Publicado em 16/06/2026 às 12:29 - Atualizado em 16/06/2026 às 15:21
No dia 28 de maio, aconteceu no Teatro Municipal de Uberlândia o “Ato de Entrega dos primeiros registros profissionais de Sanitarista”, promovido pelo Ministério da Saúde (MS). Na ocasião, três professoras da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia (Famed/UFU) receberam o registro profissional.
A cerimônia contou com as presenças do Ministro de Estado da Saúde, Alexandre Padilha, e da Deputada Federal, Dandara Tonantzin. A entrega dos certificados marca oficialmente o reconhecimento da profissão de Sanitarista no país, dando seguimento à Lei nº14.725 de 2021 e ao Decreto nº 12.921 de 2026 que regulam a profissão de sanitarista e estabelecem os requisitos para o exercício da atividade profissional, assim como objetiva a entrega dos registros dos profissionais da áreas.
Na ocasião, receberam a Carteira de Sanitarista as professoras Izabela Lima Perissato, do Departamento de Saúde Coletiva (DESCO), Juliana Markus, do Departamento de Clínica Médica (DECME), e a docente aposentada, Leila Bitar Moukachar Ramos.
Perissato conta que receber o registro profissional de Sanitarista do MS foi um dos momentos mais felizes e emocionantes da sua trajetória: “O sentimento é uma mistura de gratidão, orgulho e responsabilidade. Gratidão por todos os profissionais e pessoas que lutaram para consolidar a Saúde Coletiva no Brasil e tornaram esse reconhecimento possível. Gratidão pela oportunidade de receber esse registro e por todos aqueles que contribuíram para a minha formação acadêmica e profissional. Apesar de ter subido sozinha ao palco, fisicamente, em meu coração estavam presentes muitas pessoas”.
De acordo com o professor e diretor da Famed/UFU, Deivid Batistão, esse momento tem um significado especial, porque reflete a contribuição de diferentes gerações de profissionais comprometidos com o SUS: “Mais do que o reconhecimento individual dessas profissionais, a entrega dos primeiros registros de sanitarista simboliza a valorização de uma área estratégica para o país. Para a Famed, esse momento conecta passado, presente e futuro, reconhecendo a trajetória daqueles que ajudaram a construir o SUS e fortalecendo a formação de profissionais que continuarão contribuindo para o desenvolvimento da saúde pública brasileira”.
Além da diferença de gerações, o atual diretor da Famed destaca que as três professoras têm trajetórias distintas dentro da área: “A professora Leila Ramos participou da histórica 8ª Conferência Nacional de Saúde, marco da Reforma Sanitária brasileira e da construção dos princípios que deram origem ao SUS. A professora Juliana Markus representa a integração entre assistência, formação profissional e gestão pública da saúde, com atuação em funções estratégicas na rede municipal de saúde de Uberlândia. Já a professora Izabela Lima Perissato representa uma nova geração de sanitaristas, formada especificamente na área de Saúde Coletiva, com atuação em pesquisa, epidemiologia e vigilância em saúde. Formada pela nossa universidade”, explica o docente.
Perissato ainda ressalta que o reconhecimento abre novos caminhos para a formação dos estudantes da UFU e amplia as oportunidades de ensino, pesquisa e extensão, fortalece a aproximação entre a universidade e os serviços de saúde: “Como professora, acredito que esse momento tem um valor simbólico muito importante para os estudantes. Eles passam a enxergar que a Saúde Coletiva não é apenas um campo de conhecimento, mas também uma profissão reconhecida, estratégica e essencial para a transformação da realidade social e para a garantia do direito à saúde”.
Saiba mais sobre a importância da regulamentação
De acordo com o MS, o sanitarista é um profissional que atua diretamente na análise, monitoramento e avaliação das situações de saúde da população. No Sistema Único de Saúde (SUS), ele pode planejar, coordenar, executar e avaliar atividades de saúde coletiva, contribuindo para a organização e o funcionamento das ações de saúde em diferentes setores. O profissional também se destaca na produção e análise de informações científicas e tecnológicas de interesse da saúde, apoiando a tomada de decisão, a elaboração de boletins e informes, e o desenvolvimento da saúde coletiva.
A lei de 2023 estabelece que podiam habilitar-se ao exercício da profissão de sanitarista e exercer suas atividades:
A professora Juliana Markus, docente da Famed e reumatologista da HU Brasil, explica que além da questão técnica, o sanitarista tem uma visão geral do sistema de saúde e dos principais problemas de cada população: “[O sanitarista] Leva em consideração informações epidemiológicas, sociais, econômicas e culturais de um povo em um determinado território. Ele é capaz de articular uma visão ampliada de determinantes sociais, ambientais e territoriais, atuando diretamente na análise, monitoramento e avaliação das situações de saúde da população”.
Para Perissato, o trabalho dos sanitaristas é cuidar das pessoas mesmo quando elas não o veem: “Seu compromisso é transformar conhecimento em ações que protejam vidas e fortaleçam o direito à saúde. Ser sanitarista é compreender que saúde vai muito além da ausência de doença. É reconhecer que educação, renda, moradia, alimentação, trabalho e acesso aos serviços influenciam diretamente a qualidade de vida das pessoas”.
De acordo com Markus a regulamentação é uma marco não só pelo reconhecimento dado às profissionais, mas também por todos os anos de luta em prol de melhorias no sistema de saúde. A professora lembra que há 14 anos lutava para que a cidade de Uberlândia implantasse o sistema do SAMU, pois a cidade não possuía uma política de transporte sanitário e nem de atendimento de emergências médicas. Implementação que aconteceu no mesmo dia da entrega dos registros profissionais das sanitaristas.
Para além do reconhecimento aos profissionais, Perissato destaca que a regulamentação da profissão beneficia principalmente a população: “Mais do que um reconhecimento profissional, a regulamentação é o reconhecimento de que a saúde coletiva é essencial para o desenvolvimento do país e para a garantia do direito à saúde previsto na Constituição Federal”.
Para a professora Markus, a regulamentação também fortalece os valores de aspectos sociais, de monitoramento e de gestão da saúde. “[A regulamentação] Sedimenta a idéia de que o saber sobre a saúde não se restringe ao saber da fisiopatologia das doenças, mas compreender onde e de que forma o adoecer surge e se perpetua. Solidifica a idéia de que a luta por direito à saúde tem haver com justiça social e é direito da população. E esse pensar precisa estar presente no ensino, pois senão todo o esforço terá sido em vão”, conta Markus.
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