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Intercâmbio

Parceria entre UFU e Universidade Pedagógica de Maputo fortalece intercâmbio acadêmico entre Brasil e Moçambique

Projeto Conexões Brasil-Moçambique promove intercâmbio de estudantes de pós-graduação, pesquisas e diálogo sobre saberes, culturas e desafios comuns aos dois países

Publicado em 07/10/2026 às 15:59 - Atualizado em 07/10/2026 às 17:43

Foto: arquivo pessoal

 

A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), em Moçambique, recebeu a terceira edição do Programa de Formação Académico-Científica Intercultural em Estudos Afro-Brasileiros e Africanos – “Conexões entre Brasil e Moçambique: Tradições, Saberes e Futuros em Diálogo”. A iniciativa reúne docentes, pesquisadores e estudantes da UP-Maputo e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e promove intercâmbio, estágios científicos, pesquisas e projetos conjuntos.

O projeto foi aprovado por meio do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento, lançado pela Capes em parceria com o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério da Educação. Na UFU, a proposta foi apresentada pelas integrantes do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB): Ivete Almeida, do Instituto de  História; Cristiane Coppe, do Instituto de Ciências Exatas e Naturais do Pontal; e Camilla Nganga, da Faculdade de Ciências Contábeis. O projeto tem duração de quatro anos e prevê o envio de quatro grupos de estudantes de pós-graduação da UFU para desenvolver pesquisas na Universidade Pedagógica de Maputo.

Segundo Almeida, a parceria ultrapassa a realização dos intercâmbios e dos eventos. Para ela, a terceira edição do Conexões Brasil-Moçambique representa a consolidação do diálogo científico entre as duas instituições. “É a consolidação mesmo desse diálogo acadêmico, desse diálogo científico, que vai se estreitando e vai consolidando temáticas e práticas que são importantes tanto aqui para nós, no Brasil, na UFU, quanto lá, para os acadêmicos moçambicanos na UP”, afirma.

A professora também destaca que a construção de redes de cooperação é fundamental para ampliar as pesquisas e aproximar pesquisadores dos dois países. “Só é possível existir diálogo, troca de conhecimento, parceria, cooperação, quando redes são construídas e quando espaços de diálogo são construídos. Por isso que o evento Conexões é muito importante, porque ele é um desses momentos onde sentamos para discutir, sentamos para dialogar, ouvimos o outro e podemos falar também”, explica.

Entre as participantes desta edição estão as irmãs Raquel Lopes e Isabel Maria Lopes, estudantes de pós-graduação da UFU. Elas chegaram em Moçambique em setembro deste ano e vão seguir no país até abril de 2027.

Para Raquel, a experiência em Maputo representa uma oportunidade de ampliar o olhar sobre temas como memória, história, território e educação. “A experiência inicial provoca desenvolver um olhar atento para as relações entre memória, história, território e educação. Cada novo dia por aqui é uma oportunidade para aprender a fazer nossos questionamentos com mais cuidado, com novas perguntas e perspectivas. Moçambique, um território de construção e reconstrução do próprio olhar como pesquisadora”, relata.

Isabel Maria também destaca o significado da experiência para sua trajetória acadêmica e pessoal. “Dentre as minhas motivações que me trouxeram até aqui destaco se tratar de um espaço de aproximações intelectuais entre Brasil-Moçambique. Aproximações, que se justificam não apenas pelo sentido acadêmico, justificam-se também pelo sentido ancestral, haja vista que sou uma pessoa quilombola, pertencente ao Quilombo da Corte, município de Varjão de Minas-MG e que estou aqui com a minha irmã”, afirma.

A estudante considera que o contato com a realidade moçambicana tem ampliado a compreensão sobre sua própria pesquisa. “A estada em Maputo-Moçambique ainda está acontecendo e vai pelos próximos meses, mas fato é que desde o momento em que desembarquei iniciou-se o processo de aprendizado. Além da sala de aula e do seminário de leitura, andar pelas ruas da cidade, seja a pé, de Chapa ou Yango [ônibus e aplicativo de transporte], simples conversas são momentos de aprendizado. Tudo, para mim, tem sido oportunidade de aprender”, conta.

Para Almeida, a aproximação entre Brasil e Moçambique também pode contribuir para o enfrentamento de desafios comuns, como mudanças climáticas, insegurança alimentar, valorização das culturas locais e produção de conhecimento. “Então, nós temos muitos desafios semelhantes e que podem, que devem e serão resolvidos de mãos dadas, com cooperação entre Brasil e Moçambique”, afirma.

A parceria entre UFU e UP-Maputo, segundo a professora, deve continuar mesmo após o encerramento do projeto Conexões. “A cooperação entre a UFU e a UP está para além do projeto. Ela já existia, o acordo de cooperação já existia e vai continuar existindo”, destaca. Para ela, a relação entre as universidades pode se ampliar para diferentes áreas e fortalecer a produção científica conjunta entre os dois países.

 

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