Publicado em 14/08/2026 às 14:44 - Atualizado em 14/08/2026 às 16:26
A área da medicina veterinária dedicada aos equinos reúne pesquisas voltadas à saúde, ao manejo e à reprodução de cavalos, éguas e pôneis. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), esses estudos envolvem professores e estudantes da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ/UFU) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPGCVet/UFU), com resultados que também chegam à prática clínica do Hospital Veterinário da universidade (HV/UFU).
Parte dessa produção científica foi apresentada entre os dias 2 e 4 de julho durante a XXV Conferência Anual da Associação Brasileira de Médicos Veterinários de Equídeos (Abraveq), na cidade de Campinas (SP). A convenção é o maior evento científico da América Latina dedicado aos equinos, e contou com a participação da UFU em edições anteriores. Neste ano, reuniram-se mais de 1.500 participantes, de diversas instituições, com mais de 700 trabalhos científicos. Confira abaixo as pesquisas apresentadas por cientistas da UFU:1. Placa aural e transmissão de vírus por carrapatos
Coordenada pelo professor Diego José Zanzarini Delfiol (HV/FMVZ/PPGCVet), a pesquisa investiga a placa aural, doença que provoca lesões semelhantes a crostas na parte interna das orelhas dos cavalos. “Apesar de ser bastante frequente, ainda não sabemos exatamente como esse vírus é transmitido entre os animais”, explica o pesquisador. A partir de um trabalho anterior desenvolvido pelo Grupo de Estudos em Equídeos (Geeq-UFU), pesquisadores identificaram que a presença de carrapatos estava associada a um maior risco de ocorrência da doença. Na etapa seguinte, a mestra Dara Alves e a estudante de Iniciação Científica Gabriella Martins identificaram a presença do papilomavírus, causador das lesões, nos parasitas. Alves, responsável por essa etapa da pesquisa, contou com uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O objetivo da investigação é gerar o conhecimento necessário para desenvolver estratégias de prevenção e controle da doença. “O próximo grande desafio é descobrir se esses carrapatos apenas transportam o vírus de um animal para outro, funcionando como um ‘carregador’, ou se realmente participam do processo de transmissão da doença”, explica Delfiol.Na conferência Abraveq deste ano, Martins conquistou o terceiro lugar na categoria Clínica e Cirurgia com sua pesquisa de Iniciação Científica. “Participar de grupos de estudo, projetos de pesquisa e eventos foi o que me aproximou dessa área, então meu conselho é aproveitar essas oportunidades e acreditar no próprio potencial”, completa a estudante.
2. Hormônios e receptividade uterina em éguas
Coordenada pela professora Elisa Sant’Anna Monteiro da Silva (FMVZ/PPGCVet), essa linha de pesquisa investiga os mecanismos que tornam os úteros das éguas mais receptivos à implantação e ao desenvolvimento do embrião. Vinculados ao Grupo de Pesquisa e Extensão em Ambiente Uterino Equino (Aueq-UFU), os cientistas investigam como a exposição de hormônios interfere no ambiente do órgão reprodutivo, a partir de análises de pequenas moléculas que regulam a atividade dos genes.
Estudos desenvolvidos pelo grupo indicaram que um período maior de exposição ao hormônio estrógeno antes da ação da progesterona pode favorecer a receptividade do útero. A pesquisa também envolve pesquisadores da Faculdade de Zootecnia da Universidade de São Paulo, em Pirassununga (FZEA/Usp), onde ocorre a fase laboratorial.A próxima etapa da investigação, que recebe financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), terá uma série de experimentos para analisar se essas pequenas moléculas, chamadas de MicroRNAs, melhoram o desenvolvimento dos embriões quando produzidas em diferentes condições hormonais. Os resultados podem contribuir para aprimorar protocolos utilizados na preparação de éguas receptoras. Com o aumento da eficiência reprodutiva, um número menor de éguas precisará passar pela transferência de embriões. Dois trabalhos desenvolvidos por estudantes orientados por Sant´Anna foram premiados durante a conferência: o mestrando Arthur Pelegi Maran conquistou o primeiro lugar e a mestranda Laís Andrade Barbosa ficou em terceiro na categoria Reprodução Equina. “Essas premiações incentivam outros estudantes a investirem na pesquisa e evidencia o papel da universidade na produção de conhecimento e inovação”, completa a orientadora.
3. Diagnóstico de inflamações no útero que podem causar infertilidade
A pesquisa de doutorado de Fernando Alves, palestrante na conferência, busca aprimorar o diagnóstico de inflamações uterinas que podem levar à infertilidade e à subfertilidade das éguas. Os experimentos utilizam uma membrana filtrante capaz de concentrar os microrganismos encontrados em amostras coletadas do útero dos animais. Os resultados serão comparados entre diferentes fases do ciclo reprodutivo para verificar se existe um período mais adequado para identificar essas alterações.
Na segunda etapa, o estudo também investigará o microbioma uterino, conjunto de microrganismos que vivem no útero e podem estar relacionados à saúde do órgão. “Esse microbioma é como se fosse ‘a flora intestinal’, que muito se fala na saúde humana”, explica o pesquisador. A proposta é compreender quais desses microrganismos estão presentes e quais funções desempenham, já que nem todas as bactérias encontradas são necessariamente prejudiciais.
Ao identificar com maior precisão os microrganismos relacionados à saúde e às inflamações uterinas, a pesquisa poderá contribuir para tratamentos mais adequados e reduzir o uso desnecessário de antibióticos. O estudo é desenvolvido sob orientação de Sant’Anna e recebe apoio financeiro do Aueq-UFU.
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Palavras-chave: Medicina Veterinária equinos cavalos ABRAVEQ pesquisa
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