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Institucional

Natal ou surpresa misteriosa?: 'Quando ele estiver pronto, nós estamos prontos'

Camila, 33 semanas e o dezembro que pode trazer Otto, a qualquer momento, a partir do dia 25

Publicado em 23/12/2025 às 09:59 - Atualizado em 23/12/2025 às 10:07

A gestante está em sua segunda gravidez e nas duas participou do projeto da Clínica de Fisioterapia da UFU que oferece atividades de apoio à gestantes como o pilates. (Foto: arquivo pessoal/Camila Nascimento)

Quando fala da possibilidade de o filho nascer no Natal, Camila Pereira Coelho do Nascimento, 31 anos, faz um gesto automático: leva a mão à barriga, como se resolvesse conferir se o bebê ouviu. Com 33 semanas, a gestante vive entre o tempo preciso de um relógio e a incerteza de um calendário. “A partir de 38 semanas, ele pode nascer… e isso dá a partir do dia 25 de dezembro”, diz.  

Camila fala com o cuidado típico de quem já experimentou esse rito antes. Otto é o segundo filho e pode chegar junto com as luzes de Natal. Ela sorri e confessa sentir “um pouquinho de medo” de dividir o aniversário do menino com o próprio feriado. “Tadinho”, repete. “Mas, vindo, é na hora que ele quiser… quando ele estiver pronto, nós estamos prontos.” O “nós” é a família ampliada: ela, o marido, a pequena Olga, de dois anos e quatro meses, e — sem que ela precise verbalizar — a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que atravessa seu caminho há mais de uma década e se conecta a ela. 

A história entre Camila e a universidade começou há tempos, quando ela cursou Técnico em Enfermagem, na Escola Técnica de Saúde (Estes). “Tenho orgulho de ter estudado lá”, diz, lembrando dos professores, do ambiente e do período. Mas foi só anos depois, quando engravidou da primeira filha, que a UFU retornou à vida dela. “Eu conheci o projeto de fisioterapia por causa da minha cunhada e já participei na minha primeira gravidez”.  

Nesta segunda gestação o acompanhamento aconteceu mais cedo, a partir da 12ª semana. Desta vez, mais cansada, mais nauseada, mais dividida entre a barriga e a menina pequena correndo pela casa. “Eu não tinha noção do tanto que é cansativo ter uma criança pequena e gestar outra vida.” A frase não tem tristeza. Tem sinceridade. “É difícil, mas é muito gostoso. É uma dádiva.”  

Ao chegar na clínica, “as meninas acolhem a gente demais. Já me conhecem desde a primeira gestação. A gente chega e já sente o ambiente mais leve.” A UFU, por meio do projeto da Clínica de Fisioterapia, é o lugar onde seu corpo e sua mente aprendem a respirar juntos. “No grupo de gestantes, eu faço mobilidade. Depois vem a preparação para o parto. Todo esse processo te dá uma consciência corporal que faz toda a diferença.” Ela fala com segurança de quem já viveu um parto normal apoiado por essa experiência. “Me ajudou muito. Eu quero de novo.” 

No grupo de gestantes, Camila também encontrou o que chama de “conversas que fazem sentido”. A convivência com outras grávidas é, para ela, uma espécie de grupo de apoio espontâneo — quase uma confraria. Ela se anima ao lembrar das trocas: “Eu converso demais. Pergunto de tudo… parto, doula, fotógrafo, sintomas. É bom porque ali todo mundo entende o que você está sentindo.” E completou com sinceridade: “Em casa, às vezes, ninguém entende. Aqui, entende.”  

Ao final, quando questionada se recomenda o programa a outras mulheres, ela nem espera o fim da pergunta: “Sempre recomendo. Sempre. Desde a primeira gestação. Me ajudou muito. Acho que poucas pessoas sabem do projeto. Todo mundo deveria saber.” 

Uma família formada por um homem, uma mulher grávida e uma menina pequena
Família aguarda ansiosamente a chegada de Otto, que pode ser a qualquer momento a partir do dia 25/12 (Foto: arquivo pessoal/Camila Nascimento)

Então é Natal!

 

O Natal, que neste ano se mistura com a expectativa do parto, também aparece quando ela fala da própria infância. Não tem grandes memórias de presentes nem rituais elaborados. Mas tem gente! “Minha família é muito unida. Natal sempre foi estar junto.” Talvez por isso Camila não tema exatamente que Otto nasça no dia 25; teme só que ele “perca aniversário”. Mas logo desfez a preocupação: “Ele vai ter acolhimento. A gente vai estar junto.” Acolhimento é a  palavra que Camila mais repete ao descrever as lembranças do Natal e na relação com a UFU. Em ambas as cenas, caracteriza-se por um círculo de pessoas que a envolve: a família, os amigos, os estudantes, os professores, as fisioterapeutas, as gestantes... 

Agora, enquanto dezembro se aproxima com seu barulho de papel de presente e cheiro de comida boa, Camila espera Otto. Ele pode vir entre a ceia e os fogos. Pode vir em janeiro. Pode vir no silêncio da madrugada. Seja quando for, ela já sabe:  “Quando ele estiver pronto, nós estamos prontos.” 

 

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Palavras-chave: UFU em Pessoas HC-UFU/Ebserh Natal gravidez

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