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Documentario

“O Som e o Eco“ entra em cena no cinema da UFU

Exibição acontece no dia 18/09 e retrata a Feira Livre do Som de 1972 que aconteceu em Uberlândia e reuniu grandes artistas do rock nacional

Publicado em 16/09/2026 às 13:45 - Atualizado em 16/09/2026 às 16:08

Arte de divulgação/ O documentário será transmitido pelo Cinema da UFU, gratuitamente, no dia 18/09, às 20h30

O documentário “O SOM E O ECO” é uma produção independente, fruto da pesquisa desenvolvida por  Lu de Laurentiz, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Design da Universidade Federal de Uberlândia  (Faued-UFU) e  tem incentivo do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC), da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SMCT), da Prefeitura Municipal de Uberlândia (PMU). 

A produção aborda que, em dezembro de 1972, Uberlândia sediou a histórica “Feira Livre do Som no UTC [Uberlândia Tênis Clube]”. Um festival cultural que teve como atrações os músicos: O Terço, Mutantes, Serguei, Sá Rodrix & Guarabyra e o cantor Tim Maia. A chave que move o documentário é a ausência de conteúdos audiovisuais que mostrem como foi esta história, Lu de Laurentiz realiza uma reconstrução da história, partindo de documentos, imagens, pesquisas e das memórias associadas ao período. 

O professor reforça a importância do documentário para o incentivo à cultura local: “Penso que uma das relevâncias do filme vem da concordância com a fala do Marcelo Rubens Paiva, na Feira do Livro de São Paulo em 2024, quando, em uma mesa redonda, ele disse que a cultura deve falar e também deve lembrar da ditadura militar. Lembrar para não esquecer e não esquecer para nunca mais voltar.  O Som e o Eco é um documentário que visa retratar a cidade de Uberlândia, no período dos anos de chumbo (1969 a 1974), por fontes documentais e por depoimentos de quem era jovem, nesse contexto histórico, após o golpe de 1964”.

O documentário será transmitido no Cinema da UFU, gratuitamente, no dia 18/09, sexta-feira, às 20h30; no Museu Universitário de Arte (MUnA), às 15h, do dia 26/09; e no Centro de Memória da Cultura Negra Graça do Aché (UFU), às 19h30, do dia 30/09.  

Confira, a seguir, a entrevista realizada com Lu de Laurentiz sobre o filme “Som e o Eco”.

Qual a  importância do filme para a comunidade? 

Primeiramente, o nosso filme O SOM E O ECO é um filme independente, ele se constituí em um discurso audiovisual autoral, livre e distante do discurso da mídia comercial tradicional. Para ressaltar a importância deste documentário em nossa comunidade gostaria de resgatar a fala de Marcelo Rubens Paiva, na Feira do Livro de São Paulo em 2024, “A Cultura deve falar e também deve lembrar da ditadura militar. Lembrar para não esquecer e não esquecer para nunca mais voltar”. O Som e o Eco é um documentário que objetiva retratar a cidade de Uberlândia, no período dos anos de chumbo (1969 a 1974), abordando fontes documentais e depoimentos de quem era jovem durante este tempo, após o golpe de 1964. Assim, cruzando passado e presente, o filme pulsa entre as complexas relações de uma cidade dividida entre o otimismo ufanista da ditadura militar e uma efervescente resistência poética-cultural que brotou e floresceu no interior mineiro, entre 1968 e 1974, seja pela militância cultural, seja pela contracultura. 

Como surgiu a iniciativa de realizar este trabalho?

Dentre minhas pesquisas acerca da cena musical uberlandense, surgiu uma descoberta ao acaso que deu origem ao filme, encontrei uma matéria na Rolling Stone de dezembro de 1972 que revelava um fato até então desconhecido de nós que, aqui, trabalhamos com produção cultural. Em plena fase 'pirata' do jornal/revista, Uberlândia entrou no mapa dos primeiros festivais alternativos do Brasil. Isso porque a cidade sediou a Feira Livre do Som, um festival com um elenco iluminado e improvável de ter acontecido. E aconteceu. Vieram para o festival O Terço, Mutantes, Serguei, Sá Rodrix & Guarabyra e Tim Maia, dentre outras feras da música brasileira. Mas, nenhum registro audiovisual ou sonoro foi encontrado (até então). Então, para reconstruir essa memória historicizada e afetiva do contexto contracultural de 1972 no filme, cinco artistas da cena independente da cidade assumem o desafio de interpretar livremente uma música do repertório daquele elenco incrível da nova MPB, captando as invisibilidades e os silêncios que o rock de 1972 teima em ressonar. São eles: Alessandro Terras Altas, Cachalote Fuzz, Duo Country, Mari Dias e Vaine. 

Como foi o processo de produção do documentário, quanto tempo durou? 

Em dezembro de 2024, com o projeto cultural O SOM E O ECO aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Uberlândia (Pmic), a escolha das pessoas a serem entrevistadas e a pesquisa histórica que embasou nosso roteiro já estava parcialmente pronta em meu ensaio científico na Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ). À produção, aconteceu primeiramente na etapa de gravação dos cinco videoclipes no evento A Feira Livre do Som em Uberlândia, 53 anos depois, em setembro do ano passado, no espaço Uberbrau, seguida pela respectiva montagem e edição. Para as filmagens dos depoimentos, os sets escolhidos foram três lugares de memória: a Galeria de Concreto, no Centro Municipal de Cultura, para as falas sobre militância estudantil, racismo e os modos e vozes do amor nos anos de chumbo; o interior do Uberlândia Tênis Clube (UTC), para os testemunhos sobre a Feira de 1972; e o Uberlândia Clube, para os depoimentos sobre a cidade, a cultura urbana, a sociabilidade juvenil na militância poética e, novamente, os modos e vozes do amor. E a mais demorada foi a da pós-produção. Nessa etapa, antes da montagem do roteiro e edição do audiovisual, uma outra pesquisa em fontes iconográficas foi desenvolvida para a narrativa fílmica, incluindo cartazes de festivais contraculturais; a cidade de Uberlândia no começo da década de 1970; o movimento LGBTQIA+; o feminismo e o movimento negro. O tratamento dessas imagens de arquivo levantadas e a finalização de cor e som foi necessário um trabalho minucioso por parte do Eduardo Bernard, diretor de arte.

Como surgiu este  interesse pela cultura local?

Confesso que, desde a minha faculdade, eu sou um sujeito que deseja imensamente dar vida artística aos estudos desenvolvidos. Nesses meus quase trinta e oito anos de dedicação ao ensino, à extensão e à pesquisa na UFUlândia, esse estágio pós-doutoral representou um "ponto de viragem" na minha carreira. A transição do fato ao foco permitiu que ideias e ideais antes latentes no imaginário ganhassem corpo através da linguagem audiovisual como tentativa de interpretação e compreensão da História. Quem sabe eu, esse septuagenário professor e terno curioso pesquisador encarnado, entre a poética e o político por certos comportamentos como as várias contraculturas que existem através dos tempos, ainda continue trazendo dentro de mim, a curiosidade premiada latente do jovem agitador cultural que fui.

Quem está convidado a assistir este documentário? 

O filme é voltado para o público em geral, a partir dos 15 anos de idade, todos aqueles interessados por rock, pela história da música brasileira (1960-1970), pela história de Uberlândia e do Brasil contemporâneo e por sociabilidades juvenis. Enfim, o filme é para pessoas interessadas pelo tema e gênero fílmico. Um detalhe, aqui: menores acompanhados de responsáveis podem assistir ao nosso filme. Além disso, O Som e o Eco possui um caráter pedagógico devido à sua natureza técnico-estética, incorporando pesquisas, imagens de arquivo, história oral e micro história. Como eu e meu co-diretor, Cristiano Barbosa, somos professores, atuamos também como educadores dos sentidos. Buscamos promover uma alfabetização audiovisual por meio do tema, do roteiro e da representação fílmica dessa memória. E, novamente, como um audiovisual independente, ele também é voltado para espectadores/as de mostras e festivais de cinema como “É tudo verdade”, o “IN-EDIT BRASIL”, o “Festival do Rio” e programas de TV voltados para o tema ou o gênero (cinebiografias, documentários e filmes sobre música brasileira). 

 

 

 

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Palavras-chave: documentário #cultura #Cinema Sala de Cinema #TônaUFU

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