Publicado em 27/08/2026 às 11:01 - Atualizado em 27/08/2026 às 11:54
Em 1990, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) instituiu 1º de agosto como o Dia Mundial do Aleitamento Materno. No Brasil, a mobilização ganhou um mês inteiro: sancionada em 12 de abril de 2017, a Lei nº 13.435 estabeleceu agosto como período de intensificação das ações de conscientização e incentivo à amamentação. Desde então, o Agosto Dourado amplia o debate sobre a importância do aleitamento materno para a saúde de mães e bebês.
A escolha da cor dourada faz referência ao chamado “padrão ouro” de qualidade do leite materno. Segundo o Ministério da Saúde, o leite materno é o alimento mais completo e seguro para os primeiros meses de vida, contribuindo para a nutrição, a imunidade e o desenvolvimento infantil. Além dos benefícios para a saúde, a amamentação também se relaciona à sustentabilidade, por não depender da produção de embalagens, fórmulas ou resíduos associados à alimentação artificial.
Em 2026, a Semana Mundial do Aleitamento Materno ocorreu de 1º a 7/8 e teve como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”. A proposta amplia a discussão para os impactos ambientais da prática. Para Daniela Marques, professora da Faculdade de Medicina (FAMED), coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), e chefe da UTI Neonatal a amamentação reúne benefícios para a criança, para a mãe e para o meio ambiente. “Além das vantagens para o bebê, tem as vantagens para a mãe e para o planeta, porque é um ato sustentável, você não produz lixo e nem resíduos como as mamadeiras de plástico, por exemplo”, explica.
Considerado um alimento completo para os primeiros meses de vida, o leite materno fornece nutrientes importantes para o crescimento e o desenvolvimento do bebê, além de contribuir para a proteção contra infecções e doenças. A composição do leite também se adapta às necessidades da criança, ao longo do período de amamentação.
Segundo Daniela Marques a amamentação não traz benefícios somente a criança: “Pensando na idade adulta, ele protege contra algumas doenças como obesidade, colesterol alto, diabetes. A longo prazo, amamentar não é bom só nos primeiros meses de vida, ele se estende por toda a vida do indivíduo. Por isso que a gente batalha tanto por isso.”
Os benefícios, no entanto, não se restringem apenas à criança. A amamentação também pode favorecer a recuperação da mãe após o parto e está associada à redução do risco de algumas doenças ao longo da vida, segundo a UNICEF. Para além dos aspectos individuais, a prática ainda apresenta impactos sociais e ambientais, já que dispensa a produção, o transporte e o descarte de embalagens e outros materiais utilizados na alimentação por fórmulas infantis.
Para fortalecer a amamentação desde os primeiros momentos de vida, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estabeleceram os "Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno". As recomendações orientam os serviços de saúde sobre medidas que favorecem o início e a continuidade da amamentação, desde o acolhimento da gestante até o acompanhamento após a alta hospitalar.
Entre as orientações estão a capacitação das equipes de saúde, o início da amamentação na primeira hora após o nascimento, o contato contínuo entre mãe e bebê, a oferta do leite materno como alimentação exclusiva quando não houver indicação clínica para outros alimentos e o incentivo à amamentação em livre demanda. O documento também recomenda que as mães recebam informações sobre como amamentar e manter a produção de leite, além de serem encaminhadas a grupos de apoio após a alta.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) conta com uma estrutura destinada à coleta, ao processamento e à distribuição de leite humano para bebês e crianças que necessitam de cuidados especiais. O serviço dispõe de sala de ordenha, sala de pasteurização e espaço adequado para o armazenamento do leite doado.
O estoque é destinado, principalmente, aos recém-nascidos internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neonatal), além de outras crianças atendidas pelo hospital que, por indicação da equipe de saúde, necessitam do leite humano.
As mulheres que desejam doar leite humano ao HC-UFU podem entrar em contato pelo telefone (34) 3218-2666, pelo qual recebem orientações sobre o processo de doação e os procedimentos necessários. O hospital também oferece serviço de coleta domiciliar, que permite que o leite seja recolhido, diretamente, na residência das doadoras, facilitando a participação e ampliando as possibilidades de doação.
Além de receber e processar o leite humano doado, o Banco de Leite do HC-UFU também oferece assistência às mulheres que enfrentam dificuldades durante a amamentação. O serviço conta com um consultório destinado ao atendimento e à orientação das mães, com acompanhamento para esclarecer dúvidas e auxiliar na condução adequada do aleitamento.
Usuária do Banco de Leite, Kenia conta que enfrentou dificuldades, principalmente, nos primeiros dias de vida da filha. Segundo ela, o atendimento foi fundamental para compreender a maneira adequada de amamentar e superar as inseguranças desse período. “Eles me ajudaram muito, principalmente na maneira correta de se alimentar. Tiraram todas as dúvidas que eu tinha”, relata.
Para agendar uma consulta no Banco de Leite Humano do HC-UFU ou esclarecer dúvidas sobre amamentação, as interessadas podem entrar em contato pelo telefone (34) 3218-2666. Por meio do serviço, também são fornecidas orientações sobre o atendimento e os procedimentos realizados pelo Banco de Leite.
Daniela Marques, coordenadora do Banco de Leite do HC-UFU, deixa uma mensagem para as mulheres que enfrentam dificuldades durante a amamentação. “Os primeiros dias podem ser desafiadores. Então, a mãe precisa de ajuda para conseguir realizar o aleitamento materno. Além da rede de apoio, o Banco de Leite está aqui para oferecer esse auxílio.”
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Palavras-chave: HC UFU Amamentação; leite materno maternidade
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