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Institucional

Gestão Superior da UFU e estudantes reúnem-se no Campus Pontal para debater sobre segurança e outras demandas locais

Encontro ocorreu nesta terça-feira (26), após comunidade acadêmica se mobilizar por infraestrutura e medidas de proteção devido à violência sofrida por aluna

Publicado em 26/05/2026 às 18:48 - Atualizado em 26/05/2026 às 19:28

Diálogo apontou medidas que já estão sendo feitas pela Gestão Superior e pontos que serão realizados a curto e médio prazo (Foto: Milton Santos)

Reuniram-se nesta terça-feira (26), no Campus Pontal da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Ituiutaba, a gestão superior da instituição e representantes do movimento estudantil. O encontro teve como objetivo dar continuidade aos diálogos sobre a segurança na unidade, ouvir as demandas da comunidade acadêmica e alinhar as medidas institucionais.

Além do reitor Carlos Henrique de Carvalho, estiveram presentes os representantes da Gestão Superior: Juliana Cardoso Braga, prefeita universitária; Luciana Saraiva da Silva, pró-reitora de Assistência Estudantil; Waldenor Barros Moraes Filhos, pró-reitor de Graduação; Thiago Gonçalves Paluma Rocha, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação; Rejane Alexandrina Prado, assessora da reitoria no Campus Pontal; e Marcelo Gonçalves Oliveira Vieira, presidente do Fórum de Gestores do Campus Pontal.

Já a comunidade estudantil esteve presente por meio do Comando de Greve dos Estudantes em Ocupação do Campus Pontal, integrado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), Centros Acadêmicos (CAs) e onze alunos representantes de cada curso da unidade. Durante a reunião, a gestão superior e os estudantes debateram a urgência de melhorias no Pontal.

 

Histórico do caso e ações institucionais

Na última quinta-feira (21), um homem sem vínculo com a comunidade universitária acessou as dependências do Campus Pontal e tentou violentar uma estudante da instituição. A aluna recebeu auxílio imediato de membros da comunidade universitária e da equipe de vigilância do campus, e a Polícia Militar efetuou a prisão em flagrante do agressor. Em resposta ao ocorrido e ao sentimento de insegurança, os estudantes iniciaram uma ocupação nas dependências do campus, condicionando o retorno das atividades à abertura de uma mesa de negociação direta com a Reitoria.

Mobilização dos estudantes
Campus Pontal foi ocupado pelos estudantes no dia 21 de maio, com suspensão das aulas até estabelecimento da mesa de negociação com a Gestão Superior (Foto: Milton Santos)

Logo na sexta-feira, 22 de maio, a Gestão Superior adotou as primeiras providências presenciais com o envio de uma comitiva a Ituiutaba, composta pela chefe de gabinete, pela pró-reitora de Assistência Estudantil e pela prefeita universitária. Pela manhã, as representantes da gestão ouviram as diretorias das unidades acadêmicas e reuniram-se com os líderes do movimento estudantil, acatando prontamente a abertura da mesa de negociações. 

À tarde, participaram da reunião do Fórum de Gestores do Campus Pontal, onde foi reafirmado o repúdio institucional à violência e a necessidade de construção coletiva de medidas emergenciais. Paralelamente, a pró-reitora de Assistência Estudantil e a psicóloga da Proae/UFU compareceram à residência da estudante vítima para prestar acolhimento e escuta, enquanto o reitor encaminhou um ofício ao 54º Batalhão da Polícia Militar solicitando o apoio de policiamento preventivo nas imediações do campus.

Hoje, na mesa de negociação, o reitor destacou os próximos passos: "Nós estabelecemos um cronograma de ações de curto, médio e longo prazo, que após submissão na assembleia geral [do movimento] e deliberação, o campus será liberado, se assim for decidido pelos estudantes. Só tenho a agradecer a todo o comando por nos ouvir; nossas colocações e esclarecimentos".

"[Hoje] nós trouxemos nossas reivindicações e as propostas que foram definidas em plenária, em conjunto com os movimentos estudantis do Pontal. Encaminhamos para algum lugar [de direcionamento] e, após a reunião, levaremos os pontos definidos como prioridade pela Reitoria em uma nova plenária", explicou João Vitor Alves de Carvalho, representante do Comando de Greve.

 

Reivindicações dos estudantes e encaminhamentos

Representante do movimento
Comando de Greve dos Estudantes em Ocupação do Campus Pontal apresentou reivindicações que vão desde a segurança até a permanência estudantil (Foto: Milton Santos)

O movimento estudantil, cuja legitimidade foi reconhecida pela gestão superior como uma expressão fundamental dos processos democráticos da universidade, protocolou o Ofício nº 004/2026, que detalha os eixos prioritários para a mesa de negociação. O documento, que enfatiza o acúmulo de problemas estruturais e condiciona a desocupação do campus à resolução dessas pautas, abrange exigências que vão desde ações emergenciais de proteção até políticas de longo prazo. Entre os principais pontos reivindicados estão:  

  • Segurança e proteção: ampliação imediata do efetivo de vigilância e de rondas (internas e policiais); modernização do monitoramento por câmeras para eliminação de pontos cegos; controle tecnológico de acesso via biometria e crachás; instalação de botões de pânico pelo campus e no aplicativo da UFU; e a formulação de protocolos permanentes de acolhimento e suporte institucional psicológico e psiquiátrico para vítimas de assédio e violência.
  • Infraestrutura e iluminação: melhoria integral da iluminação interna e no entorno da universidade; reabertura de rotas seguras para pedestres, como a portaria do Bairro Baduy; alocação de uma equipe técnica local de manutenção; e adequações estruturais.
  • Restaurante Universitário e moradia: garantia de funcionamento contínuo do RU todos os dias da semana, englobando o período noturno aos finais de semana, sob rigorosa fiscalização sanitária; e o compromisso de construção de uma moradia estudantil voltada exclusivamente ao Campus Pontal. 
  • Assistência e permanência estudantil: reajuste dos valores de bolsas e auxílios (sem fracionamento no pagamento); desburocratização de processos assistenciais; implementação de cotas trans em todos os campi; aprimoramento anti fraude nas bancas de heteroidentificação; e criação de um Centro de Convivência Estudantil para garantir um espaço seguro de permanência. 
  • Transporte e mobilidade: retorno do transporte intercampi e intermunicipal; e articulação direta da gestão da UFU com a Prefeitura Municipal para melhorias de urbanismo no entorno do campus, incluindo pavimentação, iluminação pública, ciclovias e adequação de calçadas.  
  • Ensino, pesquisa e extensão: investimento permanente em infraestrutura de laboratórios e fomento acadêmico, garantindo suporte técnico especializado e financiamento para trabalhos de campo e projetos de extensão.

Além das primeiras medidas adotadas na sexta-feira, a UFU apresentou encaminhamentos institucionais que já estão em curso:

  • Acolhimento contínuo à vítima: manutenção do suporte psicológico e de saúde mental pela Proae/UFU e articulação de apoio jurídico por meio da Comissão Permanente de Acompanhamento da Política Institucional de Valorização e Proteção das Mulheres (CP Mulheres) e Coletivo Acolhidas, que já estabeleceu contato com o Ministério Público Estadual.
  • Apoio aos estudantes mobilizados: garantia de condições mínimas de permanência durante a ocupação, incluindo acesso ao Restaurante Universitário (RU) e a liberação do chuveiro da academia universitária.
  • Infraestrutura e iluminação: determinação à Prefeitura Universitária para dar continuidade e celeridade ao planejamento de melhorias e reforço na iluminação interna e caminhos entre blocos, dando sequência às intervenções que já vinham ocorrendo desde janeiro de 2025.
  • Articulação com órgãos externos: contato realizado com a Prefeitura de Ituiutaba para planejar uma visita técnica conjunta com engenheiros municipais e com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para diagnosticar as demandas de iluminação pública no entorno do campus. Após a conclusão do relatório, uma audiência será agendada com o presidente da Cemig.
  • Plano de trabalho integrado: criação de um comitê administrativo para elaborar, a partir de 25 de maio, um plano detalhado com ações de curto, médio e longo prazo, apontando estimativas de custos e unidades responsáveis.

mesa de negociação desta terça-feira (26) estabeleceu um cronograma de novos compromissos a serem executados pela gestão superior, divididos por frentes de atuação e prazos:

  • Curto prazo (até 30 dias): Implementação de vigilância motorizada com aumento de rondas preventivas; reforço imediato na estrutura de iluminação (ação que aguarda a liberação do movimento para a entrada das equipes técnicas no campus); e desenvolvimento de um Procedimento Operacional Padrão (POP) específico para a segurança no Pontal.
  • Curto e médio prazo (60 a 90 dias): Instalação de novas câmeras de videomonitoramento, mediante mapeamento estratégico para mitigar pontos cegos; implementação de botões de pânico físicos nas dependências e estudo para implementação em formato digital no aplicativo UFU Mobile; integração do sistema de câmeras do município de Ituiutaba com a central de segurança da UFU; e elaboração de um estudo, com apoio da Prefeitura Universitária, para viabilizar um controle de acesso rigoroso nas portarias.
  • Médio e longo prazo: Criação do espaço de convivência estudantil, atendendo a uma das principais demandas de infraestrutura e permanência do movimento.

Para avaliar as propostas apresentadas pela Gestão Superior e os acordos firmados na reunião, o Comando de Greve dos Estudantes convocou uma plenária, que ocorrerá ainda nesta terça-feira (26). A assembleia discente irá colocar em votação a continuidade ou o encerramento da ocupação do campus, definindo os rumos para a possível retomada das atividades acadêmicas e administrativas.

 

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Palavras-chave: Campus Pontal Pontal Ituiutaba ocupação

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