Publicado em 10/04/2026 às 12:32 - Atualizado em 10/04/2026 às 14:40
A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é uma condição clínica que afeta cerca de três em cada dez adultos no Brasil. A doença é considerada um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, doença renal, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O alerta para o problema ganha força com o "Abril Vermelho", mês que abriga o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, instituído no dia 26. Em 17 de maio, também é lembrado o Dia Mundial da Hipertensão.
Para mobilizar a população, a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) lançou a campanha de 2026 com o tema "Controlando Juntos a Hipertensão". A iniciativa tem como foco principal o rastreio para identificar pessoas com valores de pressão alterados e a conscientização sobre a importância de adotar um estilo de vida mais saudável.
Para entender melhor os impactos dessa condição e os caminhos para a prevenção, separamos cinco fatos que você precisa saber sobre a doença. Para isso, conversamos com Valéria Nasser Figueiredo, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (Famed/UFU) e integrante da SBH.
A característica mais perigosa da hipertensão é a ausência de sinais de alerta claros. Figueiredo explica que, na grande maioria das vezes, a condição não apresenta sintomas e muitas pessoas continuam se sentindo perfeitamente bem, mesmo com a pressão arterial elevada. Embora manifestações como tontura e dor de cabeça possam surgir, elas não são um parâmetro confiável para o diagnóstico.
O grande perigo mora justamente na falta de aviso do corpo. "A pessoa não sabe que tem a doença e, sem tratamento, pode evoluir para complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal", alerta a docente. Por isso, a única forma segura de identificar alterações precocemente é por meio da medição regular da pressão.
Quando se fala em pressão alta, a primeira recomendação que vem à mente costuma ser o corte de sódio. Contudo, o controle da pressão exige uma abordagem mais ampla. A professora ressalta que hábitos frequentemente negligenciados são essenciais para manter a saúde cardiovascular em dia.
Ela lista que a prática regular de atividade física (com a meta de pelo menos 150 minutos por semana), o controle do peso, o gerenciamento do estresse e uma dieta baseada em alimentos naturais são pilares indispensáveis. Além disso, é necessário reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e abandonar o cigarro. Segundo ela, pequenas mudanças na rotina diária já produzem benefícios significativos, especialmente nas fases iniciais da doença.
A imagem da hipertensão como uma doença exclusiva da terceira idade está ficando no passado. Figueiredo aponta que há um aumento de diagnósticos entre pessoas mais jovens, um reflexo direto do estilo de vida contemporâneo.
"Sedentarismo, alimentação ultraprocessada, excesso de peso, estresse e uso de álcool e tabaco têm contribuído para esse cenário", detalha. O surgimento precoce desses fatores de risco, que antes demoravam mais a aparecer, acende um alerta sobre a necessidade de incorporar a prevenção à rotina desde a juventude.
Receber a notícia de uma doença crônica pode assustar, mas o diagnóstico é apenas o primeiro passo para garantir longevidade. O conselho prático da pesquisadora para quem acabou de descobrir a condição é direto: não negligencie e inicie o acompanhamento médico imediatamente.
Ela enfatiza que a hipertensão tem controle, mas exige um compromisso duplo do paciente: a adesão rigorosa ao tratamento indicado e a mudança definitiva no estilo de vida. "Mesmo sem sintomas, é fundamental manter o acompanhamento regular", orienta Figueiredo, destacando que controlar a pressão no presente é a garantia de qualidade de vida e o melhor escudo contra as complicações no futuro.
A universidade desempenha um papel ativo no enfrentamento do problema, integrando ensino, pesquisa e extensão. A UFU é uma das parceiras na "Campanha Menos Pressão", promovida pela SBH, que realiza ações diretas com a comunidade. Em Uberlândia, a mobilização ocorrerá no dia 25 de abril, no Terminal Central.
A ação mobilizará estudantes e docentes de vários cursos da área da saúde. O objetivo é realizar a aferição correta da pressão, oferecer orientação, identificar indivíduos com níveis elevados e encaminhá-los para a rede municipal de saúde. "Essas iniciativas são importantes porque muitas pessoas descobrem alterações pela primeira vez em ações como essas, o que permite o diagnóstico precoce e o início do acompanhamento", finaliza.
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Palavras-chave: hipertensão abril vermelho combate prevenção
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