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Extensão

Leitura e ludicidade: projeto da UFU estimula a alfabetização de crianças no bairro Shopping Park, por meio da contação de histórias

Em sua quinta edição, iniciativa do Instituto de Letras e Linguística realiza encontros gratuitos no Centro de Arte e Esporte Unificado Olímpio Silva para despertar o interesse de estudantes do ensino fundamental I pelos livros

Publicado em 13/07/2026 às 15:40 - Atualizado em 13/07/2026 às 16:02

Dinâmica teatral promovida pelo projeto. (Foto: Caio Salomão)

Nas tardes das segundas-feiras, das 14h às 15h, o Centro de Arte e Esporte Unificado (CEU) Olímpio Silva “Pai Nego”, localizado no bairro Shopping Park em Uberlândia, transformou-se em um espaço de imaginação e aprendizado. Promovido pelo Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia (Ileel/UFU), o projeto de extensão “A contação de histórias e atividades lúdicas para estudantes do Ensino Fundamental I: um estímulo à alfabetização" é uma iniciativa totalmente gratuita e aberta ao público geral, a partir dos 5 anos de idade, buscando associar a contação de histórias a dinâmicas recreativas. O objetivo central é incentivar o interesse e o gosto pela aprendizagem da leitura e da escrita. 

Nesta quinta edição, os estão ocorrendo no período entre os dias 15 de junho e 3 de agosto. Para viabilizar a realização do projeto na periferia da cidade, a universidade oferece transporte gratuito de ida e volta para os voluntários inscritos - que incluem estudantes de graduação, professores, técnicos da UFU e membros da comunidade externa -, além de emitir certificados de participação.

A imersão nas atividades permitiu analisar como a junção entre narrativas e jogos pedagógicos funciona como uma ferramenta integradora diante dos desafios atuais da alfabetização infantil. A idealização da proposta surgiu originalmente em 2022, no cenário pós-isolamento social da pandemia de covid-19. Relatos trazidos pela coordenação do próprio centro esportivo e cultural apontavam que muitas crianças da comunidade local encontravam-se desalfabetizadas, mesmo estando em uma faixa etária em que esse conhecimento já deveria estar consolidado. Desmotivados, os estudantes faltavam com frequência às escolas regulares e ficavam sem suporte pedagógico ou ocupação estruturada durante o contraturno.

Equipe do projeto comanda um jogo pedagógico misturando música e dança
Jogo pedagógico misturando música e dança. (Foto: Caio Salomão)

Frente a essa demanda na periferia, pedagoga e técnica em assuntos educacionais da UFU, Letícia Brito e Silva desenhou o projeto unindo sua experiência na área educacional à necessidade de acolhimento lúdico da comunidade. O amadurecimento ao longo das cinco edições é visível. "Percebo de uma edição para outra que vamos conhecendo outras obras interessantes da literatura infantil para levar para o projeto. As crianças da comunidade comentavam ao final das edições anteriores que haviam gostado das atividades e gostariam que novas edições fossem realizadas", destaca a coordenadora.

Letícia esclarece que o projeto atua como um gerador de incentivo e sensibilização, diferenciando-se dos moldes de uma alfabetização tradicional e estruturada. Como os encontros não são restritos a um nível específico de conhecimento, eles conseguem abraçar simultaneamente crianças com diferentes ritmos e faixas etárias. Para dar suporte a esse público plural, a iniciativa apoia-se em uma equipe executora ampla e multidisciplinar de voluntários.

Nesta edição de 2026, a equipe reúne discentes de graduação da UFU de cursos diversos - Pedagogia, Letras (Português, Inglês e Francês), Psicologia, Tradução, Ciências Biológicas e História - além de contar com a colaboração de profissionais externos, como uma psicóloga e uma professora aposentada. Todos atuam desde o planejamento até a execução. "Acredito que essa experiência impacta na formação desses futuros profissionais, graduandos da UFU, devido à oportunidade de conectar os saberes acadêmicos com a realidade social e, assim, desenvolver mais aspectos da sua formação humana e profissional", ressalta a pedagoga.

Pedagogicamente, as oficinas semanais privilegiam a alternância de linguagens que incluem dança, dramatizações, elementos de artes visuais e momentos focados em leitura e escrita. Segundo a coordenadora, essa diversidade é a chave: "A utilização de diferentes linguagens pode proporcionar a ampliação dos modos de sentir, comunicar e desenvolver a cognição; por isso, contribui com o processo de alfabetização em que a criança estiver inserida."

Na prática, o reflexo dessa abordagem humanizada é nítido no entusiasmo dos pequenos participantes. Durante as rodas de leitura, as crianças interagem de maneira expressiva, rindo e compartilhando detalhes das histórias contadas pelo grupo. As brincadeiras de movimento e os jogos de alfabetização são celebrados com entusiasmo por todos como os momentos favoritos da rotina. 

Valorizando a arte, a educação e a troca de saberes, o projeto de extensão reforça o papel da UFU em romper os muros acadêmicos e descentralizar o conhecimento. Com atividades programadas para prosseguir nas próximas semanas, a expectativa da equipe é continuar fortalecendo o letramento e construindo novas trajetórias de incentivo à leitura na infância.

Arte de divulgação, com as informações gerais do projeto

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Palavras-chave: extensão projeto ILEEL contação de histórias

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