Publicado em 03/07/2026 às 13:39 - Atualizado em 03/07/2026 às 14:12
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) desenvolve três projetos de pesquisa aprovados pela Brics Network University (Brics-NU), a rede de universidades do Brics, bloco econômico que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além dos novos membros: Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia, Indonésia e Irã. A iniciativa promove a integração entre instituições de ensino superior desses países, financiando pesquisas e possibilitando a mobilidade acadêmica. A rede inclui vinte universidades brasileiras e possui diversas linhas de pesquisa. Na área temática Água e Poluição, a UFU representa o país ao lado da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Dois dos projetos são coordenados por pesquisadores do Instituto de Química (IQ/UFU) e um é desenvolvido em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC/UFU). As propostas foram desenvolvidas por uma comissão da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propp), em conjunto com a Diretoria de Relações Internacionais e Interinstitucionais (Drii). Além do presidente da comissão, Antonio Otavio de Toledo Patrocínio (IQ/UFU), o grupo é composto pela diretora de Pós-Graduação Yara Cristina de Paiva Maia, a diretora de Relações Internacionais e Interinstitucionais Valeska Virgínia Soares Souza, e o professor Daniel Pasquini, também do Instituto de Química.
Os três projetos terão duração de quatro anos e receberão um investimento de R$ 1,7 milhão cada. "A ideia é que nos próximos quatro anos sejam desenvolvidas ações de mobilidade, com a realização de missões de trabalho de pesquisadores e professores das universidades brasileiras aos parceiros estrangeiros", afirma o presidente da comissão. Além da mobilidade internacional, o financiamento será destinado à formação de mestres e doutores, produção científica e desenvolvimento de novas tecnologias
"É importante enfatizar o caráter fundamental da internacionalização. Serão criadas novas oportunidades para que os estudantes possam conhecer outro país, conhecer uma nova instituição de pesquisa, trocar experiências e buscar novos conhecimentos", completa Patrocínio. Confira abaixo os três projetos aprovados:
1. Membranas multifuncionais para o tratamento de água
Coordenado pelo professor Daniel Pasquini, o projeto desenvolverá novos materiais para tornar mais eficiente a remoção de poluentes da água, em parceria com a Universidade Estadual de São Petersburgo, na Rússia.
A pesquisa produzirá diferentes tipos de membranas, que funcionam como filtros capazes de reter impurezas cada vez menores. O objetivo é capturar contaminantes em escala nanométrica, ou seja, extremamente pequenos. Se dividíssemos um metro em um bilhão de partes iguais, um nanômetro corresponderia a apenas uma delas.
Além das membranas de fibra oca e das membranas poliméricas, a equipe desenvolverá adsorventes produzidos a partir de biomassa. Esses materiais atraem e concentram os poluentes, facilitando sua remoção da água.
Os pesquisadores também utilizarão simulações computacionais para aprimorar o desempenho desses materiais. A proposta é combinar diferentes etapas de filtração e adsorção para tornar o tratamento da água mais eficiente.
2. Eliminação de poluentes da água por meio da luz solar
Coordenado pelo professor Antonio Otavio Patrocínio, o projeto desenvolverá materiais à base de energia solar que eliminam poluentes acumulados de atividades urbanas, industriais e agrícolas e que escapam dos tratamentos convencionais da água. O projeto é realizado em parceria com a Universidade Estadual de São Petersburgo e a Universidade de Sichuan, na China.
A proposta do projeto é que, quando expostos à luz solar, os nanomateriais serão capazes de decompor contaminantes como resíduos de medicamentos, produtos de higiene pessoal e microplásticos em substâncias inofensivas. O projeto também busca decompor substâncias químicas chamadas de PFAS (per- e polifluoroalquiladas), que são associadas a inúmeras doenças e que não se degradam facilmente. Os materiais produzidos durante a pesquisa serão testados em diferentes tipos de água para avaliar sua eficiência e o potencial de aplicação em larga escala.
"Hoje existem diversos poluentes na água em concentrações muito pequenas, mas que podem causar grandes efeitos na saúde humana e na vida aquática. Nosso objetivo é desenvolver soluções eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis para removê-los", explica Patrocínio.
3. Brics-Nexus: evitando crises hidroambientais
Desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com participação do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da UFU, o projeto "Brics-Nexus: Integrando Água, Energia, Alimentos e Ecossistemas para a Próxima Geração de Cidades do Brics" busca entender como as mudanças climáticas, o crescimento das cidades e as alterações no uso do solo afetam a biodiversidade e a qualidade da água, com o objetivo de contribuir com futuras políticas públicas.
A iniciativa reunirá pesquisadores da Universidade de Alexandria, no Egito, do Instituto Indiano de Tecnologia Kanpur, na Índia, e da Universidade Americana de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos. “Apesar das diferenças socioeconômicas entre os países que participam dos três projetos, a preocupação com o tema poluição e corpos d'água é comum. Aqui a gente tem uma união de expertises para tentar desenvolver novas soluções, soluções disruptivas, para esse problema”, afirma Patrocínio.
Os pesquisadores da UFU terão um papel importante no desenvolvimento e na aplicação de modelos hidroambientais, na análise de cenários e na integração de dados. Uberlândia será uma das cidades utilizadas como estudo de caso para validar as estratégias com potencial de serem aplicadas às demais cidades participantes do Brics.
A equipe utilizará inteligência artificial, imagens de satélite e modelos computacionais para simular cenários futuros e antecipar problemas como enchentes, secas, degradação da qualidade da água e mudanças no uso do solo. Segundo Iran Eduardo Lima Neto, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC e coordenador do projeto, os resultados das pesquisas contribuirão com ações de controle de poluição e de saneamento mais eficientes.
"Embora o projeto tenha forte caráter científico, seus resultados terão aplicação direta na vida cotidiana da população. Ao melhorar a compreensão e a previsão de eventos extremos, os modelos poderão apoiar sistemas de alerta e o planejamento urbano, reduzindo riscos à população", finaliza o docente.
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Palavras-chave: BRICS BRICS NU pesquisa Propp água poluição Química Engenharia Civil
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