críticos no Paraná, Sergipe, São Paulo e Pernambuco. Entre as praias que lideram o ranking de contaminação por microplástico está a de Barrancos, no Pontal do Paraná, seguida pela orla de Olinda (PE) e pela Praia da Guilhermina (SP).
No entanto, praias localizadas nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Maranhão e Pará é que apresentaram a predominância de polímeros mais perigosos.
O trabalho, fundamental para a formulação de políticas públicas de gestão costeira do país, teve financiamento de R$1.015.000,00 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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Palavras-chave: microplasticos praias ecologia meio ambiente
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