Publicado em 19/06/2026 às 08:29 - Atualizado em 19/06/2026 às 09:46
O Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-sociais (CEPES), vinculado ao Instituto de Economia e Relações Internacionais (IERI) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), divulgou nesta quinta-feira, 18/06, os resultados referentes ao mês de maio de 2026 do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-CEPES) e da Cesta Básica de Alimentos (CBA) no município. O levantamento aponta que o custo de vida do uberlandense segue pressionado, especialmente no que tange às despesas essenciais.
De acordo com o relatório, a inflação local registrou um avanço de 0,65% no quinto mês do ano. Paralelamente, alimentar uma família ficou mais caro: a cesta básica apresentou uma elevação de 4,71%, atingindo o maior patamar de comprometimento da renda do trabalhador no ano.
O trabalhador que recebe o salário mínimo precisou desembolsar R$ 808,88 para adquirir os 13 produtos alimentícios básicos, valor superior aos R$ 772,49 registrados em abril. Com esse resultado, a Cesta Básica acumula alta de 17,40% ao longo de 2026.
Para garantir a compra desses alimentos, o cidadão precisou dedicar 109 horas e 47 minutos de sua jornada de trabalho mensal. O estudo do CEPES destaca um dado que reflete o impacto direto na renda das famílias: em maio, o custo da cesta básica comprometeu 49,90% do Salário Mínimo Oficial (R$ 1.621,00) — o índice mais alto registrado neste ano.
Entre os produtos que compõem a cesta os itens in natura lideraram os aumentos. A grande "vilã" do mês foi a Batata, que apresentou uma disparada de 67,00% em seu preço médio, seguida pelo Feijão (alta de 12,91%). A carne bovina continua sendo o item de maior peso financeiro, absorvendo mais de 35% de todo o gasto com a cesta. Em contrapartida, houve leves reduções nos preços do Açúcar (-1,57%) e do Café (-1,33%).
Com base nessas variações, o CEPES calculou que o Salário Mínimo Necessário (SMN) para suprir as despesas vitais de uma família de quatro pessoas em Uberlândia deveria ter sido de R$ 6.795,39 no mês de maio. O salário mínimo oficial em vigência (R$ 1.621,00) equivaleu a apenas 23,85% do montante considerado ideal pela pesquisa.
O Índice que mede a inflação para famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos, avançou 0,65% em maio. Apesar do aumento, o índice mostrou uma desaceleração em relação a abril (0,92%). No acumulado do ano, a inflação na cidade chega a 2,85%, e nos últimos 12 meses, atinge a marca de 3,89%.
A elevação do índice geral foi impulsionada pelo aumento em cinco dos nove grupos de despesas monitorados pelos pesquisadores:
Em contrapartida, a inflação não foi maior graças ao recuo de preços em quatro categorias. O grupo de Despesas Pessoais apresentou queda de -0,76% (influenciado pelo barateamento em itens de recreação). O setor de Transportes também trouxe alívio, com redução de -0,24%, motivada pela queda de -1,76% nos combustíveis para veículos. Os grupos de Comunicação e Educação registraram quedas de -0,23% e -0,17%, respectivamente.
Sobre o CEPES
O CEPES/UFU gera dados essenciais para a formulação de políticas públicas e o planejamento econômico local. O instituto calcula o IPC desde 1979 e a Cesta Básica de Alimentos desde 1983, baseando-se nas metodologias do IBGE e do DIEESE. Mensalmente, o Observatório de Preços monitora 228 subitens em mais de 500 estabelecimentos comerciais de Uberlândia, avaliando o custo de vida de famílias com renda entre um e cinco salários mínimos.
Os boletins completos, planilhas e dados metodológicos estão disponíveis para consulta pública e gratuita no portal do CEPES, no site do IERI/UFU.
Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.
Palavras-chave: inflação Cesta Básica CEPES IPC-CEPES
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