Publicado em 29/10/2026 às 17:11 - Atualizado em 29/10/2026 às 17:30
Desde 30 de outubro de 2025, toda quinta-feira, professores, técnicos administrativos e estudantes passam pela bancada do Bora Prosear e contam as mais diferentes histórias para os apresentadores Eliane Moreira e Vitor Hugo Oliveira. Com o objetivo de celebrar o aniversário do programa, hoje, dia 29, a edição é especial, agora é a vez de ouvirmos as histórias dos apresentadores do projeto.
Idealizado pela professora de Jornalismo da UFU Ana Spannenberg, o projeto surgiu a partir da percepção de que as conversas com os entrevistados poderiam ir além das informações factuais, contribuindo também para a preservação da memória institucional.
A ideia ganhou forma durante a gravação de um episódio-piloto, inicialmente planejado para ter apenas dez minutos. Mas as histórias contadas foram tantas, que o papo rendeu e a gravação do piloto terminou com quase uma hora de duração. Para Spannenberg, o que inicialmente foi considerado um problema revelou uma possibilidade para o projeto.
“O Bora Prosear nasceu de modo despretensioso. Queríamos um produto sonoro que levasse a informação de modo descontraído, como um bate-papo de colegas no intervalo do cafezinho, algo que muitas pessoas da comunidade UFU diziam sentir falta, especialmente na nossa configuração de trabalho pós-pandemia”, explica a idealizadora.
Segundo ela, a proposta também dialoga com as discussões sobre a celebração dos 50 anos de federalização da UFU, prevista para maio de 2028, e com o projeto UFU em Pessoa, voltado à valorização de quem contribui para a construção da Universidade. “Fomos percebendo que algumas pessoas eram fontes recorrentes dos nossos produtos jornalísticos, mas não sabíamos nada delas além do profissional. Onde nasceram? Quando chegaram à UFU? O que fazem nas suas horas livres? Enfim, entendemos que uma pessoa é múltipla e, para conhecê-la, ainda que só um pouquinho, precisamos enxergar mais do que apenas a sua faceta profissional”, afirma Spannenberg.
A proposta do programa é explorar aspectos da vida dos convidados que nem sempre aparecem em entrevistas tradicionais. A apresentadora Eliane Moreira destaca que a conversa procura percorrer diferentes momentos das trajetórias, desde a infância até os projetos futuros, sem deixar de abordar a atuação dos entrevistados na Universidade.
“O próprio nome do programa nos remete a uma conversa leve, saindo do aspecto acadêmico e mostrando um pouco a vida do entrevistado. Esse é o diferencial do Bora Prosear. Uma prosa boa que flui, naturalmente, ao abordamos aspectos da vida do entrevistado que vão desde a infância aos projetos futuros”, explica.
Para o apresentador Victor Hugo de Oliveira, a espontaneidade é fundamental para que os convidados compartilhem lembranças e experiências. Ele conta que evita estudar detalhadamente o roteiro antes das gravações, preferindo conhecer a biografia do entrevistado e permitir que a conversa se desenvolva naturalmente.
“A gente vai seguindo e levando o bate-papo para onde a conversa melhor determina. Então, eu acho que isso é comum entre nós dois, entre a produção também”, relata.
Oliveira também observa que as lembranças da infância costumam proporcionar momentos importantes nas entrevistas. Segundo ele, ao falar sobre a família e os primeiros anos de vida, os convidados recuperam memórias que nem sempre aparecem em outros espaços de comunicação.
“Eu acho que a nostalgia é o segredo do Bora Prosear”, afirma o apresentador.
Ele destaca que a conexão emocional com os entrevistados também influencia a experiência de quem acompanha o programa. Entre os episódios que o marcaram, está a entrevista com o professor Newton D’ângelo, da área de História, com quem estudou durante os primeiros anos escolares.
“E a gente foi aluno juntos do 1º ao 4º ano primário. A gente já morava perto, e as histórias dele eram histórias que se assemelhavam muito às minhas e foi um programa muito gostoso de ser feito e em que verdadeiramente assim, eu terminei o programa muito, muito emocionado, até pelo compartilhamento de histórias e da vida que a gente teve lá atrás”, relembra.
Moreira também destaca o potencial transformador das histórias apresentadas. Para ela, entre os relatos mais marcantes estão aqueles que mostram como a educação e as oportunidades oferecidas pela Universidade mudaram a vida dos entrevistados.
“Todas as histórias de vida que apresentamos são surpreendentes. No entanto, as mais encantadoras são aquelas de entrevistados que tiveram suas vidas transformadas pela educação e que, mesmo em meio a um ambiente sem oportunidades, conseguiram transformar suas vidas, por meio da Universidade”, afirma.
A produção dos episódios envolve a escolha dos convidados, a realização de entrevistas prévias, a elaboração dos roteiros, a gravação e a definição das datas de exibição. A produtora Josielle Ingrid explica que o programa busca contemplar diferentes trajetórias de pessoas que fizeram ou fazem parte da UFU, incluindo estudantes, professores, técnicos-administrativos e trabalhadores contratados pela instituição.
Para Ingrid, um dos diferenciais do programa é apresentar aspectos das trajetórias pessoais que não aparecem nos currículos profissionais.“Aliás, esse é um grande diferencial do Bora: a gente entende que currículo importa, mas colocamos em evidência as alegrias e desafios da vida pessoal de quem constrói esse lugar, detalhes que nenhum Lattes registraria”, destaca.
A produtora também aponta o desafio de reunir, em episódios com menos de uma hora, experiências acumuladas ao longo de décadas.“Conseguir identificar nuances muito particulares e ainda sintetizar, em menos de uma hora, histórias que estão sendo vividas há tantos anos. A gente sempre capta, por melhor que seja o trabalho da equipe, apenas uma pequena fração de tudo o que aquele convidado tem para compartilhar”, explica.
Além de registrar essas memórias, o projeto procura mostrar aos entrevistados que suas contribuições continuam relevantes, mesmo depois da aposentadoria ou do afastamento das atividades cotidianas da Universidade.
“Então, antes de qualquer coisa, talvez estejamos ainda no passo de auxiliar as pessoas a perceberem o valor que suas trajetórias pessoais têm e o quanto sempre farão parte do que a instituição tem se tornado. A UFU é construída a muitas mãos”, afirma Ingrid.
Uma universidade feita de pessoas a valorização das experiências individuais também orienta a condução das entrevistas. Para Moreira, a escuta é um elemento central para que as conversas mantenham a naturalidade sem perder a profundidade.
“Uma Universidade é feita de gente e gente é feita de histórias”, destaca a apresentadora, ao explicar a frase que abre os episódios.
Oliveira, por sua vez, considera que a comunicação depende da capacidade de compreender as experiências do outro e estabelecer uma conexão com o público. Para ele, cabe aos entrevistadores estimular os convidados a compartilhar suas histórias de maneira envolvente, despertando a curiosidade de quem acompanha o programa.“A gente que é contador de causos e ouvidor de causos, a gente detecta isso muito facilmente”, comenta.
O programa segue em exibição toda quinta-feira a partir das 20h,na Rádio e Tv Universitária, e também está disponível no “Canal da UFU” no Youtube.
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