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Ciência aeroespacial

Alunos da UFU conquistam 1º lugar na maior competição de foguetes e satélites da América Latina

A equipe de tecnologia aeroespacial ganhou três premiações nesta edição

Publicado em 09/09/2026 às 17:16 - Atualizado em 09/09/2026 às 17:54

Equipe EPTA na LASC 2026. (Foto: arquivo pessoal)

 

A Equipe de Propulsão e Tecnologia Aeroespacial (EPTA) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) conquistou o 1º lugar na edição 2026 da Latin American Space Challenge (LASC), a maior competição de foguetes e satélites da América Latina. O evento foi realizado em Iacanga, no estado de São Paulo, entre 2 e 5 de setembro.

Vinculada à Faculdade de Engenharia Mecânica (Femec/UFU), a EPTA é um projeto de extensão dedicado à pesquisa e ao desenvolvimento prático de tecnologias nos setores de engenharia aeroespacial. Formada por mais de 50 alunos de diversos cursos (Engenharias Aeronáutica, Mecatrônica, Mecânica, de Controle e Automação, Elétrica, Química, dentre outras), e com a tutoria do professor Alexandre Zuquete Guarato (Femec/UFU) há 8 anos, a equipe realiza desde a construção de foguetes de propulsão sólida até o desenvolvimento de satélites. Segundo o tutor, a diversidade de formações contribui para a evolução técnica e organizacional da equipe. 

 

A participação na LASC 

A equipe representou a universidade em mais uma edição da Latin American Space Challenge (LASC), que acontece anualmente e conta com participantes de diversos países. Neste ano, além de países da América Latina, estiveram presentes equipes da Turquia, Romênia, Índia, entre outros. A competição possui três categorias principais. A Rocket Challenge é focada em foguetes, com categorias de diferentes altitudes de apogeu, alcançando até 500m, 1.000m ou 3.000m. A categoria Stellite Challenge é focada no desenvolvimento e operação de microssatélites, divididos nas categorias PocketQube, satélites cúbicos de aproximadamente 5 cm de lado, e CanSat, satélites de pequeno porte, aproximadamente do tamanho de uma lata. E neste ano, a novidade foi a categoria Lander Challenge, voltada ao desenvolvimento de landers, ou pousadores, que são veículos projetados para realizar pousos controlados em superfícies como a Lua ou Marte.  

 

As premiações 

Dentre as premiações da equipe em edições anteriores, estão o 2° lugar na edição de 2021, com o projeto teórico do foguete Osíris, e o 1° lugar conquistado na categoria de 500m de apogeu na edição de 2025. Neste projeto, o atual vice-presidente da equipe, José Eduardo Félix, era o gerente responsável por comandar o time de propulsão. Segundo ele, “foi muito recompensador ver o trabalho da EPTA ter sido tão bem avaliado”. E este ano não foi diferente quanto às premiações. 

Alunos da UFU conquistam 1º lugar na maior competição de foguetes e satélites da América Latina
José Eduardo Félix, vice-presidente da EPTA. (Foto: arquivo pessoal)

Na LASC 2026, a EPTA levou três projetos desenvolvidos pela equipe na universidade. O Merak, um foguete de propulsão sólida projetado para alcançar 1 km de apogeu; o Átria, um pousador desenvolvido para a nova categoria Lander Challenge. Além disso, uma missão experimental de satélite foi inscrita nas categorias CanSat e PocketQube. O resultado desse trabalho foi histórico para a equipe. 

O Átria conquistou o primeiro lugar no Lander Challenge, estreante na competição, tornando a primeira equipe campeã da categoria. A EPTA apresentou apenas o projeto e o relatório técnico desenvolvidos para a competição, mas já visa um horizonte. Nos próximos cinco anos, a equipe espera desenvolver e construir efetivamente um Lander. A ideia envolve uma tecnologia de controle do impulso para realizar pousos controlados, em uma lógica semelhante à tecnologia utilizada nos foguetes da SpaceX. Segundo o professor da equipe, “isso é um marco de muita inovação para o Brasil”, e a EPTA está fazendo parte disso. 

Na área dos satélites, a equipe também conquistou um resultado inédito. A EPTA ficou com o primeiro lugar na categoria e recebeu ainda o reconhecimento de melhor satélite experimental de toda a competição. Os projetos apresentados foram das categorias CanSat, de satélites de pequeno porte, e PocketQube, formados por estruturas cúbicas. De acordo com Guarato, as premiações representam os primeiros prêmios conquistados pela EPTA na área de satélites, o que marca uma nova etapa na trajetória do projeto.

O bom desempenho também está relacionado ao desenvolvimento próprio da eletrônica dos projetos da equipe. Para o professor tutor, a EPTA projeta e fabrica suas próprias placas eletrônicas, em vez de utilizar sistemas comerciais prontos como fazem outras equipes, algo que foi muito elogiado durante a competição. A eletrônica pode ser utilizada para monitorar informações relevantes como temperatura, pressão, altitude e, dependendo do projeto, coordenadas e trajetória. O desenvolvimento interno desses sistemas é apontado pelo professor como um dos diferenciais técnicos da equipe. “Nós somos uma das pouquíssimas equipes que conseguem desenvolver toda a eletrônica própria”, revelou Guarato. 

Já o Merak é o foguete construído para a categoria de até 1 km de apogeu. Durante o voo, seu sistema eletrônico acompanha a trajetória e, ao atingir seu ponto mais alto, aciona o mecanismo responsável pela recuperação do foguete. A parte superior é liberada e um paraquedas se abre para reduzir a velocidade da queda e garantir um pouso seguro. Na LASC deste ano, o Merak realizou o voo e pousou com segurança. Embora não tenha conquistado uma premiação na categoria, o resultado representou um avanço para a EPTA, que, segundo o professor tutor, ainda não havia conseguido realizar com sucesso o processo de recuperação em lançamentos anteriores. 

Alunos da UFU conquistam 1º lugar na maior competição de foguetes e satélites da América Latina
Foguete Merak. (Foto: arquivo pessoal)
 
Da conquista aos novos desafios

Ao longo dos anos, a equipe vem evoluindo e construindo aos poucos os bons resultados que colheu este ano. O desafio em 2026 foi maior com o desenvolvimento do Merak, além da participação inédita nas áreas de satélites e pousadores. Para Guarato, a evolução da equipe ao longo dos anos pode ser observada tanto nos bons resultados quanto no desenvolvimentos das novas tecnologias. “Eu estou muito orgulhoso de toda a trajetória da equipe. Nós tivemos dois grandes avanços, que foi a recuperação [do foguete], o paraquedas abrir e funcionar no tempo previsto. E nós tivemos muitos elogios para nossa parte eletrônica totalmente desenvolvida pela equipe”, disse o tutor da equipe. 

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Professor Alexandre Zuquete Guarato, tutor da equipe. (Foto: arquivo pessoal)

Para o próximo ano, a expectativa é que a EPTA volte a competir na categoria de foguetes de 1 km, realizando ajustes técnicos em busca de uma premiação. No caso do Lander, o objetivo é transformar o projeto desenvolvido para a competição em um pousador funcional nos próximos 5 anos. 

Assim, os resultados conquistados na LASC 2026 representam muito mais do que troféus. São reflexo da evolução contínua da equipe tanto em termos técnicos do setor aeroespacial e no desenvolvimento de novas tecnologias, quanto no âmbito organizacional da equipe, e representam a ciência aeroespacial que é desenvolvida dentro da UFU por alunos e docentes. “Foi extremamente gratificante poder representar a UFU, a Femec e a EPTA nestanessa competição, tendo em vista que estamos sendo coroados graças aos esforço e aprendizado que cultivamos dentro da universidade”, finalizou o vice-presidente da equipe. 

 

Processo Seletivo 

O time da EPTA está com o processo seletivo aberto em busca de novos integrantes. Os interessados em fazer parte da equipe podem realizar a inscrição por meio do site, até o dia 23 de setembro. Dentre as áreas disponíveis estão financeira, gestão de pessoas, gestão de projetos, marketing, pesquisa, propulsão, entre outras. Para mais informações, é possível entrar em contato pelo Instagram da equipe

Banner de divulgação do processo seletivo
Arte: divulgação

 

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Palavras-chave: Femec Lasc foguete Engenharia Aeronáutica

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