Publicado em 17/07/2026 às 08:07 - Atualizado em 17/07/2026 às 11:03
Celebrado anualmente em 17 de julho, o Dia de Proteção às florestas tem o objetivo de conscientizar sobre a importância da preservação ambiental. A data comemorativa, que foi instituída oficialmente no Brasil em 1965, por meio do Decreto Federal n° 55.795, também homenageia o Curupira, personagem do folclore brasileiro, responsável por atuar como protetor das florestas.
O Brasil abriga mais de 124 mil espécies de fauna, mais de 44 mil espécies de flora e mais de 8 mil. espécies de fungos, sendo o país com a maior biodiversidade do mundo. Luciano França, professor de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), destaca que esse patrimônio natural se consolida pela combinação de biomas únicos e pela grandiosidade da floresta Amazônica.
O professor também destaca que celebrar um dia, destinado à proteção florestal, é “absolutamente importante e necessário”. Para ele, as árvores e todo o conjunto florestal são considerados a principal tecnologia natural de enfrentamento à crise do clima.
Além disso, as florestas são, para o professor, formas de restabelecer o bem-estar social, a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável das nossas cadeias de produção, sobretudo agropecuárias. “Destruir florestas significa colocar nossa própria sucessão na terra em ameaça, em risco”.
Ao analisar o contexto brasileiro, França destaca que existe uma dificuldade em perceber essa conexão, mas que basta observar como a floresta nativa está em nosso cotidiano. “A água que chega às cidades depende da conservação das bacias hidrográficas. Alimentos e produtos florestais como açaí, castanha-do-pará, pequi, cupuaçu, mel, fibras e madeira manejada de forma sustentável existem porque esses ecossistemas permanecem funcionando”.
Na UFU são realizados diversos projetos e pesquisas que se alinham à proposta desenvolvida pela data comemorativa e, para o professor, a universidade está construindo uma vanguarda, dentro da agenda de conservação florestal no Brasil.
O Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Planejamento e Manejo da Paisagem Florestal (Nuplamflor), tem atuado para integrar o ensino, a pesquisa e a extensão, com projetos voltados ao planejamento da paisagem florestal, manejo sustentável de florestas, prevenção e combate aos incêndios florestais, educação climática, recuperação de áreas degradadas, dentre outros temas.
Para França, essas são formas de alertar a população mineira sobre a importância da conservação florestal. “É preciso alcançar o sensorial das pessoas, para que possam valorizar o tema de maneira efetiva”.
O grupo tem realizado diversas pesquisas em parceria com órgãos públicos, empresas privadas, organizações da sociedade civil e comunidades locais. Entre as iniciativas em desenvolvimento, o Centro de Formação em Educação Climática (Cefec), tem como objetivo levar à comunidade um olhar atento às florestas e os desafios em relação às mudanças climáticas.
As pesquisas em Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), em parceria com a Cemig, é também uma das iniciativas que se alinham com os objetivos propostos pela data comemorativa, gerando reflexões sobre a biodiversidade, enfrentamento aos incêndios florestais e o monitoramento ambiental de florestas do estado de Minas Gerais.
A universidade tem realizado diversas atividades de pesquisa e ações extensionistas que buscam a recuperação de ecossistemas deteriorados. Vicente Morais, professor de Engenharia Florestal da UFU, conta que o curso tem direcionado o foco para a restauração ecológica para além de apenas plantar mudas. “Nossas iniciativas focam em recuperar o funcionamento do ecossistema e restabelecer a biodiversidade a longo prazo e, mais especificamente, estocar carbono”.
Entre os projetos desenvolvidos, a neutralização das emissões de carbono de um evento científico da UFU quantifica todas as emissões geradas. Durante o evento, o grupo de pesquisa compensou o impacto com o plantio de cerca de 100 árvores nativas. ‘“Estamos acompanhando cientificamente o desenvolvimento dessas espécies em campo. A ideia central desse plantio de restauração é acompanharmos, em média por 30 anos, até que se tornem árvores adultas”, afirma Morais. O professor conta que quando uma árvore atinge o estado adulto, ela é capaz de cumprir suas funções ecológicas.
O grupo tem desenvolvido, também, um sistema nacional de informações que, até o momento, reúne mais de 1.260 iniciativas de restauração florestal, incluindo 782 viveiros, 293 projetos de restauração, 71 coletores de sementes, 25 redes de sementes e 94 centros de pesquisa, organizados na plataforma WebGIS, com acesso aberto ao público.
Morais conta que,atualmente, não existe uma agenda climática que não passe pela conservação das florestas e que a emergência climática já faz parte da realidade brasileira, com eventos extremos mais frequentes como “secas prolongadas, enchentes, incêndios florestais e perdas econômicas crescentes no mundo inteiro”.
Para ele, quando o debate sobre a importância das florestas é ampliado para a comunidade é também ampliada a “compreensão de que conservar a vegetação nativa é uma das melhores estratégias de adaptação e de mitigação das mudanças climáticas”. O professor exemplifica que Unidades de Conservação, como o Parque Estadual do Pau Furado, em Uberlândia, é uma das maneiras mais eficientes de conservar áreas florestais.
Ao refletir sobre a importância da proteção das florestas, Morais destaca como essas vegetações são responsáveis por capturar o carbono da atmosfera, por regular a temperatura e proteger os recursos hídricos, além de reduzir os riscos de erosão. “A floresta em geral tem garantido nossa sustentabilidade na terra e a universidade tem um papel essencial nesse processo ao produzir conhecimento científico e ao formar profissionais qualificados nessa agenda”.
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Palavras-chave: sustentabilidade reflorestamento nuplamflor biodiversidade
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