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Evento

Memórias que não se apagam: PET Geografia Pontal amplia debate sobre igualdade racial na UFU

Programação reúne conferências, mesas-redondas, exibições de filmes e atividades culturais na Segunda edição do Mês da Consciência Negra

Publicado em 21/10/2026 às 09:43 - Atualizado em 21/10/2026 às 12:57

Programação acontece do dia 6 a 30 de Novembro em Ituiutaba. (Arte: Pet Geografia Pontal)

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, representa um marco para a reflexão sobre a história, a resistência e as contribuições da população negra no Brasil. Em um país atravessado por desigualdades raciais históricas, a data também reforça a importância de manter o enfrentamento ao racismo e a valorização da cultura afro-brasileira como compromissos permanentes.

É com essa perspectiva que o PET Geografia Pontal, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), realiza a segunda edição do Mês da Consciência Negra. Entre os dias 6 e 30 de novembro, o Campus Pontal, em Ituiutaba (MG), recebe uma programação com conferências, mesas-redondas, exibições de filmes, oficina de letramento racial e atividades culturais.

Com o tema “Memórias que não se apagam”, a iniciativa busca ampliar as discussões sobre igualdade racial para além de uma data específica do calendário. Para Lukas Gabriel Augusto Pereira, bolsista do PET Geografia Pontal e um dos principais articuladores do evento neste ano, a continuidade da iniciativa também representa uma reflexão sobre o papel da universidade no enfrentamento ao racismo: “Em 2026, portanto, buscamos não apenas repetir a experiência anterior, mas ampliar os debates, fortalecer as parcerias e reafirmar o compromisso do PET Geografia Pontal com uma universidade pública que reconheça a centralidade das relações raciais na produção do conhecimento e na transformação da sociedade.”

 

Olhar para o passado, e compreender o presente

A escolha do tema desta edição parte do reconhecimento de que a memória não se limita à preservação do passado. As marcas da escravização, as desigualdades raciais, as resistências dos povos negros e suas contribuições historicamente invisibilizadas continuam atravessando a sociedade brasileira. O bolsista petiano Lukas Gabriel comenta: “O tema parte de uma compreensão fundamental de que o passado não se apaga simplesmente porque deixamos de falar sobre ele. A memória permanece nas marcas da escravização, nas desigualdades raciais, nas resistências dos povos negros e nas contribuições que historicamente foram invisibilizadas. Lembrar, portanto, não é apenas olhar para trás, mas compreender como essa história continua atravessando o presente.”. 

Preservar essas memórias também significa questionar os silenciamentos que persistem nas instituições e reconhecer as trajetórias negras na construção da história. A proposta do evento é estimular uma reflexão crítica sobre as experiências que constituem a sociedade e as estruturas que ainda precisam ser transformadas.

Ampliar as discussões para além do dia 20 de novembro é, portanto, uma maneira de romper com a ideia de que a Consciência Negra deve ocupar apenas uma data no calendário. O enfrentamento ao racismo exige aprendizado contínuo e mudanças nas formas de ensinar, pesquisar, conviver e construir instituições. “Existe o risco de que o feriado se torne apenas mais um dia de descanso, quando, na verdade, deve representar uma oportunidade de reflexão, aprendizagem e compromisso coletivo com a igualdade racial. Estamos falando de um país cuja formação histórica foi profundamente marcada pela escravização da população negra e pela continuidade de estruturas de desigualdade que atingem, sobretudo, a população negra. Diante dessa realidade, não é possível acreditar que um único dia de reflexão seja suficiente para compreender e enfrentar um problema que se manifesta cotidianamente nas instituições, na educação, nas cidades e nas relações sociais.” relata Lukas Gabriel. 

 

Memória, ancestralidade e produção do conhecimento

A discussão sobre igualdade racial também passa pelo reconhecimento das contribuições da população negra para a produção do conhecimento. No ambiente universitário, isso significa refletir sobre quais histórias são valorizadas, quais referências orientam a formação acadêmica e quais saberes ainda enfrentam barreiras para serem reconhecidos.

“Durante muito tempo, as experiências, os saberes e as contribuições intelectuais da população negra foram invisibilizados ou tratados como secundários nos espaços acadêmicos. Por isso, discutir memória e ancestralidade também significa questionar quem historicamente teve o direito de produzir conhecimento e quais experiências foram reconhecidas como legítimas”, comenta o petiano Lukas Gabriel.

Essa reflexão ganha espaço na programação do II Mês da Consciência Negra PET Geografia Pontal, que propõe aproximar as discussões sobre relações raciais do campo da Geografia. Para Lukas, “No campo da Geografia, essa discussão é especialmente importante porque o espaço geográfico também é atravessado pelas relações raciais. A maneira como as cidades são produzidas, como determinados territórios são valorizados ou estigmatizados e como a população negra vivencia as desigualdades urbanas não pode ser compreendida sem considerar a dimensão racial da produção do espaço”.

Entre as atividades previstas estão a mesa-redonda “100 anos de Milton Santos: a presença negra na construção do pensamento geográfico” e o debate “Quem produz conhecimento na universidade? Epistemologias negras e o enfrentamento do racismo acadêmico”.

Ao trazer essas questões para o centro do debate, o evento busca valorizar as trajetórias intelectuais negras e ampliar a compreensão sobre como a memória e a ancestralidade participam da construção do conhecimento. A proposta também convida a comunidade acadêmica a refletir sobre o papel da universidade no reconhecimento de diferentes experiências e perspectivas.

Participantes da primeira edição do Mês da Consciência Negra. (Foto: Arquivo Pessoal)
Participantes da primeira edição do Mês da Consciência Negra. (Foto: Arquivo Pessoal)
Reconhecimento e compromisso coletivo

Além dos debates acadêmicos, o II Mês da Consciência Negra PET Geografia Pontal busca aproximar a universidade da sociedade de Ituiutaba e valorizar iniciativas que contribuem para o enfrentamento das desigualdades raciais.

Entre as atividades de encerramento estão o Prêmio Sim à Igualdade Racial no Pontal e o Baile Preto. A premiação pretende reconhecer pessoas, projetos e trajetórias que atuam na valorização da população negra, abrangendo diferentes frentes, como produção acadêmica, educação antirracista, empreendedorismo negro, cultura e mobilização social.

A iniciativa parte do entendimento de que a transformação social não acontece apenas nos espaços formais de produção científica, mas também nos territórios, nas expressões culturais, nas organizações coletivas e nas práticas cotidianas.

Ao promover uma programação distribuída ao longo de novembro, o PET Geografia Pontal reforça que a luta antirracista não pode ser sazonal. O objetivo é que as discussões realizadas durante o evento contribuam para mudanças que permaneçam para além de seu encerramento, fortalecendo o compromisso da universidade e da sociedade com a diversidade, o reconhecimento das contribuições negras e a justiça racial.

 

Programação

6 de novembro (sexta-feira)

  • Manhã: conferência de abertura — “Memórias que não se apagam: por que falar de igualdade racial hoje?”.
  • Noite: talkshow Tô Careca de Saber.
  • Noite: mesa de abertura — “Ações afirmativas bastam? Permanência, pertencimento e justiça racial na universidade”.

10 de novembro (terça-feira)

  • Tarde: exibição de filme.
  • Noite: mesa-redonda — “De quem é a memória que a universidade reconhece? Patrimônio, cultura e ancestralidade negra”.

12 de novembro (quinta-feira)

  • Noite: mesa-redonda — “100 anos de Milton Santos: a presença negra na construção do pensamento geográfico”.

16 de novembro (segunda-feira)

  • Noite: mesa-redonda — “Quem produz conhecimento na universidade? Epistemologias negras e o enfrentamento do racismo acadêmico”.

17 de novembro (terça-feira)

  • Manhã e tarde: oficina de letramento racial.

18 de novembro (quarta-feira)

  • Tarde: exibição de filme.

23 de novembro (segunda-feira)

  • Noite: mesa-redonda — “Que universidade queremos construir? Juventudes negras, cultura e transformação social”.

27 de novembro (sexta-feira)

  • Noite: mesa de encerramento — “Depois de novembro, o que muda? Compromissos da universidade com a igualdade racial”.
  • Noite: Baile Preto.

30 de novembro (segunda-feira)

  • Noite: Prêmio Sim à Igualdade Racial no Pontal.
  • Noite: talkshow Tô Careca de Saber.

A programação completa você encontra clicando em  II Mês da Consicência Negra. 

Para acompanhar novas informações sobre as atividades, siga o perfil do Pet Geografia Pontal  no instagram.  

 

Palavras-chave: Geografia consciência negra Dia da Consciência Negra Igualdade racial

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