Publicado em 17/07/2026 às 09:09 - Atualizado em 17/07/2026 às 15:00
Estudos apontam que a violência contra a mulher, frequentemente, resulta em lesões na região da face e da boca, tornando o atendimento odontológico especializado, parte importante da recuperação física e emocional das vítimas. Diante disso, o Núcleo de Reconstrução Dentoalveolar e Maxilofacial para Mulheres em Situação de Violência (Nurdam), que funciona no Hospital Odontológico da Universidade Federal de Uberlândia (HO/UFU), foi criado com o objetivo de oferecer um atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência, que sofreram algum tipo de trauma dentário e necessitam de tratamento e reabilitação.
O núcleo nasceu na UFU como um projeto piloto do Ministério da Saúde, pelo vínculo do Hospital Odontológico com o Sistema único de Saúde (SUS) no atendimento de cirurgias, na clínica de traumas e nos outros serviços, principalmente no fluxo digital para confecção de próteses. Carlos José Soares, diretor do Hospital Odontológico da UFU, complementa “com esse projeto nós vamos poder acolher as mulheres vítimas de violência e dar um tratamento integrado a elas em todos esses setores, por isso que o Ministério da Saúde escolheu a UFU como esse projeto piloto”.
O Núcleo acolhe essas mulheres, oferecendo um tratamento odontológico integrado. Os atendimentos já começaram e há vagas abertas para as pacientes serem encaminhadas para a Clínica de Trauma, que funciona às quartas-feiras à tarde.
O acesso das vítimas de violência ao serviço oferecido pelo núcleo acontece quando a mulher dá entrada no Hospital de Clínicas (HC/UFU) relatando ter sofrido uma violência e, após o atendimento geral realizado no local, ela é encaminhada para a clínica de traumas, disponível às quartas-feiras no HO/UFU. As mulheres também podem ter acesso ao serviço ao procurar uma unidade básica de saúde mais próxima de sua residência, onde será feita a notificação compulsória e, a partir disso, elas estarão aptas a serem atendidas pelo projeto e serão encaminhadas para o HO/UFU. Depois desse processo, a paciente recebe todo o tratamento dentário necessário dentro do hospital universitário.
O funcionamento das atividades do núcleo já se iniciaram e, desde maio, três mulheres foram recebidas e estão em processo de tratamento. Entretanto, ainda é preciso ampliar o conhecimento da população sobre o serviço prestado, para que cada vez mais mulheres possam ter acesso ao atendimento. “E isso era anteriormente uma rotina que chegava pontualmente em alguns setores aqui e agora com esse serviço a gente entende que a partir do conhecimento da comunidade, um maior número de mulheres vão procurar pelo tratamento e vão receber essa acolhida humanizada e integrada para o tratamento odontológico”, relata o diretor.
Para garantir que o atendimento seja realizado de forma acolhedora e humanizada, toda a equipe do Hospital Odontológico, incluídos alunos da graduação, da pós-graduação, os profissionais e os professores envolvidos nas atividades do núcleo, estão sendo capacitados para que saibam acolher a vítima adequadamente. Sobre a importância desse atendimento especializado, Soares relata: “Sem dúvida nenhuma é fundamental. Primeiro acho que é fundamental para a formação dos nossos alunos, ter a oportunidade de atuar num serviço com esse nível de complexidade e com essa importância. E segundo é a oportunidade da mulher de ter uma opção de tratamento pelo SUS gratuito e integrado”.
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Palavras-chave: Hospital Odontológico violência contra a mulher tratamento acolhimento
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