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CIÊNCIA

Como os pesquisadores são identificados no mundo todo?

Conhecido como o ‘CPF do pesquisador’, ORCID evita ambiguidades em publicações e viabiliza a integração com plataformas globais de pesquisa

Publicado em 14/05/2026 às 12:19 - Atualizado em 14/05/2026 às 12:31

UFU foi a primeira universidade federal brasileira a aderir ao ORCID como membro institucional (Imagem: Freepik/Adaptada)

No Brasil, o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) é o documento que identifica o cidadão de forma única em meio a milhões de pessoas. No contexto da pesquisa acadêmica, os cientistas também enfrentam um desafio de identificação semelhante. Para solucionar essa questão, foi criado o ID de Pesquisador e Colaborador Aberto, no inglês, Open Researcher and Contributor ID (ORCID), um identificador digital único e persistente, que conecta de forma segura e padronizada autores, instituições e produções científicas ao longo de toda a trajetória acadêmica. 

Sem esse registro, pode acontecer uma ambiguidade de nomes, além de casos de homônimos ou mudanças de sobrenome, o que pode fazer com que artigos, livros e descobertas não sejam associados ao seu verdadeiro autor ou acabem atribuídos a terceiros, como explica Maira Nani França, diretora do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Uberlândia (Sisbi/UFU).

Como consequência dessa falta de padronização, há perda de visibilidade e de citações, reduzindo o alcance e o impacto das pesquisas. Além disso, a ausência de um sistema integrado obriga o cientista a preencher repetidamente as mesmas informações em currículos locais, como a Plataforma Lattes, e em diversos outros sistemas de avaliação de agências de fomento, tornando a gestão da própria carreira um processo altamente burocrático e sujeito a erros.

Para contornar esse retrabalho e inserir o Brasil em um ecossistema global integrado, instituições do país têm se articulado em torno do Consórcio ORCID Brasil, uma parceria que envolve a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). O objetivo do acordo é estabelecer uma comunicação direta entre os sistemas acadêmicos, permitindo que os dados dos pesquisadores circulem de forma automatizada. Na prática, o cenário aponta para um futuro onde plataformas como Lattes, repositórios institucionais e portais de periódicos consigam conversar entre si.

A UFU foi a primeira universidade federal brasileira a aderir ao ORCID como membro institucional, ainda em 2019. Naquele mesmo ano, o Sisbi/UFU desenvolveu uma solução personalizada para integrar o identificador ao Repositório Institucional da universidade. O foco inicial dessa política foi dar visibilidade às teses e dissertações dos programas de pós-graduação, passando a exigir o ORCID autenticado dos autores no momento do depósito, como explica França. Posteriormente, em 2022, o identificador também foi incorporado ao Portal de Periódicos da UFU.

Embora a universidade ainda não tenha aderido formalmente ao consórcio, a diretora revela que a instituição realiza, desde o ano passado, estudos de viabilidade técnica, administrativa e financeira para avaliar a participação. O modelo coletivo favorece a redução de custos, o compartilhamento de boas práticas entre as universidades e o acesso a ferramentas que permitem atualizar informações de pesquisadores em larga escala.

 

Para quem está começando

Para os estudantes que estão começando a carreira de pesquisadores, seja na iniciação científica ou no mestrado, a recomendação é realizar desde cedo a organização da identidade digital. O cadastro na plataforma é rápido, gratuito e atua como um elemento estratégico para o futuro profissional, como aconselha França: "o ORCID facilita a conexão entre pesquisadores, instituições, publicações e projetos, além de ampliar oportunidades de colaboração científica".

Nesta quinta-feira (14/5), a partir das 19h30, a Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) e a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (Febab) promovem a live “Conversando sobre: O Consórcio ORCID Brasil”. O encontro virtual aprofunda as questões do identificador e será realizado pelo canal da Febab no YouTube, sob mediação de França, que coordena a CBBU.

 

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica.

Palavras-chave: orcid Biblioteca sisbi identificação pesquisador

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