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22/07/2021 - 15:57 - Atualizado em 28/07/2021 - 14:56
Projeto faz mobilização social para monitorar mosquitos transmissores de doenças
Pesquisador da ESTES fala sobre importância de uma boa comunicação em pesquisas científicas e dificuldades na divulgação
Por: 
Túlio Daniel

 

Projeto integra Rede de Divulgadores da Ciência da UFU. Na imagem, ação realizada antes da pandemia de Covid-19 (Foto: Arquivo Pessoal/João Carlos Oliveira)

 

O projeto “Mobilização social no monitoramento de vetores por meio de ovitrampas” é desenvolvido pelo professor João Carlos de Oliveira, na Escola Técnica de Saúde da Universidade Federal de Uberlândia (ESTES/UFU). Em parceria com o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), com a Associação de Recicladores Autônomos (ARCA) e com a Diretoria de Sustentabilidade da UFU, o projeto busca monitorar mosquitos transmissores de arboviroses, como a dengue, através de armadilhas.

A ideia começou há alguns anos, quando, em 2003, Oliveira desenvolveu seu mestrado, e, em 2012, defendeu seu doutorado, ambos já com essa temática. Os trabalhos tratavam, basicamente, da mobilização social como forma de monitoramento de vetores, utilizando ovitrampas. A ideia era mostrar que havia outras formas de vigilância em saúde que poderiam ser utilizadas para fazer a diferença.

Modelo de ovitrampa usado nos monitoramentos (Foto: Arquivo Pessoal/João Carlos Oliveira)

Ao atuar como docente na UFU, Oliveira começou a submeter projetos e assim pôde dar continuidade às atividades de monitoramento. Na prática, os pesquisadores vão a campo e, utilizando as ovitrampas (armadilhas), conseguem traçar dados, tais como a condição de cada ovitrampa (presença de larvas, pupas, sujeira), medições das condições atmosféricas (temperaturas e umidades relativas, por meio de termômetros analógicos e digitais), quantidade de precipitações e local de instalação.

No laboratório, com o auxílio de lupas estereomicroscópicas, as palhetas recolhidas são analisadas, quantificando os ovos viáveis, eclodidos e danificados. As que contêm os ovos viáveis são colocadas, semanalmente, em copos plásticos com água para o acompanhamento dos ciclos evolutivos dos vetores.

Observação das palhetas com ovos viáveis (Foto: Arquivo Pessoal/João Carlos Oliveira)

Paralelamente, são realizadas diversas atividades de mobilização social, junto a diferentes segmentos da sociedade, como escolas, empresas e canteiros de obras, considerando os princípios da Educação Popular em Saúde. Nesses locais, há demonstrações do que é feito no projeto e são transmitidas informações sobre os vetores (como características, hábitos e criadouros), sobre as doenças (como o modo de transmissão, quadro clínico e tratamento) e sobre os cuidados a serem tomados com a saúde nesses lugares

A parceria com as outras instituições acontece desde 2013. Semanalmente, os pesquisadores se deslocavam até o campus do IFTM para fazer os monitoramentos, tendo como integrantes do grupo alunos do Ensino Médio, Técnico e de Graduação, tanto do IFTM quanto da ESTES/UFU.

A mobilização social acontece através de encontros, palestras e eventos, em diferentes instituições. Nas imagens, ações desenvolvidas antes da pandemia de Covid-19. (Fotos: Arquivo Pessoal/João Carlos Oliveira)

Com o desenvolvimento do projeto através da mobilização social, mostrando para a comunidade tudo o que era feito em laboratório, os pesquisadores não viam a iniciativa como uma divulgação científica. Por meio do contato com a Rede de Divulgadores da Ciência da UFU, desenvolvida pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação (Dirco), o olhar sobre a temática foi despertado, mas junto, perceberam algumas falhas.

A relação de Oliveira com a educomunicação, um campo teórico-prático que visa a ações sócio-educativo-comunicacionais, o ajudou a lidar melhor com a comunicação e pesquisa, até chegar ao que ele identifica hoje como comunicação científica. De acordo com ele, atualmente não faltam informações sobre a transmissão da dengue, por exemplo, mas o problema se encontra na comunicação e em como isso é passado para a sociedade.

“As pessoas precisam ver para crer. Como elas não veem os ovos, elas não acreditam. Devemos então trazer a comunidade para a Universidade, mas existe uma dificuldade na relação entre ambas. Atualmente, pesquisamos ‘para’, e não ‘com’. Não há um diálogo”, comenta Oliveira.

Reunião de planejamento do projeto. Na imagem, encontro realizado antes da pandemia de Covid-19 (Foto: Arquivo Pessoal/João Carlos Oliveira)

E é justamente essa falta de diálogo que Oliveira aponta como uma das falhas na divulgação científica. Todos os anos acontece o mesmo modelo de campanha, com termos como “guerra” ou “combate” ao mosquito, mas existem outros fatores que mantêm a propagação da dengue, como as condições sociais, por exemplo, muito além do clima chuvoso ou da quantidade de mosquitos. “Vejo que ainda precisamos achar outros meios de fazer essa divulgação, é um salto a mais a ser dado, um verdadeiro nó a ser desatado entre a universidade e a comunidade”, completa o professor.

Além desse fator, o pesquisador ainda sente um bloqueio e um preconceito em relação à Escola Técnica da UFU, onde os trabalhos desenvolvidos na graduação acabam tendo uma maior visibilidade e valorização, mesmo que haja um reconhecimento da ESTES vindo por parte da universidade.

A imprensa local é uma grande aliada do projeto, mostrando um pouco para a comunidade todo o processo de pesquisa e mobilização social. Todavia, na mídia, de uma maneira geral, não se tem falado tanto sobre as chamadas arboviroses e arbovírus. Assim, tem sido feito um grande trabalho de divulgação pelos pesquisadores nas redes sociais, através da Diretoria de Sustentabilidade, e de entrevistas e debates. Desse modo, em meio à pandemia de Covid-19, há um maior um esforço para que muitas informações cheguem à sociedade, já que ainda há uma forma precária de divulgação.

Este texto faz parte de uma série de reportagens desenvolvida pelo Comunica UFU sobre alguns projetos da Rede de Divulgadores da Ciência da UFU. Caso ainda não faça parte da Rede e queira colaborar, basta entrar em contato pelo e-mail comunicaciencia@ufu.br. Além disso, o Comunica Ciência tem um canal no Telegram. Para fazer parte, basta acessar o link: https://t.me/comunicacienciaufu.

 

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