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Ciência

Pontes e barreiras: uma investigação sobre as interações entre estudantes cotistas e a universidade

Pesquisa busca relatos de egressos e servidores para analisar como os processos comunicacionais impactam a permanência estudantil

Publicado em 16/04/2026 às 10:12 - Atualizado em 16/04/2026 às 14:07

Ferramentas digitais de comunicação também serão analisadas na pesquisa. (Imagem: Canva/Captura de tela/Adaptada)

 

A evasão no ensino superior, especialmente entre estudantes ingressantes por cotas, é um desafio que envolve múltiplos fatores e impacta diretamente o acesso à universidade pública. O Plano Institucional de Desenvolvimento e Expansão da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) 2022–2027 inclui indicadores de permanência e evasão estudantil como parte do monitoramento da graduação e aponta que, em 2025,  cerca de um em cada dez estudantes cotistas deixou seu curso.

Na UFU, a pesquisa de mestrado de Suélen Vilela Cruvinel Flores busca compreender qual o papel dos processos comunicacionais nesse fenômeno, investigando de que forma os estudantes expressam suas dificuldades e como essas demandas são recebidas institucionalmente. O estudo é desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Tecnologias, Comunicação e Educação (PPGCE), sob orientação do professor Douglas de Paula.



'A comunicação é a própria vida da instituição'

Atuando na assistência estudantil do Campus Monte Carmelo da UFU há 14 anos, Flores afirma que os atendimentos cotidianos com estudantes e servidores foram fundamentais para encontrar seu foco na pesquisa do mestrado: “Eu fui percebendo que a comunicação é, de fato, muito importante para a permanência dos estudantes”.

O orientador da pesquisa também reforça seu papel estruturante no funcionamento universitário ao afirmar que “a comunicação é a própria vida da instituição”, e seria fundamental para a compreensão aprofundada da relação entre estudante e universidade. A mestranda explica essa ideia: “Ela pode estar presente nesse processo de evasão, não como causadora, mas como parte desse processo”.

Colocando os fluxos comunicacionais em foco, o objetivo específico da pesquisa é compreender como o aluno expressa suas dificuldades e identificar “se há ruídos e quais são as coisas positivas dessa interação”. Além de ouvir relatos de egressos cotistas, a proposta também inclui conversar com servidores para entender os limites institucionais nesse processo. “Os servidores também têm algumas dificuldades em oferecer respostas, seja por questões de conjuntura ou das políticas públicas”, afirma Flores.



Tecnologia e o desafios da inclusão digital

Outro ponto de atenção da pesquisa é o papel dos sistemas digitais nas interações com a universidade. Flores destaca que, em sua atuação como assistente social, identificou as tecnologias como dificultadoras em algumas situações. “Inclusão digital não é somente o estudante ter um dispositivo, mas é conseguir fazer a leitura das informações, acessar o sistema”, completa.

De Paula reforça que as ferramentas digitais precisam ser pensadas como facilitadoras: “Essas interfaces precisam ser uma coisa humanizante, não pode estar ali por ela própria, mas estar ali pelo ser humano”. Ao ouvir os relatos dos egressos, os pesquisadores buscam entender se aspectos dos canais de escuta digitais influenciam na decisão de permanecer ou não na instituição.



Escuta, acolhimento e cuidado

De Paula explica que toda pesquisa de público por si só já é muito desafiadora e exige muita sensibilidade. A escuta direta dos relatos dos estudantes seria, então, uma forma de evitar que hipóteses prévias sobre o tema guiem a pesquisa. “Ao invés de a gente supor que o problema tá num determinado lugar, por que a gente não abre mais e pergunta diretamente para essas pessoas?”, explica o docente.

Por se tratar de um recorte voltado aos estudantes cotistas, a investigação busca compreender se as desigualdades sociais que atravessam a permanência universitária são levadas em consideração nos canais de apoio. “O corpo de profissionais que lida com isso está sensibilizado para essa questão? E se sim, será que estão devidamente orientados quanto ao que fazer?”, exemplifica De Paula.

Nesse contexto, a condução das entrevistas exige neutralidade e cuidado para não adotar uma postura acusatória. O orientador da pesquisa explica que essa abordagem é desafiadora para ele e Flores por trabalharem na própria instituição em que estão realizando o estudo: “o entrevistado pode ter uma tendência de dizer aquilo que ele acha que o entrevistador quer escutar”.

 

Como participar

A pesquisa está aberta a estudantes de graduação da UFU que ingressaram por meio de cotas e deixaram o curso entre 2024 e 2025, além de servidores que atuaram no atendimento a esse público. Após o preenchimento de um formulário inicial, acontecerá uma entrevista que pode ser realizada de forma presencial ou virtual. Para participar, acesse o formulário on-line ou entre em contato com Flores.

De Paula destaca o compromisso ético que orienta todo o processo, especialmente diante de um tema sensível: “Isso é feito com muito cuidado, a gente é monitorado por um comitê de ética”. Além disso, o participante possui a liberdade de sair da pesquisa no momento que quiser.

 

 

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Palavras-chave: cotas Comunicação Tecnologia Evasão

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