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Literatura

Projeto promove leitura de obras indígenas e amplia diálogo entre universidade e sociedade

Encontros acontecem mensalmente, aos sábados, e foram idealizados pelo docente Guto de Melo

Publicado em 15/07/2026 às 15:33 - Atualizado em 15/07/2026 às 17:37

Divulgação

 

Criar um espaço de escuta, troca de experiências e valorização das literaturas de autoria indígena é a proposta do grupo de estudos “Leituras Selvagens", coordenado pelo professor Guto de Melo, do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia (Ileel/UFU). Com encontros mensais realizados de forma on-line, aos sábados, a partir das duas da tarde, o projeto reúne professores, pesquisadores, estudantes e leitores interessados em conhecerem diferentes perspectivas da produção literária indígena brasileira.

Segundo Melo, o grupo é resultado de uma trajetória construída desde sua chegada à UFU, em 2015, quando passou a desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas às literaturas indígenas. A iniciativa também está ligada à pesquisa do docente "Tecituras do amor nas literaturas de autoria indígena brasileira" que investiga novas formas de compreender os afetos, a subjetividade e a existência a partir das obras de escritoras e escritores indígenas.

“O principal objetivo do 'Leituras Selvagens', especialmente por meio do círculo de leitura, é criar um espaço democrático de leitura, escuta e diálogo em torno das literaturas de autoria indígena, contribuindo para que essas produções ocupem, de maneira cada vez mais efetiva, os espaços do sistema literário e cultural brasileiro", explica o coordenador.

A proposta do grupo vai além da divulgação de obras, o projeto busca combater estereótipos historicamente associados aos povos indígenas e incentivar uma leitura que reconheça a qualidade estética e artística dessas produções. Para o professor, a literatura indígena não deve ser vista apenas como ferramenta pedagógica ou utilizada em datas comemorativas, mas valorizada como parte essencial da literatura brasileira.

Além de promover reflexões sobre diversidade cultural, o projeto também contribui para a efetivação da Lei nº 11.645/2008, que determina a inclusão da história e da cultura indígena no currículo escolar, fortalecendo práticas de educação antirracista e o reconhecimento dos povos originários como produtores de conhecimento, arte e literatura.

As obras debatidas nos encontros são escolhidas considerando critérios como relevância literária, diversidade de povos indígenas representados, gêneros textuais e possibilidades de diálogo com os participantes. O grupo também busca oferecer referências que possam auxiliar professores da educação básica na implementação da legislação de forma mais aprofundada, evitando abordagens superficiais ou folclorizantes. “As escolhas dialogam diretamente com minhas pesquisas acadêmicas, mas permanecem abertas às sugestões dos participantes e às demandas dos encontros. O grupo entende que não existe uma única literatura indígena, mas uma pluralidade de literaturas, de povos, de experiências e de modos de criação”, destaca Melo 

O próprio nome "Leituras Selvagens" carrega um significado simbólico. O projeto ressignifica um termo historicamente utilizado de maneira pejorativa pelo discurso colonial. A proposta é transformar a palavra "selvagem" em um convite à reflexão, representando práticas de leitura livres de interpretações únicas e abertas ao diálogo com diferentes formas de conhecimento. “No contexto do projeto, ‘Leituras Selvagens’ provoca uma reflexão sobre os próprios modos de ler literatura, representando práticas de leitura livres das amarras de interpretações únicas, instrumentalizadas e institucionais”, destaca Melo.

Para Melo, os encontros são espaços de conversa e compartilhamento, nos quais qualquer interessado pode ampliar seu repertório e descobrir a diversidade da literatura indígena contemporânea. “Os encontros são momentos de escuta, conversa e compartilhamento de experiências. Não buscamos formar especialistas, mas leitores curiosos, sensíveis e abertos ao diálogo", finaliza.

Aberto ao público e sem necessidade de inscrição, o grupo acolhe tanto leitores iniciantes quanto pessoas com experiência na área. Os interessados em participar do clube de leitura basta entrar no grupo de WhatsApp

 

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Palavras-chave: Clube de leitura ILEEL Povos Indígenas literatura inclusão

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