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Representatividade

“Para mim, o ‘Tô Passada’ é minha madrinha e foi a minha primeira família aqui na UFU”

Robson Gonçalves Junior, graduado em Arquitetura e Urbanismo, se torna o primeiro estudante do cursinho pré-vestibular voltado para jovens LGBTQIAP+ a se formar na universidade

Publicado em 06/02/2026 às 11:08 - Atualizado em 06/02/2026 às 11:49

Robson em sua foto para a formatura (Foto: acervo pessoal)

Robson Gonçalves Junior teve uma trajetória semelhante à de diversos estudantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU): realizar o sonho de entrar na universidade, assistir às aulas, aproveitar diversas  oportunidades que a UFU oferece, como projetos de pesquisa, iniciação científica, participação em congressos, e se formar. Porém, quem vê o jovem do curso em Arquitetura e Urbanismo, que caminhava pelos corredores do Bloco 5O, agora sabe que ele carrega consigo a importância da representatividade, após ser o primeiro estudante do cursinho ‘Tô Passada’ a se formar na universidade.

Ingressante do cursinho em 2020, “Robinho”, como é conhecido, ficou até os primeiros meses de 2021 no Tô Passada, e conta que esse foi seu primeiro contato com a universidade que se tornaria sua segunda casa, após a aprovação no curso de Arquitetura e Urbanismo pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), em maio de 2021. Ele ressalta que o cursinho foi fundamental para se encontrar na Arquitetura, ressaltando o apoio que teve: “Tive contato com outras pessoas maravilhosas também no cursinho, que também estavam no mesmo momento de indecisão e me deram suporte. O Tô Passada foi o meu primeiro contato oficial e eu falo que foi a minha primeira família na universidade. Porque realmente a gente foi recepcionado com muito amor e muito carinho, e eu levo até hoje todo mundo com muito carinho, tenho contato com eles até no final da faculdade”, destaca.

Ele também destaca que fez outros cursos pré-vestibular, mas que o diferencial foi o tratamento que recebeu no Tô Passada: “nos outros, eu sempre fui um número. Eu era mais uma matrícula que pagava mensalidade e era isso. No Tô Passada, a gente é tratado como pessoa, como estudante: eles reconheciam que a gente tinha dificuldades, que a gente tinha empecilhos no caminho e eles sempre estiveram ali nos dando suporte”.

Robson também enfatiza que sua jornada na UFU não foi fácil, e aponta que o apoio da mãe foi fundamental para os estudos, não apenas por contar sobre o cursinho, mas também em uma trajetória marcada por muita luta e apoio dos avós maternos, valorizando todo o apoio e dedicação da família.

“Minha mãe estava na faculdade, mas abandonou os estudos, pois se casou com meu pai, teve filhos e não terminou a graduação. Ela se divorciou em 2009 e voltou a estudar, mas não tinha emprego. Então, ela foi embora com três filhos pequenos e fé, conseguindo se formar, retomar a carreira dela e formar eu e meus dois irmãos na universidade pública em cursos de direito, engenharia de computação e agora arquitetura. É uma trajetória que a gente olha para trás e fala: ‘conseguimos, a gente deu uma volta por cima!’”, conta orgulhoso.

“É um sentimento de missão cumprida. Desde pequeno, eu sempre fui instruído a estudar. Minha mãe sempre me ensinou que os estudos sempre vêm em primeiro lugar, e ela sempre privou eu e meus irmãos de trabalhar para podermos nos dedicar aos estudos. Ela fez isso com muita dificuldade, e eu estar concluindo aqui na UFU, no curso que eu estou, do jeito que eu estou me formando, é um sentimento de missão cumprida”, completa.

Robson destaca que, ao longo da graduação, começou a ter contato com os professores e com a gestão da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAE/UFU), e começou a ocupar espaços que nunca tinha imaginado estar tomando. Ele também aponta que o núcleo de pesquisa em habitação do Grupo Mora, comandado pela professora Simone Villa, foi fundamental para mais oportunidades dentro e fora da graduação.

“Eu fiz publicações em congressos no Brasil, em Portugal e na Costa Rica, publicações em revistas… Por exemplo, fui convidado pela Ambiente Construído, que é uma uma revista dificílima de conseguir publicação, para publicar um periódico! É gratificante ver essa trajetória que eu fiz”, destaca.

Por fim, Robson enfatiza que é um marco muito importante ser o primeiro estudante que passou pelo Tô Passada a se graduar na universidade. “Eu me sinto uma diva pop! (risos) Mas é um sinal de que o Tô Passada está no caminho certo. Todo começo de ano, eu vejo as aprovações e, a cada ano que passa, elas aumentam. Eu fico muito feliz de ver que pessoas LGBTQ+ estão entrando e colorindo na universidade, e que agora estão começando a se formar”, finaliza.

Fernanda Victor, coordenadora do Tô Passada, também destacou a trajetória de Robinho, aluno da primeira turma do cursinho e um dos primeiros aprovados na universidade. Ela relembra que ele retornou para ajudar o Tô Passada, após a aprovação nas áreas de marketing e redação, e que o cursinho realmente é visto como uma grande família.

“É muito gratificante observar que os alunos entendem a importância do projeto em suas vidas e voltam para trabalhar conosco. Um dos maiores objetivos do cursinho é promover a inclusão, então a gente realmente se transforma em uma grande família, muitos estão voltando para trabalhar conosco também: na nossa equipe atual, temos pelo menos dez pessoas que fizeram parte do projeto, então a gente mantém esse vínculo!”, completa.

“O primeiro estudante formado é uma alegria muito grande. É entender que nosso objetivo e nosso propósito está valendo a pena, que estamos conseguindo alcançar o que a gente almejava desde o início, e isso é muito gratificante. A formatura dele mostra que é possível, ela encoraja nossos alunos, e essa é uma das grandes funções do cursinho: existem espaços que podemos e devemos ocupar, e esse lugar também nos pertence. Ver a vitória de um é inspirador para que os outros também possam vencer”, finaliza.

Inscrições abertas

O ‘Tô Passada’ está com inscrições abertas até o dia 15 de fevereiro para a sua turma do ano de 2026, voltada para estudos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA). Confira o edital e o formulário de inscrição, que também estão disponibilizados no Instagram do projeto.

É necessário se identificar como membro da população LGBTQ+ e ter mais de 16 anos para participar, além de comprovação de condição socioeconômica. As aulas ocorrem de segunda à sexta-feira, em período noturno, das 19h às 22h30, com algumas ocorrendo aos sábados, e são realizadas nas dependências da UFU, podendo acontecer de maneira remota caso seja necessário.

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Palavras-chave: Formatura representatividade Tô Passada arquitetura e urbanismo MORA

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