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Leia Cientistas

INCT Solos do Brasil, UFU, UFV e UFMS iniciam no Pantanal a Rede Nacional de Monitoramento Termo-Hídrico dos Solos

O objetivo é acompanhar continuamente as condições de temperatura e umidade dos solos em diferentes ambientes pantaneiros

Publicado em 28/09/2026 às 18:09 - Atualizado em 28/09/2026 às 19:03

Os sítios instalados em locais estratégicos registrarão continuamente as variações de temperatura e umidade dos solos (fotos: acervo dos pesquisadores)

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Solos do Brasil (INCT Solos do Brasil) é uma rede nacional de pesquisa que reúne universidades e  instituições científicas com o objetivo de ampliar o conhecimento, o mapeamento e o uso sustentável dos solos brasileiros, contribuindo para o desenvolvimento da agricultura, a conservação ambiental e a formulação de políticas públicas. 

No mês de agosto de 2026, foi iniciada uma nova etapa de pesquisas no bioma Pantanal com a  implantação de uma Rede Nacional de Monitoramento Termo-Hídrico dos Solos. A  iniciativa permitirá acompanhar continuamente as condições de temperatura e umidade dos solos em diferentes ambientes pantaneiros, gerando informações essenciais para a  compreensão da dinâmica ambiental desse importante ecossistema. 

Nesta primeira etapa das atividades de campo, foram instalados nove sítios de  monitoramento distribuídos em quatro sub-regiões do Pantanal, em uma parceria entre pesquisadores do INCT Solos do Brasil vinculados às Universidades Federais de Uberlândia  (UFU), Viçosa (UFV) e Mato Grosso do Sul (UFMS). 

As atividades foram coordenadas pelo professor Guilherme Resende Corrêa (Igesc/UFU), do Laboratório de Pedologia e Estudos da Paisagem (Lapep/UFU), com a colaboração do professor Eduardo O. Senra (Iciag/UFU), responsáveis também pelo fornecimento dos sensores instalados nos sítios de monitoramento. Os dados gerados integrarão a pesquisa de doutorado de Paula S. Queiroz (UFU), ampliando o conhecimento sobre os solos e os  processos ambientais do Pantanal. 

A escolha do Pantanal para inaugurar a rede nacional de monitoramento está diretamente relacionada à relevância ambiental desse bioma. Reconhecido como uma das maiores e mais importantes áreas úmidas do planeta, o Pantanal apresenta uma dinâmica fortemente influenciada pelos ciclos de inundação e estiagem, fatores que condicionam a formação, a  evolução e o funcionamento dos solos. 

Diante das mudanças climáticas globais e das alterações observadas no regime hidrológico da região, compreender a resposta dos solos às variações de temperatura e disponibilidade  hídrica torna-se cada vez mais necessário. O monitoramento termo-hídrico permitirá relacionar as condições dos solos às oscilações climáticas e hidrológicas, ampliando o entendimento dos processos que controlam a dinâmica ambiental pantaneira. 

Além de contribuir para o avanço do conhecimento científico, os dados produzidos poderão  subsidiar estudos sobre os impactos das mudanças ambientais nos solos e nos ecossistemas do Pantanal, fornecendo informações relevantes para estratégias de conservação, manejo sustentável e adaptação às mudanças climáticas.

Grupo
Da direita para esquerda: os professores Bruno Vasconcelos (UFV), Eduardo Senra (UFU), Frederico Gradella (UFMS), Guilherme Corrêa (UFU) e Davi Gjorup (UFV); os discentes da UFU Jonas Lopes, Paula Queiroz e Pedro Crivelli (Foto: acervo dos pesquisadores)

Uma pesquisa construída em parceria 

A realização desta primeira etapa só foi possível graças à colaboração de proprietários rurais, instituições de pesquisa e empreendimentos locais que disponibilizaram áreas para a instalação dos sítios de monitoramento. Essa parceria amplia as possibilidades de pesquisa em diferentes sub-regiões do Pantanal e permite a construção de uma base de dados  representativa e de longo prazo. 

Os sítios instalados em locais estratégicos registrarão continuamente as variações de temperatura e umidade dos solos, produzindo informações fundamentais para compreender a resposta do ambiente às mudanças climáticas e hidrológicas. Ao longo dos anos, esses dados formarão uma importante série histórica capaz de subsidiar estudos sobre o funcionamento e as transformações ambientais do Pantanal. 

A implantação dos nove sítios representa, portanto, um marco inicial para o estabelecimento de uma Rede Nacional de Monitoramento Termo-Hídrico dos Solos, destinada a gerar informações de longo prazo sobre a dinâmica dos solos brasileiros e a contribuir para uma compreensão mais aprofundada das respostas dos ecossistemas às mudanças climáticas e  hidrológicas. 

O INCT Solos do Brasil agradece especialmente ao Instituto Delta do Salobra (IDS), à Pousada Refúgio da Ilha, ao Instituto Barranco Alto (IBAL), à Pousada Barranco Alto, à Pousada Passo do Lontra Parque Hotel e à Base de Estudos do Pantanal da UFMS pelo  apoio logístico e pela colaboração indispensável para a realização das atividades de campo. 

*Guilherme Correa Resende é professor do Instituto de Geografia, Geociências e Saúde Coletiva da Universidade Federal de Uberlândia e coordenador do Laboratório de Pedologia e Estudos da Paisagem (Lapep)

**Eduardo Osório Senra é professor do Instituto de Ciências Agrárias, Campus Monte Carmelo. 

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. 

 

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Palavras-chave: solos INCT Pantanal

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